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Osteopatia. Ou a medicina manual

“Antes de praticar exercícios para manter a forma ou mesmo copiar uma forma física que não é a sua, é preciso escutar o próprio corpo, reconhecendo e respeitando sua linguagem, seus limites, sua grafia. Dessa maneira, a beleza do próprio corpo, que é só sua, poderá ser inteligentemente escrita, tomando-se por base a visão única do corpo interligado por ossos, tendões, músculos, membros, movimentos e, principalmente, sentimentos.”

Assim Lucia Leibel Swartzman e Nilza Elayne Leiria de Castro, definem o conceito de seu trabalho, expresso, ainda nos livros: Grafia do corpo e Bico de papagaio e outros bicos. No primeiro, as autoras lembram não ser apenas a ginástica mal orientada que nos deforma. “O que mais atrapalha a conquista de um corpo harmonioso são pequenos, sistemáticos e repetitivos gestos diários: o modo de pegar qualquer coisa no chão, de sentar, levantar, escovar os dentes, lavar a louça, estudar, assistir televisão, enfrentar filas, dirigir, trabalhar, caminhar, jogar bola. Toda atividade muscular é movimento, é gesto; e é o gesto que modela a nossa forma.”


Para ler e praticar

Sobre o segundo livro, resumem: “Bico de papagaio e outros bicos diz, de forma bem humorada e em linguagem coloquial, que não são só os bicos de papagaio que nos incomodam, mas também os bicos do sedentarismo ou, ao contrário, dos excessos, os bicos de anestesiar os sintomas, os bicos da incoordenação do movimento, o bico do desconhecimento da função dos ossos, das vísceras e, principalmente, o bico de não escutar o corpo quando este pede repouso.”


Desde pequeno

Qual o melhor momento para começar um tratamento osteopático? Logo ao nascer. Como na França, Itália, no Canadá e em outros países da Europa e América do Norte, o osteopata está na sala do parto, integrando a equipe médica que atende a grávida e seu neném. Nem tão jovem assim, a Osteopatia surgiu no final do século XIX, nos Estados Unidos. No Brasil, dá os primeiros passos. Para conhecer mais sobre sua teoria e prática, TOPBABY ouviu as fisioterapeutas e osteopatas Lucia Leibel Swartzman e Nilza Elayne Leiria de Castro.


TopBaby – O que vem a ser a Osteopatia?
Lucia e Nilza - Osteopatia é a medicina manual. Foi criada nos Estados Unidos pelo medico Andrew Taylor Still no final do século XIX. No Brasil, é uma especialidade de médicos e fisioterapeutas numa formação completa, com provas e estágios. Através de testes palpatórios, vamos avaliar a perda de movimentos ditos fisiológicos no corpo, que causa perturbações de ordens funcionais (gastrites, prisão de ventre, etc).

É um trabalho preventivo muito importante no que diz respeito a grávidas e bebês, tanto na posição da bacia da mulher para gerar o feto, quanto no nascimento, para assegurarmos uma boa disposição da coluna e do crânio do bebê. Assim, evitamos as escolioses idiopáticas e os distúrbios de comportamento.


TopBaby – Como é uma sessão de osteopatia?
Lucia e Nilza - O tratamento inicial constitui na avaliação de mobilidade do sistema músculo-esquelético, visceral e cranial. Depois disso, serão usadas técnicas especificas para cada caso. Por exemplo: um bebê que chora muito e, após passar por exame medico, nada for constatado, vamos avaliar se o crânio, que ainda é bem móvel, não está “impactado” devido ao parto, causando desconforto.


TopBaby – Como funciona a osteopatia na gravidez?
Lucia e Nilza - Na gravidez, o esquema de função da bacia é modificado, aos poucos, durante os nove meses. A forma osteopática de ajudar a gestante é promover uma boa relação entre os ossos de sua bacia e trabalhar com as estruturas do períneo, preparando-as para que na hora do parto haja flexibilidade com tonicidade. Eu sempre digo que um bom posicionamento neste período é fundamental para oferecer ao bebê uma melhor possibilidade de desenvolvimento, antes durante e depois do parto (cesáreo ou vaginal).


TopBaby – Este trabalho, então, vai facilitar o parto?
O parto é uma prova necessária e, às vezes, difícil, tanto para a mãe quanto para o bebê. Muitos fatores podem intervir na hora, seja no engate da criança, em sua descida pelo canal do parto ou, ainda, durante a passagem do rosto. As placas dos ossos de seu crânio são constituídas de tal maneira que podem ter o tamanho reduzido para permitir a passagem da cabeça pelo canal do parto. No momento do nascimento, há uma compressão nestes ossos que exige uma boa adaptação, dada pelas suturas entre os ossos (fontanelas).

