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Fernando Gomes

Não há quem resista à simpatia do menino Júlio e de sua turma: o cavalo Alípio, a vaca Mimosa, os papagaios Caco e Kiko, as galinhas Lola, Zazá e Lilica, o Galo Galileu e o porquinho Astolfo. Eles são as estrelas de um dos programas infantis mais assistidos pela criançada, o Cocoricó, exibido na TV Cultura, desde 1996.

Os bonecos manipulados discutem situações do mundo real, como amizade, cidadania, solidariedade, além de falar em matemática e muito mais. O programa alia entretenimento e conceitos pedagógicos, o que agrada, em cheio, também aos pais.

"O Departamento Infantil da TV Cultura conta com uma equipe de pedagogos e outros profissionais experientes para pensar sua programação. Essas mesmas pessoas participaram da criação e/ou produção de clássicos como Bambalalão, Rá-Tim-Bum, X-Tudo, Castelo Rá-Tim-Bum, entre outros", explica Fernando Gomes, manipulador de bonecos, criador do personagem central, Júlio, e diretor da atual temporada do programa.


Como surgiu o Cocoricó

Tudo começou com o menino Júlio, que renasceu com a aposentadoria de dois peixinhos e uma carangueja, que muitos adultos ainda se lembram. No Glub-Glub, eles se encontravam, batiam um papinho e depois chamavam um desenho animado.

Procurando inovar, a TV Cultura estava à procura de um outro personagem. "Depois de várias propostas, a que melhor se encaixou com os ideais da época foi um programa de bonecos, que teria seu universo em um ambiente rural, onde uma criança se relacionaria com seus melhores amigos: os animais de uma fazenda."

Foi aí que Júlio voltou à ativa. "Ele tinha sido criado por mim, em 1989, para um especial de Natal chamado Um Banho de Aventura, dirigido por Bia Rosenberg. Como esse especial ficou muito bom, decidiu-se desmembrá-lo como uma novelinha no quadro Senta que lá vem história, do primeiro Rá-Tim-Bum, e, desde então, o Júlio ficou fora da TV".

"Assim como um ator humano que é escalado para algum trabalho, Júlio foi lembrado para interpretar esta criança do Cocoricó. A partir daí, aconteceu o desenvolvimento do perfil psicológico dos outros personagens e a definição de quem criaria e confeccionaria os bonecos. No início do programa, minha função era apenas confeccionar alguns deles (Lola, Lilica, Zazá, Dito e Feito), manipular e interpretar o Júlio."


Sucesso absoluto

O Cocoricó agrada, e muito, a criançada. Até mesmo os menorzinhos não dispensam as aventuras de Júlio e sua turma. E isso não é de hoje.

"É sempre muito difícil prever se determinado programa vai fazer sucesso ou não, até porque essa avaliação é sempre relativa. A primeira temporada do programa era de desenhos animados comprados no exterior. Em 1996, o Cocoricó foi considerado o melhor programa infantil pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), entre outros prêmios. Mas a noção mais real de que ele atinge seus objetivos com os espectadores é mais notada agora, pelo menos para mim, com a atual temporada."

Além da alta audiência na tevê, o Cocoricó é também sucesso em DVD. "Até agora foram vendidas, aproximadamente, 78.000 mil cópias de apenas um título da série. O curioso dessa venda é que ela foi atingida praticamente pelo boca-a-boca dos espectadores, já que não houve nenhum lançamento oficial ou divulgação deste material. O DVD de clipes do Cocoricó aparece entre os recordes de venda em alguns sites de lojas específicas, superando grandes sucessos de cinema internacional."

A partir de 2002, Fernando foi convidado a dirigir o Cocoricó, que passou a ter apenas histórias desenvolvidas pela própria turma, sem a inclusão de desenhos. "O programa ganhou novos cenários, personagens (Astolfo, Avô, Avó e outros) e clipes musicais. Já no primeiro ano da exibição dessa nova temporada (2004) ganhamos, entre outros prêmios internacionais, o de melhor programa infantil para crianças de zero a seis anos no respeitado Festival Prix Jeunesse Iberoamericano, no Chile."


O que vem por aí

A atual temporada do Cocoricó, totalmente inédita, estreou no começo de agosto. "Entre as atrações, novos clipes, onde os bonecos, que já vinham fazendo quase de tudo, aparecem, agora, em situações bastante curiosas. Por exemplo, a Zazá, literalmente submersa na água, fazendo-se passar por uma sereia, Iara, ou o Júlio, finalmente, montado no Alípio."






Uma carreira premiada

Fernando Gomes começou a trabalhar em televisão, em 1985, como ator em Bambalalão, na TV Cultura, "Além da inquestionável qualidade (ganhou cinco prêmios como melhor infantil pela APCA), o programa me dava muita oportunidade de aprender sobre o veículo televisão, já que era ao vivo e diário."

O criador de Júlio trabalhou com os melhores manipuladores de bonecos da época, como Chiquinho Brandão, Memélia de Carvalho, Gérson de Abreu, Jésus Seda e Álvaro Petersen. "A manipulação de bonecos ou objetos é mais um atributo da carreira de ator, assim como cantar ou dançar. Mas, claro, que interpretar com as mãos e, muitas vezes, ficar em posições completamente desconfortáveis em determinadas cenas, não podem ser consideradas tarefas fáceis."

Fernando participou, ainda, como manipulador e criador de bonecos nos programas Rá-Tim-Bum, Castelo Rá-Tim-Bum, X-Tudo e Cocoricó, na TV Cultura, e Agente G, na Record. Em 1997, tornou-se, também, diretor e esteve à frente de Agente G, Eliana & Alegria, na Record e Ilha Rá-Tim-Bum, na TV Cultura. "Tive a sorte de conseguir manter minha filosofia profissional, dirigindo programas com inegável preocupação com o respeito aos telespectadores."

Agora, além de dirigir o Cocoricó, enfrenta um novo desafio, o programa, o Qual é, bicho? "É uma parceria da TV Cultura com o Zoológico de São Paulo, onde atores vivem histórias relacionadas com animais. Aqui, temos, também, a participação de um boneco, O Lino, o macaco Bugio, interpretado pelo Hugo Picchi (o mesmo que dá vida ao Alípio e ao Astolfo, no Cocoricó). Vale a pena conferir todas as quartas às 10 h e 14 h e, aos domingos, às 11 h. Não percam!"



Lilian Luz
Fotos
Fernando Gomes: Divulgação
Personagens: Divulgação/Eduardo Campos




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