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Gravidez / Saúde



A aventura da fecundação

Ao nascer toda mulher traz sua bagagem de óvulos: cerca de 400 mil para cada ovário. Mas apenas 10% chegam a amadurecer, desde a primeira menstruação até a menopausa. A cada mês, por volta do 14º dia do ciclo menstrual, um deles é liberado pelo ovário e se aloja na trompa de Falópio. Lá, espera pelo sêmen masculino, seu valente parceiro na incrível aventura de gerar uma nova vida.


Vencendo desafios

Para ele, não foi nada fácil chegar a esse encontro. Tudo começa na relação sexual, durante a ejaculação, quando milhões de espermatozóides – de 80 a 100 por centímetro cúbico de líquido seminal – são lançados na vagina. De lá, começam a subida até a trompa, que se movimenta, auxiliando ou dificultando a travessia. Da mesma forma, as contrações musculares podem impulsionar ou criar obstáculos aos viajantes.

O caminho parece interminável para eles, ainda mais se considerarmos suas dimensões 100 vezes menores que as do óvulo, que mede apenas 0,2 mm. Mas este pode esperar; têm reservas nutritivas que o mantém vivo por um dia.

No meio do caminho, alguns espermatozóides se abrigam nas reentrâncias do colo uterino, conseguindo permanecer vivos por 72 horas. A essa altura, estão reduzidos a quase 100 mil. Tentam ultrapassar a camada protetora do óvulo, chocam-se várias vezes com ela e a maioria perde a batalha.


O momento da criação

Agora apenas 100 deles ainda sobrevivem, mas somente um consegue, de fato, furar esse bloqueio e penetrar no óvulo. É o momento mágico da fecundação, imperceptível para a mulher, mas capaz de mudar sua vida para sempre.

Aproximadamente um dia depois, quando a cabeça do espermatozóide descansa no interior do óvulo, duas pequenas bolhas flutuantes, cheinhas de cromossomos, carregam os caracteres do pai e da mãe.

Elas se atraem, se combinam, se fundem, e 12 horas mais tarde, a célula já formada – o futuro bebê – começa sua viagem em direção ao útero. Logo, esta célula inicial vai se dividir em duas outras, absolutamente idênticas, e depois em quatro. Ao deixar a trompa de Falópio, terá se dividido em mais de 100 células.


Um lugar para viver

Passaram-se quatro dias. O óvulo fecundado desliza para o interior do útero, envolvido por uma camada protetora. Enquanto procura o local mais adequado para a implantação – em geral, na parte mais alta do útero – recebe, através da corrente sangüínea da mulher, o oxigênio e os elementos nutritivos que vão possibilitar o seu desenvolvimento. Demora, normalmente, cerca de três dias nesta cuidadosa inspeção.


Absolutamente grávida

Todo o processo, do ato sexual até a fixação do embrião, durou, aproximadamente, uma semana. A gestação começa agora, de fato. Com ela, o organismo passa a produzir a gonadotrofina coriônica-HCG – o hormônio responsável pelo resultado positivo no teste de gravidez. É ele também quem avisa ao ovário para eliminar um outro hormônio, a progesterona.

Por causa disso, durante os nove meses seguintes, não ocorrerá menstruação. Ao mesmo tempo, o ovo lança componentes químicos com o propósito de anular o sistema imunológico no interior do útero. Como um elemento estranho ao corpo da mulher, carregado de características do futuro-pai, não quer ser recebido como uma visita indesejada. Mas como um novo e amado habitante desse mundo mágico e tão acolhedor.



Por Regina Protasio
Consultoria: Dr. Luiz Fernando Dale, especialista em Reprodução Humana. Diretor do Centro de Medicina da Reprodução/RJ




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