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Elba Ramalho

Juntos há 11 anos, Elba Ramalho e o empresário Gaetano Lopes adotaram, recentemente, mais uma menina, Maria Esperança, com seis meses. A bebezinha veio juntar-se aos irmãos Luã, filho da cantora com Maurício Mattar, e Maria Clara, adotada há quatro anos. Aqui, Elba relembra sua gravidez, fala dos filhos e de sua, agora, sim, uma grande família.


TopBaby – Você, naturalmente, lembra da gravidez e do parto do Luã. Como foi?
Elba Ramalho – Claro que lembro. A gravidez foi tranqüila, querida e repleta de paparicos. Recebi muito amor e também tive muito cuidado com a alimentação. O Luã me surpreendeu, pois nasceu de oito meses. Mas, de parto normal e bem rápido, sem dor nem sofrimento.

Este é um grande momento para toda mulher. Para mim, então, teve algo a mais, já que aconteceu na minha terra, Paraíba, ao lado de amigos queridos como o mestre Luiz Gonzaga e Dominguinhos, além de outros parceiros da música. A cidade de Campina Grande comemorou seu nascimento com muita alegria e balões no céu. Foi uma noite de festa!


TopBaby – Ele foi um bebê tranqüilo? Dormia a noite toda?
Elba Ramalho – O Luã sempre foi muito tranqüilo, desde pequenininho. Até hoje, é bem sereno.


TopBaby – Você amamentou? Até quantos meses?
Elba Ramalho – Sim, até os nove meses. Como viajava muito, consegui uma ama-de-leite que assumia o posto na minha ausência.


TopBaby – Qual a idade do Luã?
Elba Ramalho – Está com 19 anos. Daqui a três meses vai completar 20.


TopBaby – Nessa idade, já independente, saindo sozinho, como você reage? Consegue dormir ou fica acordada até que ele chegue?
Elba Ramalho – O Luã é como todo jovem, que tem sua vida e suas particularidades. Mas não sai todos os dias, prefere ficar em casa durante a semana estudando violão. Nos finais de semana, sempre me comunica e traça seu roteiro antes. Às vezes, percebo que já é alta madrugada e ele ainda não voltou; então ligo para o celular e sempre sou atendida. Luã é calmo, não bebe nem usa drogas, dirige com cuidado e está atento aos acontecimentos trágicos dos jovens nas madrugadas. Ele já perdeu amigos de escola por isso.


TopBaby – Vocês conversam sobre drogas, álcool e outros assuntos importantes nessa idade?
Elba Ramalho – Na minha casa existe diálogo entre pais e filhos! Conversamos sobre tudo: vida, responsabilidade, obediência, necessidade de manter-se unido a Deus através da religião e de orações, abominações do mal que levam os indivíduos à ruína do espírito, respeito e amor à vida.


TopBaby – Como surgiu a opção de adotar crianças?
Elba Ramalho – Na impossibilidade de termos um filho por vias naturais, Gaetano e eu optamos pela adoção. Depois de muita reflexão e longas conversas, colocamos em prática e partimos para a luta. De minha parte, sempre sonhei em adotar uma ou mais crianças, disponibilizando meu amor maternal, educação e tudo o mais que compete a uma mãe.

Quanto a ele, seu desejo real, inicialmente, era ter um filho natural. Porém, não mediu esforços para a adoção, revelando-se um grande companheiro e excelente pai. O que difere um filho que nasce da barriga e um que nasce do coração? Quando tomamos decisões sérias na nossa vida, como enfrentar a morte de um ente querido ou uma separação, sofremos, mas superamos. Neste caso, não há perdas, só ganhos e vitória. Não há o que superar, apenas vivenciar a emoção de um grande feito, de uma realização.


TopBaby – Como foi o processo?
Elba Ramalho – Procuramos o órgão competente e demos entrada nos papéis, obedientes ao protocolo que pode levar anos. Após um ano de espera, começamos a visitar orfanatos em busca de uma solução mais rápida. Deu certo. Encontramos a Maria Clara, recém-chegada a um orfanato de São Paulo, a PIVI. Fomos, pessoalmente, até o juiz e requeremos aquela menina. Ela foi rejeitada por alguns casais, porque nasceu prematura e, segundo o pediatra, apresentava um quadro de saúde não tão favorável aos anseios normalmente exigidos.

