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Judith Brito experimentou a maternidade em dois momentos bem distintos da vida: a juventude e a maturidade. Aos 23 anos, tornou-se mãe de João; aos 43, de Mateus. "Não tive problema algum nas duas ocasiões. Engravidei naturalmente, tive dois partos normais e trabalhei até o último segundo. A diferença é que a segunda gravidez foi numa idade mais madura, tranqüila. Senti menos ansiedade. Na primeira, foi bem diferente porque havia o desejo de ser mãe desde os 15 anos."
Diretora-superintendente do Grupo Folha há 15 anos, Judith tem uma rotina profissional intensa. Em meio a reuniões, viagens e, no mínimo, dez horas de trabalho por dia, a decisão de ter mais um filho foi difícil. "Pensei bastante antes de engravidar novamente. Bem ou mal, deveria dar uma parada."
Um sentido de renovação
Além do lado profissional, outro fator pesou nessa decisão. "Estava casada há quatro anos e um filho é sempre um começar de novo, do zero. É renovação. Ter que ter compromissos novamente. Ficava pensando qual seria minha expectativa de vida. Queria muito poder cuidar do meu filho."
O desejo de ser mãe mais uma vez prevaleceu, e Judith conseguiu conciliar suas novas atribuições com o trabalho. "A empresa montou uma estrutura na minha casa e quatro ou cinco dias depois que o Mateus nasceu, eu já estava em frente ao computador com o bebê no colo. Meu filho me acompanhava até nas reuniões. A única coisa que realmente deixei de fazer foi viajar, no final da gravidez."
Quem sente mais ciúmes?
E como João reagiu quando soube que teria companhia? "Ele é o único filho do meu primeiro marido e sempre pediu um irmão. Na realidade, queria uma irmã mais velha, o que era impossível. Quando soube, aos 20 anos, que ganharia um irmão, ficou muito feliz e surpreso, ao mesmo tempo. Disse que, nessa idade, já sabia lidar com o ciúme. Hoje, é um segundo pai para o caçula."
O Mateus, sim, deixa claro seu ciúme por João. "Outro dia, perguntou por que o irmão tinha cama de casal e ele não, e ainda, por que não aparecia em determinadas fotografias. Claro, ele não era nem nascido (risos)."
Um tempo especial para Mateus
Aos 23 anos, ma primeira gravidez, Judith fazia mestrado e trabalhava. "Tinha uma infra-estrutura menor, menos retaguarda, não contava com uma babá o tempo todo, como aconteceu quando o Mateus nasceu. As condições financeiras são outras; ficou mais fácil."
O caçula estuda à tarde e Judith não abre mão do tempo que pode estar ao lado dele. "Chego em casa entre oito e nove e meia da noite. Fico com o Mateus até às onze. Sentamos no chão, conto histórias, brincamos de teatrinho, mas nada de televisão. No final de semana, também ficamos juntos o tempo todo", conta.
"Acho que conciliar trabalho e maternidade, hoje, é tão difícil quanto era há vinte anos. Temos que usar de muita diplomacia porque a criança quer a presença da mãe, e não há o que resolva isso. A qualidade de tempo entre as duas é importante, mas a quantidade também. Por isso, tento simplificar a vida ao máximo. Quando saio do trabalho, dedico todo o resto do meu tempo à casa, em particular aos filhos. Nem ao cinema eu vou, e o Mateus percebe isso."
Mãe é Mãe
Tantas histórias inspiraram Judith a escrever um livro. Em Mãe é Mãe, lançado pela Publi Folha este ano, ela fala sobre a educação dos filhos, a convivência entre carreira e maternidade e os choques de gerações. Tudo de uma maneira muito bem-humorada.
"Sempre gostei de escrever, mas, com o tempo, abandonei o ofício. Recomecei com uma crônica falando de um episódio acontecido com um dos meus filhos. Tenho muita insônia e comecei a escrever de madrugada, depois que o Mateus dormia. Rapidinho fiz o livro. Agora estou escrevendo um sobre relacionamento conjugal." É esperar para ler.
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