Quando há excesso de tensão (se o parto for rápido ou, ao contrário, muito devagar), pode-se criar uma disfunção desses ossos em relação a sua mobilidade. Em conseqüência, o bebê poderá apresentar algum tipo de sintoma como: deficiência auditiva, distúrbios respiratórios ou digestivos, gripes de repetição, trocar a noite pelo dia, apresentar agitação, ficar com a cabeça molhada à noite pelo excesso de suor, etc.

Por tudo isso, já se recomenda que um osteopata seja integrado a equipe médica das maternidades como acontece no Canadá, França, Itália e outros países.


TopBaby – Quais os benefícios no pós-parto?
Lucia e Nilza - Até que as estruturas viscerais se re-organizem, a parturiente deverá fazer uma sessão de osteopatia geral e craniana para possibilitar uma melhor recuperação. Ou seja, trabalhar nos líquidos do corpo e na recuperação das tensões dos músculos, principalmente daqueles envolvidos no trabalho de parto.


TopBaby – Como funciona para os bebês?
Lucia e Nilza - Vamos reproduzir as palavras do osteopata M. Viola Frymann, que foi quem mais trabalhou com bebês, estudando 1250 casos, e que possui um centro de osteopatia infantil em San Diego/EUA. “As tensões músculo-ósseo que suportam o neonato durante o nascimento podem causar problemas por toda a vida. Reconhecer e tratar essas disfunções, no período que segue imediatamente o nascimento, representa uma das fases mais importantes, se não a mais importante da osteopatia dentro da medicina preventiva”.


TopBaby – Como tratamento para os bebês, vocês indicam a osteopatia em que casos?
Lucia e Nilza - Qualquer perda de fisiologia do organismo, seja músculo-esquelético, visceral ou cranial. Por exemplo, lombalgia, regurgitação, cólica, irritabilidade, má digestão, cefaléias (os bebês também tem enxaqueca !!!)


TopBaby – Existem contra-indicações?
Lucia e Nilza - As contra-indicações seriam fragilidade óssea, patologias tumorais, aneurismas e acidentes vasculares.


TopBaby – O tratamento causa alguma dor?
Lucia e Nilza - Geralmente não há dor nas manipulações. As manobras viscerais são geralmente muito bem apreciadas pelos pequenos bebês e crianças constipadas.


TopBaby – Como as mães podem avaliar se o filho precisa consultar um osteopata?
Lucia e Nilza - As mães são as pessoas mais indicadas para “sentir quando alguma coisa não vai bem” com o bebê. Devem observar se ele não gosta que toquem em sua cabeça; chora sem causa aparente; é muito agitado; dorme bem; respira com dificuldade pelo nariz. Em qualquer destes casos, devem conversar com o pediatra, para afastar qualquer causa física, e marcar consulta com um osteopata.


TopBaby – Qual o tempo mínimo para se perceber os benefícios?
Lucia e Nilza - Depende da capacidade individual da criança em se reestruturar. Nas mamães, também, que após o parto ficam com a bacia instável. Ao equilibrar as tensões em manobras bem delicadas, voltam a suas atividades normais rapidamente (salvo em casos de patologias estruturais, como hérnias de disco ou espondilolistese (defeito na articulação intervertebral), que necessitam de um acompanhamento mais intenso.

Uma criança entre cinco e seis anos, por exemplo, pode estar com a cervical alta mal posicionada, rodada desde o nascimento. Ao conseguirmos realinhá-la, o bem-estar é imediato.


TopBaby – Existe um número mínimo obrigatório de sessões ou depende de cada caso?
Lucia e Nilza - As alterações osteopáticas são funcionais. Então quando o bem-estar se instala, as sessões se espaçam. Ir ao osteopata, uma vez ao ano, é hábito nos países onde essa profissão já está estabelecida e divulgada. O acompanhamento da gestante e do bebê, após nascimento, é de suma importância para a prevenção de problemas posturais para ambos.


TopBaby – O que a pessoa pode fazer, em casa, como auxílio no tratamento?
Lucia e Nilza - Depois das sessões, recomenda-se repouso e aumentar o consumo de água; porém, o principal é reaprender a se movimentar com a postura adequada. Às vezes, após o parto, a mulher continua com a mesma postura dos nove meses que passou gerando seu tesouro.


TopBaby – A osteopatia pode evitar cirurgias?
Lucia e Nilza - Cirurgias são atos extremos que vem sendo evitados pelos médicos devido aos resultados nem sempre desejados. Prevenir acidentes posturais que nos levem, por exemplo, a destruir uma vértebra lombar, ou equilibrar o esôfago de um bebê recém-nascido para aliviar a regurgitação, são benefícios há muito tempo oferecidos pelos osteopatas do mundo todo e bem recebidos pelos médicos.


TopBaby – Para a própria segurança, como buscar o profissional certo?
Lucia e Nilza - No Brasil, somos poucos osteopatas diplomados. Indicamos procurar através do Instituto Brasileiro de Osteopatia.



Regina Protasio




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