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Gravidez / Saúde



O papel da placenta

Ligada ao neném pelo cordão umbilical, a placenta tem uma função das mais importantes. Ela possibilita que nutrientes como glicose, proteínas, gorduras, vitaminas e sais minerais cheguem ao feto. Além disso, é responsável pela troca de gases - oxigênio, da mãe para o bebê, e gás carbônico, no sentido inverso - e pela produção de hormônios, dentre eles o gonadotrofina coriônica. Conhecido como HCG, sua presença no sangue e na urina da mulher costuma ser responsável pela boa notícia: positivo, você está grávida!

E o seu papel não termina aí. A placenta funciona como um grande filtro, impedindo que determinadas impurezas atinjam o feto. Algumas substâncias, porém, têm a capacidade de furar este bloqueio: a nicotina e o alcatrão do cigarro, o álcool, as drogas, alguns medicamentos (antibióticos, antiinflamatórios e sedativos), além de determinados vírus e bactérias, como os causadores da rubéola, varíola, hepatite, toxoplasmose e HIV. Atenção ao pré-natal. Um acompanhamento permanente da gestação evita muitos riscos para o bebê.


Entenda melhor

Formada no momento da concepção, a placenta está presente em toda a gravidez. Localiza-se na parte interna do útero aderida à sua parede e possui duas faces: uma voltada para a mãe e outra para o feto. 

Em seu interior, encontra-se a cavidade amniótica ou bolsa das águas, dentro da qual ficam o bebê e o cordão umbilical, por onde circula o sangue da gestante e do feto. Apesar da proximidade entre a circulação materna e a do bebê, vale lembrar que o sangue dos dois, normalmente, não se mistura. Esta separação fica por conta de uma camada muito fina de tecido existente entre os vasos da mãe e os da criança, chamada membrana placentária.

Atenção!
Em alguns casos, surgem minúsculas fendas nessa membrana, suficientes para que uma pequena quantidade de sangue do feto passe para a circulação da mãe. Se houver incompatibilidade sanguínea entre os dois – por exemplo, quando o sangue do feto é Rh-positivo e o da mãe Rh-negativo - o organismo materno pode reagir, criando anticorpos contra o sangue do neném. Por isso,ele fica vulnerável a algumas ameaças como a doença hemolítica, causadora de perigosa anemia.


Na hora do parto, a placenta, que pode chegar a 30 cm de diâmetro e pesar até 1 kg, será eliminada, através das contrações uterinas. Missão cumprida. 


Algo está errado?

Para saber se está tudo bem com sua gestação, é fundamental seguir um cuidadoso pré-natal. Com o auxílio da ultra-sonografia, o obstetra irá avaliar se a placenta se desenvolve corretamente e se cumpre, ou não, suas importantes funções. 

Placenta baixa ou placenta prévia
É quando ela se situa na parte inferior do útero. Ocorre com maior freqüência em mulheres que fizeram muitas cirurgias uterinas, como para a retirada de miomas, e em gestações de gêmeos. É comum haver um discreto sangramento. Nesse caso, a gestante deve seguir à risca as orientações médicas, que incluem repouso absoluto. Do contrário, a placenta pode se descolar.

Descolamento da placenta
Aqui, a placenta se separa da parede do útero, impedindo que o bebê continue a se alimentar e receber oxigênio. Os sintomas são: útero endurecido, dores abdominais fortes e intenso sangramento genital. Considerada urgência obstétrica, neste caso convém entrar em contato com o médico imediatamente, pois o risco da perda da gravidez é grande e isso pode acontecer em questão de minutos. A principal causa é a hipertensão materna, responsável por cerca de 50% dos casos. 

Calcificação precoce da placenta
Algumas vezes, a placenta pode se calcificar precocemente. Com isso, deixa de cumprir suas funções, principalmente a de nutrir o bebê, impedindo que ele se desenvolva e cresça como deveria. Quando isso acontece, deve ser feito um acompanhamento do crescimento do bebê e, em alguns casos, o parto pode ser antecipado.


Atenção!
Através da biopsia do vilo-corial, onde um fragmento da placenta (que tem a mesma origem do bebê) é retirado e analisado, é possível fazer uma avaliação dos cromossomas do bebê. O exame geralmente é indicado para gestantes acima de 35 anos ou com problemas cromossômicos na família.



Lilian Luz
Consultoria: Dr. Henrique Salvador, obstetra. Diretor Clínico do Hospital Mater Dei/ MG, e Dr. Carlos Henrique Mascarenhas Silva, Medicina Fetal do Hospital Mater Dei




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