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Luis Rivoiro

A vida de Luiz Rivoiro se divide em duas fases, como ele mesmo diz; a.J. (antes de João) e d.J. (depois de João). O nascimento do filho mudou, profundamente, o dia-a-dia do jornalista. "Aumentou muito a responsabilidade. Eu levava uma vida mais desprendida e tive um choque de realidade. Agora existe uma pessoa que depende de mim e me leva a refletir mais sobre meu papel. Fiquei bem mais centrado."


Um blog diferente

As mudanças foram tão marcantes que o jornalista decidiu dividir sua experiência com outros pais e criou um blog. Publicado, quinzenalmente, na Folha de São Paulo, contava as muitas aventuras e emoções de um pai à espera do primeiro filho e, depois, acompanhando o primeiro ano de vida do bebê.

"Um amigo que trabalhava na Folha on line pediu para que eu e outros amigos preparássemos textos que seriam publicados no Dia dos Pais. Escrevi um, totalmente fiel aos meus sentimentos, que muita gente leu e gostou". O convite para escrever, periodicamente, no jornal foi inevitável. "Aceitei. Achei que seria uma forma legal de colocar no papel o que eu sentia, além de dividir minha experiência com outros pais."

E não foram somente os homens que prestigiaram o espaço. "Muitas mães, avós e até mesmo adolescentes, que um dia querem ter um filho, passaram a ler o blog. Mirei num público e acertei em outro (risos)."

Os textos eram guardados a sete chaves;nem sua mulher tinha acesso a eles. "Angélica não lia nada antes da publicação. Era uma surpresa para ela e uma maneira de saber o que eu sentia."


Pai é Pai: o livro

Depois de quase dois anos, o blog deu lugar a um novo projeto. "Tinha um volume grande de textos, sugeri um livro para a Publifolha e eles aprovaram. Nascia aí o Pai é Pai."

"Falo de situações simples, mas que para nós, pais, acabam adquirindo ares de grandes epopéias, como o primeiro ultra-som, a escolha da maternidade, o enxoval, o choro inexplicável, a hora de dormir, os passos cambaleantes, as primeiras palavras, enfim, tudo aquilo que dia a dia, como a conta-gotas, vai virando nossas vidas de cabeça para baixo."

"O ponto de vista de todos os textos é sempre o meu. Ou seja, o do pai de primeira viagem, aprendiz, de um homem na casa dos 30 que jamais tinha imaginado um dia tirar os olhos do próprio umbigo, deixar de lado suas manias e idiossincrasias para se tornar responsável por um serzinho tão frágil e, ao mesmo, tempo tão surpreendente."


Companheiro, sempre

E Rivoiro fala do assunto com autoridade. Acompanhou, de perto, toda a gestação de Angélica, o que acha fundamental. "Para a mãe, é importante o companheiro estar junto, ajudando a enfrentar tudo de maneira mais tranqüila; para o bebê passa, com certeza, uma segurança maior. No meu caso, não foi obrigação nenhuma ficar ao lado da Angélica nas consultas, nos exames e dividindo preocupações e alegrias. Isso passou a fazer parte da minha vida. O João está com quase quatro anos e, até hoje, vou às consultas do pediatra."

E qual etapa foi mais difícil? "Sem dúvida, depois que o João nasceu. Na gestação, eu dei o meu apoio, mas, quando que ele chegou, começou, de fato, o meu trabalho."


Começar de novo

A história se repete. Com o João já crescidinho, Rivoiro e Angélica vão repetir a dose. "Ela está grávida de cinco meses de outro menino, o Pedro", comemora. "Com o segundo filho é diferente: ficamos mais tranqüilos, sabemos lidar melhor com a ansiedade."

O casal teve um cuidado todo especial para contar a novidade ao João. "Primeiro esperamos descobrir o sexo do bebê porque achamos que com o nome já escolhido, criaria uma intimidade maior. Contamos, de uma maneira muito natural, como uma brincadeira, que ele iria ganhar um irmãozinho, o Pedro."

A reação de João? "De cara, perguntou se o bebê ficaria no quarto dele. Dissemos que sim e ele emendou vai usar o meu berço?. Quando respondemos afirmativamente, completou também eu não uso mais, não é papai?"

"Agora, João não está sentindo ciúmes, mas só vamos saber ao certo quando Pedro nascer. Ele é o primeiro neto, na minha família e na da Angélica."


Brincadeiras de pai e filho


Quando o assunto é filhos, o jornalista só tem uma reclamação. "Gostaria de ter mais tempo ao lado do João. Pela manhã assistimos desenhos juntos e, à tarde, ele vai para a escola. À noite, dou o banho e assistimos mais um pouco de tevê ou vamos brincar. Para dormir, temos um ritual desde que João tinha sete meses: evitamos fazer brincadeiras estimulantes e contamos uma história que, agora, ele mesmo escolhe."

"Nos finais de semana, é diferente. Vamos ao clube, museu, parque, cinema. Mas o que ele adora mesmo é ir a livrarias. Meu filho adora."

E as histórias com João não param. Cada dia é uma nova aventura, novas descobertas. Vem aí outro livro ou mais blog? "Parei. Afinal, não tenho a menor intenção de transformar a vida do menino em mais um Show de Truman. A história do João agora é ele quem escreve. Estou aqui apenas para ajudá-lo com a caligrafia."



Lilian Luz
Fotos Arquivo Pessoal




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