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Um tempo para o resguardo

O bebê acabou de nascer. Ainda no hospital, começam os cuidados pós-parto. Nos próximos dias, muitas (e repentinas) mudanças físicas. O corpo, que estava bastante acima do peso, começa a voltar ao normal. E não é só. Medos e contradições afligem a recém-mamãe. De um lado, a alegria pela chegada do neném. Do outro, insegurança e necessidade de atenção, principalmente por parte do marido.


Metabolismo alterado

Nos primeiros dez dias, é comum queixar-se de muito cansaço: ou pelo esforço, no parto normal; ou pela recuperação da cesariana. Nesse caso, você pode sentir, ainda, dores na região do abdômen inferior e ao redor do corte cirúrgico.

O intestino costuma ficar mais lento e acumular gases, provocando um certo inchaço na barriga, que só melhora quando a mulher consegue fazer cocô. Nas primeiras vezes, ela pode sentir um pouco de dor e também de medo que os pontos rompam, com o esforço. Para auxiliar, recomenda-se ingerir alimentos ricos em fibra, frutas como mamão, ameixa e laranja, além de beber bastante água (dois litros por dia).


O movimento do útero

Quando o bebê suga o seio de sua mãe para mamar, o útero se contrai. De início, ela costuma estranhar, mas esse movimento é que vai contribuir para o abdômen voltar – ou pelo menos aproximar-se – do que era antes do parto. Até o final do primeiro mês, diminuindo cerca de um centímetro por dia, o útero também retorna ao seu tamanho original.

Logo após o parto, vem um sangramento no tom vermelho vivo (chamado de loquiação), muito parecido com a menstruação, e que dura, em média, cinco dias. A partir daí, escurece um pouco e diminui de volume, até desaparecer por completo, em geral, entre 30 e 40 dias, mas varia de mulher para mulher. Caso ocorra febre, mau cheiro ou secreção purulenta, melhor avisar o médico; pode ser sinal de alguma infecção.


Colostro e leite materno

A partir do quinto mês de gestação, a mulher começa a produzir o colostro, que será o primeiro alimento do bebê quando ele nascer. O leite, propriamente dito, só aparece dois ou três dias após o parto. O colostro é supernutritivo e muito importante para o desenvolvimento da criança.

Para facilitar a amamentação:
 Evite passar óleos ou cremes nas mamas;
se usar absorvente de seio, troque-o com freqüência, pois a umidade pode causar rachadura;
use sutiãs próprios para a amamentação, que são mais firmes;
aproveite o tempo no hospital para esclarecer, com seu médico e as enfermeiras, todas as dúvidas sobre amamentação.


Cinta, uma grande aliada

O uso de cinta abdominal no pós-parto, principalmente para quem fez cesárea, ajuda na estética e na recuperação, além de aliviar a dor e dar mais segurança à mulher. O melhor: não tem qualquer contra-indicação.


Sexo: tudo normal

A vida sexual retoma normalmente assim que o obstetra liberar, o que deve acontecer de 30 a 40 dias após o parto. A libido, provavelmente, estará em baixa. Um misto de medo de se machucar e de cansaço, pelos cuidados com o bebê. Ao mesmo tempo, a vagina está mais ressecada devido às alterações hormonais. Com calma, vocês encontrarão o tempo certo e a melhor maneira de voltarem a namorar.

Atenção!
Durante a amamentação é possível, sim, engravidar. Se não é o seu desejo, converse com seu médico sobre o melhor contraceptivo para essa fase.



Aspectos psicológicos

As mudanças na rotina, a insegurança e o cansaço alteram a sensibilidade da mulher. Mãe e bebê estão aprendendo a se conhecer, a lidar um com o outro. Natural que surjam sentimentos opostos na mulher: a alegria pelo nascimento do filho tão esperado junto com a ansiedade e o desconforto físico. Neste momento, a compreensão do parceiro é importantíssima.

O neném precisa de atenção. Não tente fazer tudo sozinha: peça ajuda à empregada, sua mãe, sogra, aos familiares disponíveis, sempre que achar necessário. E não deixe de reservar um tempo para você – e seu companheiro, é claro.



Lilian Luz
Consultoria: Dr. Roberto Buenfil de Faria, obstetra




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