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Gravidez / Saúde



Coração: algum problema?

Em cada 1000 crianças, oito nascem com alguma deficiência cardíaca. A maioria delas pode ser identificada ainda na fase fetal e, em muitos casos, a cirurgia é feita dentro do próprio útero materno. Mas mesmo as chamadas cardiopatias congênitas, só perceptíveis depois do nascimento, hoje apresentam um altíssimo índice de sobrevida.


A supermáquina

Dois ventrículos, dois átrios. Os nomes parecem estranhos, mas compõem o esquema perfeito que faz funcionar a mais maravilhosa das máquinas: o coração humano. Do ventrículo direito, sai a artéria pulmonar; do esquerdo, a aorta. 

O sangue que vem da circulação sistêmica entra no átrio direito, passa no ventrículo direito e chega aos pulmões. Lá, ao ser oxigenado, transforma-se de venoso em arterial. Depois, volta ao coração pelo lado esquerdo, alcança a aorta e é novamente lançado na circulação.

Em torno da 28ª semana da gestação, através da ultra-sonografia, os pais já podem ver o coração do filho pulsando. Mas antes disso, entre a 24ª e 26ª semanas, caso observe alguma anomalia, o obstetra solicita um exame específico - a ecocardiografia fetal. Pela análise do número de batimentos, tipo de contração, tamanho e estrutura do órgão (por exemplo, se os vasos saem das cavidades certas ou se há estreitamento nas válvulas), é possível determinar qualquer anormalidade. Dependendo do caso, o médico indicará a cirurgia ainda no útero, antes do nascimento.

Mas nem todas as grávidas precisam fazer o exame. Apenas as portadoras de cardiopatias, diabetes, as que contraíram rubéola ou toxoplasmose na gestação, as que engravidaram depois dos 35 anos. Também as mulheres que já tiveram um filho com problemas cardíacos, cerebrais ou cromossômicos, como a síndrome de Down. E ainda, as que utilizam barbitúricos, anfetaminas, bebidas alcoólicas ou antidepressivos.


Sinais de alerta

A maior parte das doenças cardíacas pode ser diagnosticada ainda no útero, mas as cardiopatias congênitas só serão identificadas na hora do nascimento. Os lábios, as unhas e as extremidades do bebê apresentam um tom azulado ou arroxeado (cianose), ele sente dificuldade para respirar e demonstra sintomas claros de insuficiência cardíaca.

Até ali, o recém-nascido estava ligado ao sistema circulatório da mãe, mas agora passa a respirar por conta própria. Seus pulmões se abrem para receber o ar. A maior parte do sangue, que fluía da artéria pulmonar direto para o canal arterial, começa a transitar pelos ramos pulmonares. Depois do enorme esforço inicial, os vasos intrapulmonares aos poucos se expandem. Estarão amadurecidos lá pelo terceiro mês, época em que se detecta mais facilmente alguns defeitos do coração.

Outros sintomas contribuem para confirmar o diagnóstico: cansaço durante a amamentação (o neném interrompe a mamada várias vezes para descansar e, por conta do esforço, sua muito); dificuldade de ganhar peso e estatura, além de propensão a infecções, especialmente as broncopneumonias.

Existem vários tipos de cardiopatias congênitas, mas graças ao avanço da cirurgia neonatal, a maioria delas é corrigível. Normalmente, as crianças são tratadas com medicamentos até completarem o primeiro ano quando, então, a intervenção traz menos riscos.



Regina Protasio
Consultoria: Dra. Camila Dedivitis Tiossi, cardiologista pediátrica do Hospital Infantil Darcy Vargas/SP




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