|
A norma é evitar, ao máximo, o uso de medicamentos durante a gravidez. Na verdade, hoje existem estudos demonstrando que alguns não causam problemas para a mulher ou para o bebê que está sendo gerado.
Mas para se ter uma idéia sobre os possíveis riscos, basta ler as bulas. Em cerca de 99% delas, consta a advertência de que o remédio não deve ser tomado pela gestante nos três primeiros meses - período de formação do bebê. Trata-se de um cuidado dos fabricantes, com questões pouco esclarecidas nas pesquisas sobre os diversos efeitos de cada um de seus produtos.
Fique ligada
Protegendo-se desta forma, os laboratórios não podem ser responsabilizados por danos futuros. Como ocorreu, há algumas décadas, com uma substância que as gestantes tomavam contra enjôos: a talidomida.
Foi um episódio traumático, pois provocou, em diversos países, o nascimento de centenas de crianças com graves deformações. Muitos casos chegaram aos tribunais e alguns casais foram indenizados. No entanto, nada poderia devolver aos seus filhos uma vida normal e independente.
Atenção!
Segundo os especialistas, as drogas capazes de causar deformação (ou teratogênicas) são classificadas em quatro grupos:
o das que já foram testadas em animais e humanos sem apresentar problemas;
o das que já foram testadas em animais (sem apresentar problemas), mas não foram testadas em humanos;
o das que já foram testadas em animais (sem apresentar problemas) e mostraram indícios de não fazer mal a humanos;
o das que já foram testadas em animais (sem apresentar problemas) e podem oferecer riscos aos humanos.
Os mais indicados
Por isso, nas diferentes situações - mesmo as que requeiram um rápido alívio de dores ou qualquer desconforto - é essencial ouvir a palavra do obstetra. Ele indicará os remédios adequados durante a gestação. Também vai orientar sobre a quantidade e a freqüência no uso de cada um. Além de poder adiantar quais devem ser eliminados da farmácia da grávida.
Vale lembrar que toda gestação, normalmente, tem de 2% a 3% de possibilidades de malformação constitucional - desde uma manchinha imperceptível no couro cabeludo a uma alteração cardíaca incompatível com a vida. É, portanto, essencial que a grávida elimine novos riscos para o seu bebê.
Abaixo o pânico!
Não há motivo para pânico quando, sem saber, a futura-mamãe toma uma dose de qualquer medicamento proibido. Nessas proporções, ele pode ter uma ação praticamente nula, devido à diluição de seus componentes no sangue.
O mesmo não acontece nos casos chamados de tempo-dependência, em que o consumo se torna habitual e prolongado. Quanto maior a dosagem e a extensão do tempo de uso, mais riscos para o feto.
Estes cuidados não impõem às gestantes dores e outros incômodos: há medicamentos para cada problema. Atendem tanto a emergências - como uma crise renal - quanto às necessidades de cuidados continuados - como a hipertensão arterial. Estão disponíveis até mesmo nos casos de tratamento dentário, como o uso de Raios X, hoje mais intenso e centralizado.
Sem riscos
Há antiespasmódicos, corticóides, broncodilatadores e analgésicos ao alcance da grávida. Mas apesar de não prejudicarem o feto, muitos deles apresentam efeitos secundários. Alguns, por exemplo, são abortivos. Ou baixam a pressão arterial. Por isso, antes de sua indicação, o obstetra considera os problemas e as características de cada mulher, alertando-a sobre possíveis riscos.
|