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Infertilidade masculina

Um assunto que até bem pouco tempo não se falava: infertilidade masculina. Mas ela é a responsável por 40% dos diagnósticos entre os casais com dificuldades de engravidar.

Segundo os médicos, o casal infértil é aquele que consegue conceber após, pelo menos, um ano de tentativas regulares, no período correto e sem uso de qualquer método anticoncepcional. "Quando isso acontece, o ideal é procurar um médico e iniciar as investigações. Um urologista, com especialização em infertilidade, pode ajudar muito", explica o Dr. Marcello Valle, especialista em reprodução humana da Clínica Origen e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


Investigação cuidadosa

Na consulta com o urologista, você deve dizer se foi (ou é) portador de alguma DST (Doença Sexualmente Transmissível), se sofre de diabetes, hipertensão arterial ou caxumba. E, também, contar sobre seus hábitos: se fuma, ingere bebidas alcoólicas, drogas ou anabolizantes, a freqüência das relações sexuais e características da ereção e ejaculação.

Em seguida, o médico fará um exame físico, em que vai observar as condições do pênis e avaliar, entre outros aspectos, a presença de anomalias. Dependendo, poderá solicitar alguns testes, entre estes:

Espermograma – o sêmen é coletado depois de um período de abstinência de, aproximadamente, cinco dias. Serão investigados o aspecto, volume (o ideal é de 1,5 ml a 5 ml), odor, a viscosidade, cor e concentração (mais de 20 milhões/ml). O exame detecta, ainda, a capacidade de movimentação dos espermatozóides e sua morfologia, para verificar anomalias na cabeça, corpo e cauda


Os exames

Espermograma –  pode ter uma variação de amostra para amostra. O tempo de abstinência sexual antes da coleta, o método utilizado e a maneira como o laboratório analisa o material podem influenciar no resultado.

Teste de penetração espermática – avalia a capacidade dos espermatozóides de penetrar no muco cervical.

Ultra-sonografia do testículo com Doppler – detecta, entre outros aspectos, a presença ou não de varicocele, dilatação anormal das veias que drenam o sangue do testículo.

Teste pós-coito (TPC) – exame feito na mulher poucas horas após a relação sexual. Mostra se os espermatozóides estão passando pelo canal cervical.


O que eles revelam

Indispensáveis para um diagnóstico correto, os exames que avaliam os espermatozóides podem indicar: um baixo número (oligospermia); ausência (azoospermia), talvez devido a alguma obstrução; pouca mobilidade. Neste caso, eles não conseguem nadar através do colo uterino para encontrar o óvulo na trompa de Falópio; formato inadequado, o que dificulta a capacidade de perfurar a camada externa do óvulo.


Principais causas da infertilidade masculina

Alteração na motilidade dos espermatozóides.
Estilo de vida: homens que ingerem bebidas alcoólicas, drogas ou anabolizantes.
Azoospermia: ausência de espermatozóides.
Homens submetidos à quimioterapia ou radioterapia.
Vasectomia: a cirurgia de reversão nem sempre dá um bom resultado. Vai depender da idade do homem e de quanto tempo se passou da esterilização: após cinco anos, as chances de sucesso na reversão são de 75%; em 10 anos, diminuem para 25%.
Distúrbios imunológicos ou endócrinos.
Alteração genética.
Varicocele.


Tratamentos indicados

A varicocele é a causa mais comum de infertilidade masculina: atinge mais de 40% dos homens com dificuldades de terem filhos. "A cirurgia, nesses casos, não apresenta bons resultados, em termos de fertilidade. Comprovadamente, não há melhoras na concentração de espermatozóides", explica o Dr. Marcello. "Também nenhum tratamento, até hoje, se mostrou eficaz para melhorar a qualidade e quantidade dos espermatozóides."

Com o diagnóstico em mãos, o médico, provavelmente, irá indicar um tratamento de reprodução assistida. Os mais comuns são a inseminação artificial, fertilização in vitro e a ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide), indicada quando a quantidade de espermatozóides é muito baixa ou ausente na ejaculação.



Lilian Luz




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