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A história se repete com muitas mulheres. Depois da alegria da tão sonhada gravidez, vem a frustração de um aborto. E, para algumas, isso pode acontecer uma, duas, três vezes. Até mesmo com as que se submeteram à inseminação artificial ou à fertilização in vitro. Nesses casos, os médicos falam que houve uma falha na implantação do feto.
Os motivos para essas perdas são variados: fatores imunológicos, genéticos, hormonais, ou mesmo malformações do feto. O aborto ocorre, geralmente, até o terceiro mês de gestação e atinge cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva, sendo que de 2% a 5% dos episódios são de abortos recorrentes.
Corpo estranho
"Na maioria das vezes, os abortos recorrentes são causados por fatores imunológicos. Alguns casais formam um par inadequado e, com isso, produzem embriões que são interpretados pelo organismo da mulher como corpos estranhos sendo, então, eliminados naturalmente. O pior é que a cada nova tentativa de gravidez, estas alterações são agravadas. Isto ocorre mesmo quando belos embriões são produzidos nos tubos de ensaio em fertilizações in vitro", explica o Dr . Ricardo Barini, coordenador do Ambulatório de Aborto Recorrente da Divisão de Reprodução Humana da Universidade de Campinas, em São Paulo.
Mas, graças aos avanços da medicina, já há uma esperança para esses casos. Uma vacina feita a partir dos linfócitos (glóbulos brancos) do marido. "Depois do tratamento, a mulher passa a produzir anticorpos que irão proteger o bebê. Com essa vacina, as chances de ocorrer uma gravidez de sucesso podem chegar a 80%, Sem ela, caem para 19%."
Como funciona
Todo o procedimento deve ser feito três meses antes do início da gravidez. O primeiro passo é o teste da prova cruzada, um exame de sangue que verifica se a mulher tem anticorpos que reconheçam as células masculinas. "Depois disso, retiramos o sangue do marido e separamos as células brancas, os linfócitos, e injetamos no corpo dela. São aplicadas duas doses, com intervalo de um mês. Em seguida, uma nova prova cruzada para verificar se o organismo da mulher aceitou bem a vacina. Se positivo, o casal já pode tentar uma gravidez", explica o Dr. Barini.
"Somos procurados com mais freqüência por mulheres acima dos 35 anos, com duas a três perdas ou falhas na reprodução assistida. São mulheres que adiaram o sonho da maternidade; o risco de não ter filhos agrava o estresse e o sofrimento delas."
O tratamento custa, em média, dois mil reais. "Homens que tiveram algumas doenças que tenha afetado o sangue, como hepatite crônica C, ou que sejam portadores do vírus HIV, infelizmente, não podem doar o sangue para a vacina. Nesses casos, para que tratamento seja feito, o casal deve recorrer a um doador, um parente próximo, irmão ou pai", alerta o Dr. Barini.
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