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Motivos não faltam para que ele esteja lá. Não porque, normalmente, é quem fotografa o nascimento do bebê ou porque sua mulher gostaria muito de tê-lo por perto num momento tão especial, mas, sobretudo, porque este homem é o feliz e superorgulhoso pai da criança. E se antes, somente lhe cabia, além de distribuir charutos, ficar na recepção do hospital, roendo todas as unhas e abordando cada enfermeira com a clássica pergunta: Nasceu?, hoje, ele é convidadíssimo a participar do grande evento que acontece na sala de parto.
Grávido sim, por que não?
Até chegar aí, o futuro papai esteve presente nas consultas de pré-natal, nos exames, ouviu o coração do bebê no consultório do obstetra, vibrou com as imagens das ultras-sonografias e aprendeu tudo sobre parto, troca de fraldas, banho, cuidados gerais com o recém-nascido. Mesmo assim, nada garante que ele não entre em pânico e pense duas, três vezes antes de vestir a típica roupinha verde e acompanhar o nascimento de seu filho.
Segundo os médicos, quanto mais o homem participou da gravidez e se informou sobre o assunto, mais estaria preparado para enfrentar a sala de parto. A maioria deles, porém, não se encaixa neste perfil, o que também não significa que alguns não possam surpreender e se mostrarem absolutamente à vontade na hora.
Marido nervoso não entra
Apesar de tantas pressões em casa, na família, etc , o homem tem todo o direito de não querer assistir o parto. Muitos obstetras preferem mesmo que seja assim, se ele não se sente seguro e preparado, se acha que vai desmaiar só de ver sua mulher em posição de dar à luz. Neste momento, em que ela precisa de total tranqüilidade (e a equipe médica também) melhor que o futuro papai espere, calminho, no quarto pela chegada do bebê.
Só se ele tiver vontade mesmo
Até os anos 80, o parto - normal ou cesariana - era considerado um procedimento cirúrgico e, como tal, com acesso restrito à equipe médica. A partir daí, com a idéia do parto natural (cócoras, banheira, domiciliar, etc), a presença do pai passou a ser quase uma obrigação, muitas vezes, induzida pelo obstetra, o pediatra e pela própria mídia.
Acontece que tudo tem um limite. Em primeiro lugar, deve valer a vontade da mãe. Algumas se sentem mais seguras com a presença do marido, outras, não; acham que o companheiro é ansioso e pode até passar mal. Existem, ainda, as que eu chamo de influenciáveis: aquelas que, porque o marido da amiga participou, querem que o delas participe também.
É preciso que o obstetra avalie cada caso. Se o parto envolve algum risco, se o pai está preparado para lidar com uma situação inesperada e, acima de tudo, se ele tem mesmo vontade de assistir o nascimento do filho ou se apenas está sendo levado por um modismo.
Para o bebê, não creio que a presença paterna traga alguma vantagem. O mais importante é que o recém-nascido seja colocado, ainda chorando, na barriga da mãe. Lá, ele terá o conforto de sentir a mesma temperatura e ouvir o mesmo som dos batimentos cardíacos da vida intra-uterina. Tudo isso faz com que pare de chorar imediatamente.
Quanto ao pai filmar e/ou fotografar o parto, depende. Se for para registrar algumas cenas, não há inconveniente. Não concordo, porém, com a filmagem de todo o procedimento. Essa movimentação na sala de parto, atrapalha a equipe e coloca em risco os cuidados de esterilização do equipamento cirúrgico.
Carlos Dale, ginecologista e obstetra
Um direito e, acima de tudo, um dever
Mesmo antes dos anos 80, quando a presença do pai na sala de parto tornou-se moda, eu já pensava que era não só um direito, como um dever. A experiência, única e intransferível, é tão importante, que somente circunstâncias especialíssimas podem impedi-la.
A figura do homem andando e fumando no corredor do hospital, enquanto seu filho nasce, já está ultrapassada. É fundamental sua participação ativa durante o trabalho de parto, desde que ele tenha sido preparado, junto com a mulher, nas consultas do pré-natal.
Minha experiência mostra que a gestante quer, sim, o pai do seu filho por perto. Quando ela escolhe um companheiro para conviver e dessa união nasce uma criança, como não gostar de tê-lo ao seu lado, neste momento maravilhoso?
A vivência do parto, junto com a mulher, ajuda o homem no aprendizado, iniciado durante a gestação, de ser companheiro. Como companheiro, auxiliando em possíveis momentos difíceis, massageando a região lombar para aliviar as contrações, incentivando ou confortando-a com uma palavra amiga.
As vantagens para o bebê imensas. As imediatas, mais indiretas, quando o pai está ali presente, ajudando a mãe a trazê-lo ao mundo. Tornam-se diretas quando ele embala o recém-nascido e lhe dá o primeiro banho. Esta imagem - que o homem jamais esquecerá - potencializará o amor que, neste momento, se instalou entre eles. Amor: que melhor presente um filho pode receber?
Não sou contra filmar ou fotografar o parto. Além da informação verbal que o pai passará ao filho por ter assistido e ajudado no seu parto, a documentação, com fotos e filmagem, possibilitará a comprovação futura de todo esse acontecimento mágico.
Dr. Antonio Carlos de Oliveira, homeopata, ginecologista e obstetra
Uma presença que faz muito bem
Vejo a presença do pai na sala de parto como um movimento natural, considerando o papel masculino no relacionamento a dois. O homem também começou a ir à consulta pré-natal, a trocar fralda, fazer mamadeira, etc. Não acredito em modismo, mas em uma evolução na integração do casal.
Acho esta presença sempre benéfica, desde que a equipe médico-hospitalar contribua para criar um ambiente amigável e integrado entre todos. É preciso conversar com o futuro pai, explicar o que pode e o que não pode ali dentro como, por exemplo, não encostar na cama ou no material cirúrgico, por causa da contaminação. Muitas vezes, é com ele que o obstetra conta para acalmar a gestante, conversando e incentivando-a com palavras carinhosas.
Acredito que quando o relacionamento do casal vai bem, a mulher deseja, realmente, que o homem vivencie, junto com ela, esse momento tão importante para a vida de ambos. Além de compartilharem juntos a chegada do bebê, a presença física do companheiro costuma trazer segurança para a grávida, que se sente mais protegida. A integração do pai com a equipe transmite maior tranqüilidade à mulher, devido ao ambiente familiar que se forma ali, na sala de parto.
Como obstetra, entendo que a vantagem virá no futuro, quando a criança entender que o pai estava presente no momento de seu nascimento (através de relatos e fotos), estreitando, então, seus laços efetivos com ele.
Acredito que o registro do nascimento - por foto ou vídeo - principalmente quando é feito pelo pai, torna-se muito importante na formação da história da criança. Cabe à equipe médica orientá-lo para que ele aprenda a se deslocar na sala de parto, não esbarrando em nada e nem interferindo no trabalho dos profissionais. Normalmente, isso acontece sem problemas.
Maria Belaniza B. Campos, ginecologista e obstetra
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