Nossa princesinha estava lá há poucos dias, muito frágil e debilitada pelo abandono da mãe no ato do nascimento. Ela foi a primeira que vimos ao entrar na casa. Saímos com Maria Clara nos braços 15 dias depois, com apenas um mês de vida. O juiz nos deu a guarda, até que a mãe biológica fosse encontrada e pudéssemos finalmente requerer a adoção definitiva. Todo o processo durou quatro meses. O martelo foi batido a nosso favor, já no Rio de Janeiro, pelo atual desembargador, Siro Darlan, na época juiz da Vara da Infância e do Adolescente.


TopBaby – Há muita burocracia?
Elba Ramalho – Não; apenas um sério controle da lei no caso da adoção. Uma seriedade imprescindível para assegurar o futuro de tantos inocentes, muitas vezes vilipendiados pela sordidez humana, mal tratados e abandonados a toda dor. A lei protege, investiga, analisa e age. O entrave real é o tempo dessa ação que poderia ser mais rápido, já que há urgência nesse processo.

Crianças sofrem abandono, solidão e maus tratos enquanto casais bem-intencionados e futuros pais amorosos esperam durante anos por uma solução da justiça para por o bem em prática. Essa parte eu questiono bastante e como representante da ONG Bate Coração, que age em defesa da adoção e do bem estar dos menores, chamo a atenção para esta questão.


TopBaby – Qual o perfil da criança que vocês buscavam?
Elba Ramalho – Queríamos uma menina que tivesse entre algumas horas de nascimento a um ano. Não mudamos o perfil; apenas a rota de busca.


TopBaby – Vocês sofreram algum tipo de preconceito?
Elba Ramalho – Claro que sim. Muitas vezes, vindo de pessoas que nem imaginamos ser possível. Mas, isto não foi empecilho. Até porque o preconceito é algo nocivo e retrógrado. Cada cidadão deve ser livre para pensar e agir, e não pode sentir-se coagido diante de cerceamentos ou inibir-se frente a críticas e julgamentos vindos de quem quer que seja.


TopBaby – Qual a emoção de adotar uma criança?
Elba Ramalho – Muito especial! Foi como se estivesse parindo novamente. Tive ansiedade e até enjôos na véspera da vinda da Maria Clara. Fui tocada por um amor profundo, fiel e verdadeiro, a ponto de, uma semana depois, descobrir que estava cheia de leite e podia até amamentar.


TopBaby – Qual a idade da Maria Clara?
Elba Ramalho – A Maria Clara está com quatro anos e chegou em nossas vidas com trinta dias. É linda, inteligente, divertida e muito feliz!


TopBaby – E a bebê que vocês acabaram de adotar?
Elba Ramalho – É a Maria Esperança e tem seis meses. Como estamos apenas com a guarda provisória, não podemos falar muito, mas estamos bem felizes!


TopBaby – Você tem um filho biológico. A sensação de ser mãe adotiva é muito diferente?
Elba Ramalho – O processo é outro, mas há o sentimento de amor e compaixão tão profundo que mexe com a gente.


TopBaby – Vocês pretendem contar a verdade para as duas?
Elba Ramalho – Já começamos a explicar a história para a Maria Clara, mas ela ainda é pequena. Devemos ser pacientes e perseverantes nessa hora. Esperar o tempo mais oportuno para ir semeando a verdade, sempre com muito amor!


TopBaby – Se suas filhas quiserem conhecer os pais biológicos, como será para vocês?
Elba Ramalho – Vamos ajudá-las a procurar. Estaremos presentes em suas vidas em todos os momentos, de alegria ou de dor; este é nosso papel.


TopBaby – Em algum momento você e Gaetano tiveram medo?
Elba Ramalho – O medo é um inimigo ferrenho. Trava, inibe, pré-julga, enfraquece nossa consciência. Respondo também por Gaetano, tão destemido quanto eu: medo, jamais! Se decidimos pela adoção, por que temer? Confiamos também na providência divina, e nas suas mãos entregamos nossa vida e a de nossos filhos.


TopBaby – O que só os pais de filhos adotados são capazes de sentir?
Elba Ramalho – O amor verdadeiro, que todos os seres humanos deveriam sentir uns pelos outros, independente de laços de sangue, credo ou raça. O mundo não seria bem melhor?



Danielle Mora




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