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A vida no útero envolve movimento, sons, tato, períodos de vigília, de sono e até sonhos. Durante nove meses, nosso pequeno herói se forma, cresce, aprende, ganha uma fisionomia, alguns de seus órgãos (rins e bexiga) começam a funcionar, ainda que de forma experimental.
E mais: ele compartilha emoções. Sabemos hoje que tristeza, felicidade e estresse chegam até o feto, através da liberação de hormônios maternos. Só como exemplo, se a mãe leva um susto, a descarga de adrenalina pode atingi-lo, provocando taquicardia e agitação. Como acontece com qualquer um de nós.
É possível garantir, sem medo, que as funções realizadas pelo recém-nascido, já se desenvolvem neste tempo de intensa preparação para o mundo. Quer conferir?
Tato
O ambiente uterino, macio e úmido, é sempre um prazer ao toque. Nada agride, não há qualquer forma de contato com superfícies ásperas ou duras. Se houver qualquer pressão externa, será amortecida pela bolsa d'água.
Através do tato, o bebê experimenta a sensação de permanecer em uma temperatura agradável, que varia entre 36º e 38º. Nos últimos meses de gravidez, ele vai mais longe: entra com contato com as paredes do útero e com seu próprio corpo. Em pouco tempo, leva as mãos ao rosto e chupa o dedinho, como está registrado em tantas ultra-sonografias.
Visão
Os olhos surgem em torno da quarta semana de vida. Até os quatro meses, porém, permanecerão fechados. Sendo quase totalmente escuro e sem contrastes, o útero não fornece grandes estímulos ao desenvolvimento da visão.
Está tudo pronto para entrar em ação mas, ao nascer, o bebê tem apenas 5% da visão total. O suficiente para conhecer sua mãe e identificá-la.
Paladar
A língua aparece na quarta semana de gestação. Antes de completar o segundo mês, as células responsáveis pelo paladar encontram-se formadas. Entretanto, vale lembrar que o feto se alimenta via cordão umbilical, sendo este diretamente ligado à placenta. O gosto conhecido é apenas o do líquido amniótico, cuja composição química não varia muito.
Assim, chegando ao mundo, só dá para perceber grandes diferenças: ácido, salgado, doce, amargo. Aos poucos, nosso pequeno
gourmet aprenderá a reconhecer sabores, tornando-se mais exigente a cada dia.
Olfato
Enquanto ele se apronta para a vida aqui fora, a respiração é realizada através do cordão umbilical. Só depois do primeiro choro, será tarefa do bebê respirar por conta própria. Engolindo líquido amniótico e, com base na comunicação existente entre as cavidades oral e nasal, fica estabelecida uma estreita comunicação entre olfato e paladar. Assim, é possível que, a partir da sétima semana, o feto adquira uma considerável experiência olfativa.
Audição
Agora sim, chegamos ao sentido que mais se desenvolve no tempo de espera. Sabe-se que o feto consegue escutar, antes mesmo que seu rosto esteja formado. Neste caso, estímulos é que não faltam: ouve os ruídos do organismo da mãe, acostuma-se com o som dos batimentos cardíacos e aquele que o líquido amniótico faz, quando se movimenta.
Sem grande nitidez, percebe vozes externas, identifica quando o rádio está alto demais e se há alguém gritando. Ao nascer, demonstrará claramente que conhece as vozes das pessoas amadas e que alguns sons lhe são bastante familiares. Esse
saber todo deixa os pais orgulhosos dele e ocupa, por vários dias, a conversa da toda a família.
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