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Marcos Evangelista de Moraes (Cafu)

Cafu, um dos maiores ídolos do futebol em todo o mundo. Nasceu Marcos Evangelista de Moraes, há 36 anos, na comunidade de Jardim Irene, na periferia de São Paulo. Ainda garoto, já mostrava seu interesse pelo esporte. Persistente, foi reprovado oito vezes antes de ingressar nas divisões inferiores do São Paulo Futebol Clube, mas, em 1989, iniciou uma carreira de sucesso.

Atualmente defende o Milan, na Itália. Titular da camisa 2, capitão da Seleção Brasileira, está em sua quarta Copa do Mundo e pode ter a honra de ser o primeiro jogador a levantar duas vezes a taça de campeão do mundo.

Fora do campo, também bate um bolão. É presidente da Fundação Cafu, uma entidade sem fins lucrativos que atende crianças carentes, do próprio Jardim Irene. No comando da instituição, seu irmão Maurício Evangelista de Moraes.


Amigos do Cafu, o começo de tudo

A idéia de criar uma fundação surgiu após uma partida beneficente, em São Paulo, organizada pelo próprio jogador. "O time Amigos do Cafu jogou contra um outro formado por artistas. A entrada era um quilo de alimento. O sucesso foi tão grande que ele quis algo maior", conta Maurício.

No mesmo ano, 2001, no bairro Jardim Irene, surgia a Fundação Cafu. "De imediato, a aceitação da comunidade foi enorme. Tivemos 2.100 crianças inscritas em apenas três dias; meninos e meninas cujos pais estão desempregados ou ganham até um salário mínimo por mês."


Aulas, atividades e assistência médica

Claro que nem todas puderam participar. "No começo, atendíamos 50 crianças, de 7 a 14 anos, por mês. Hoje, já são 400. Elas assistem aulas de informática, inglês, reforço escolar, artesanato, participam de jogos de matemática, praticam esporte, fazem passeios programados e têm acesso ao serviço dentário.” Na última grande campanha de prevenção e acompanhamento médico, atendemos 508 crianças.

“Além disso, temos uma centena de mães matriculadas no curso de cabeleireira. Nossa biblioteca comunitária recebe 2700 visitas por mês. No acervo, cerca de 3200 títulos. Além dos livros, há também fitas de vídeo infantis.” Em abril deste ano, foi inaugurado mais um grande projeto, a brinquedoteca, para uso de todas as crianças da comunidade. As crianças adoram ficar aqui. Se pudessem, viriam pela manhã, à tarde e à noite. Algumas mães nos disseram que, nas férias, os filhos preferiam não ir para a casa da avó ou da tia para poder freqüentar a Fundação", conta, orgulhoso, Maurício.


Seleções do futuro

A Fundação Cafu utiliza o esporte e as atividades artísticas para estimular o raciocínio e a criatividade das crianças e adolescentes. Para isso, eles são divididos em dois grandes grupos: 7 a 14 anos, chamado seleção verde, e 15 a 17, seleção amarela. Os programas são Toque de classe (acompanhamento e reforço de aprendizado), Dez na escola dez na bola (práticas esportivas) e Jogando com arte (atividades artísticas, música, teatro, dança, artes plásticas e expressão corporal).


Mudanças positivas na comunidade

Jardim Irene é uma das comunidades mais carentes e violentas de São Paulo. Mas, esse quadro, aos poucos, começa a mudar. "As crianças atendidas por nós estão bem mais compreensivas e, sobretudo, com esperança de um futuro melhor. Até a violência diminuiu. Damos a chance de serem alguém na vida. Oferecemos espaço e condições para desenvolverem a criatividade."

A Fundação Cafu funciona num prédio com 2100 m2 de área construída, tem 12 funcionários e recebe o apoio de empresas privadas. "O Cafu também nos ajuda muito, seja realizando jogos beneficentes ou doando parte do cachê que ganha em comerciais. Além disso, recentemente, realizamos um leilão com alguns veículos que ganhamos". Mas a colaboração pode ser maior ainda. "Qualquer pessoa que queira contribuir com a Fundação, só precisa acessar nosso site (www.fundacaocafu.org.br) e ler as informações. Se cada um fizer um pouquinho, dá para mudar muita coisa."


Trabalho em família

Além de Maurício, o pai, Célio, a mãe, Cleusa, e o outro irmão, Marcelo, administram a instituição. Cafu mora na Itália com a família: a mulher Regina e os filhos Danilo, 17 anos, Wellington, 15, e Michele, 13. "Toda vez que ele vem ao Brasil, visita a Fundação."

"Educação, cultura, esporte, lazer, saúde, uma boa alimentação e amor são ingredientes fundamentais para crescer feliz", diz Maurício. "Não existe preço para o sorriso de uma criança", acrescenta.







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