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Quem não se lembra da cômica Beki da novela Da Cor do Pecado (Rede Globo)? Ao lado de Maitê Proença e Ney Latorraca, a atriz Graziella Moretto completou um engraçadíssimo trio. De férias da tevê, a mãe de Nina, de um ano e nove meses, está lançando o livro
Onde vende o Manual? Coisas que eu não tinha entendido direito sobre gravidez e maternidade (Panda Books).
Muitas mudanças
"Os livros que eu lia contavam experiências de médicos homens, falando sobre aspectos biológicos ou estéticos da gravidez, mas nada quanto à surpresa e o despreparo. Por mais que tivesse lido sobre o assunto, tudo era surpreendente para mim."
Depois de quatro meses de tentativas, quando conta que já ouvia o tic-tac de seu relógio biológico, Graziella conseguiu engravidar. A gestação, pelo menos por um bom tempo, será inesquecível. "A pele vai se rompendo, sentimos dor em tudo que é lugar, nas costas, pernas. Inchamos, ganhamos 15 kg no lombo. Parecemos uma zebra prenha do Discovery Channel, com uma lista negra na barriga. Nada é tão ruim assim, mas nada também é tão bom. A tradição que diz que a mulher grávida é iluminada devia estar se referindo ao óleo que escorre do couro cabeludo e recobre a testa de um brilho reflexivo", brinca.
Os enjôos são um capítulo à parte na gravidez da atriz. "Tive muito. Passava 12 horas do dia vomitando, mas tinha que me alimentar direito e ainda pegar a ponte aérea São Paulo/Rio para trabalhar. Todos me diziam que aquilo era normal. Não é nada. É anormal. Costumo dizer que enjôo nos olhos dos outros é refresco. Foi uma sensação ininterrupta de mal-estar nos quatro primeiros meses."
Sem reclamações
"Da mulher que recebe o resultado positivo, por mais desejado que ele tenha sido, exige-se apenas os sintomas-padrão de gravidez no imaginário popular: iluminação imediata, disposição irrestrita, alegria contagiante, etc. E ainda que esses sejam sentimentos que nos inundam a alma, há outros tantos que conhecemos de ouvir falar, porém que só temos a dimensão real quando acontecem com a gente. Por exemplo, quando sentimos alguns sintomas físicos ou emocionais, que todo mundo diz que são supernormais, que logo vão passar...mas, que a gente, apesar de estar amando cada segundo daquilo tudo, não vê a hora de que passem mesmo de uma vez."
Para a atriz, a gestante sofre da Síndrome de Nossa Senhora. "Não pode reclamar de nada, só agradecer". Guilherme, marido de Graziella, foi seu grande companheiro nesses nove meses. "Sempre muito paciente e tolerante comigo, mas, ao mesmo tempo, é um ser humano. Para ele também é um fardo, uma avalanche de medos, exigências, emoções."
Desejos de grávida? Um, em especial. "Mesmo não tendo comido carne vermelha durante quinze anos, toda vez que eu farejava um churrasco na oficina do vizinho, durante os três primeiros meses, eu aguava por uma picanha. O que me confundia era que eu conseguia desejar isso ao mesmo tempo em que algo tão neutro como água com sal e açúcar me fazia vomitar". Passado esse período, Graziella, confessa: "me entreguei a uma churrascaria rodízio."
E agora, mamãe?
Finalmente, chegou a hora de Nina nascer. "Estava com 41 semanas e meia de gestação quando comecei a sentir as contrações. Fiquei em casa, na banheira de ofurô boa parte do tempo até que meu marido falou:
agora chega. Vamos já para a maternidade! Pouco depois de chegarmos lá, ela nasceu."
"Guilherme é superpresente e participativo na vida da minha filha. Nos três primeiros meses, ele dava banho. Eu era mais desajeitada. Com isso, criou um vínculo grande com ela, uma intimidade. Hoje, Guilherme faz até natação com Nina."
Nasce uma autora
Com a chegada de Nina, Graziella ficou cinco meses em casa, curtindo a filha e trabalhando. "Tinha muito material anotado. Reuni tudo e criei um blog. Um diretor da editora Panda viu e sugeriu que eu escrevesse um livro. Agora até é uma tendência falar sobre essas coisas, mas, quando engravidei, não era."
Seu interesse por literatura não é recente. "Sempre escrevi diários, criava personagens, inclusive para a peça
Terça Insana. Nunca tive a intenção de escrever um livro. Não tinha esse formato na cabeça, mas aconteceu". Ela completa: "A experiência da maternidade enriqueceu o resto do meu trabalho, aumentou meu senso prático."
Aprendendo a ser mãe
"A maternidade é uma obra aberta. Todo dia aprendemos sobre como é ter um filho. A vida é um improviso. Dá também mais medo porque vemos perigo onde não tem, mas não podemos deixar esse sentimento tomar conta de nós. Quando era pequena, brincava na rua. Hoje, isso é mais complicado. Não quero minha filha presa em condomínios, prédios. A Nina brinca na pracinha, na rua, com crianças de várias idades e classes sociais."
"Hoje, leio sobre educação, a melhor maneira de criar o filho e, ainda assim, é difícil. Tem que estar com a mente aberta. Sabemos, na teoria, que a criança com uma certa idade pode ficar mais pirracenta, mas quando seu filho deita no chão, no meio da rua, ficamos sem saber o que fazer. O jeito é ter calma, paciência, dizer que não vai comprar o que ele quer e que vamos conversar em casa. Ainda assim, são uns 40 minutos de choro."
"A única ferramenta que temos é o amor incondicional. Hoje, compreendo minha mãe. Quando era criança, achava que ela era impaciente, e agora vejo que não era mesmo. Sinto vontade de ter uns oito filhos. É a melhor viagem que fazemos nesse planeta. É a prova da existência de Deus, mas tem todas as dificuldades do mundo. Hoje considero também a adoção."
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