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Ela está tão deprimida! Estamos, é claro, nos referindo àquela amiga que anda meio quieta demais, caladinha, de
baixo astral. O que está acontecendo com ela não é uma raridade. Ao contrário, a depressão é uma doença que atinge mais de 20% da população mundial, na proporção de três mulheres para cada homem. Afeta todo o organismo e seus efeitos todos nós conhecemos: desânimo, incapacidade de ação, pessimismo, sentimentos exagerados de culpa. Há, ainda, sintomas físicos, como dores de cabeça e distúrbios digestivos, que não cedem sob a ação de remédios.
O que ocorre é uma queda no nível de certas substâncias - os neurotransmissores - produzidas pelas células do sistema nervoso. Estas substâncias (serotonina e neo-adrenalina, entre elas) são responsáveis pelo transporte de mensagens entre os neurônios. A queda de seus níveis prejudica a transmissão de impulsos nervosos, alterando o humor e, além disto, as atividades motoras e mentais.
Depois do parto
Mas o que teria isto a ver com a festa que cerca o nascimento do bebê? A família inteira só falta explodir de
alegria e, em muitos casos, a mamãe não está em sintonia com o clima geral. Mostra-se angustiada, insegura, sensível demais, chorando sem motivo.
Ela está feliz com a chegada do filho, sim. Por outro lado, tem medo de falhar como mãe, em suas novas (e não poucas!) responsabilidades. Pode estar, ainda, um tanto decepcionada, porque o bebê não era bem como imaginava.
A estrela da gravidez cede o lugar ao recém-chegado que mobiliza todas as atenções. Resultado? Uma considerável carência afetiva. Para completar, seu corpo passou por transformações profundas no parto e apresenta algumas dificuldades de se adaptar à nova fase.
Os norte-americanos chamam de baby-blues. Entre nós, o quadro, típico desta fase, é conhecido como depressão pós-parto. Deve passar naturalmente, mas nem por isso devemos negar o sofrimento que provoca. Ou ignorar a ajuda que podemos dar à nova mamãe, até que tudo volte ao normal. Antes, no entanto, é bom rever o que sabemos sobre o assunto, cercado de tantos mitos.
Está errado!
Depressão pós parto é uma forma de chamar a atenção para si
Longe de ser um comportamento caprichoso e intencional, a depressão merece ser vista como uma doença bastante comum entre mulheres que deram à luz. Apesar de passageira, exige que a encaremos com seriedade, ficando atentos aos cuidados necessários.
É mais comum entre as jovens mamães
Nada disso. Como qualquer outro tipo de depressão, atinge mulheres de qualquer idade.
A cada novo parto, a depressão se repete
A afirmativa é falsa. Há mulheres que sofrem de depressão apenas depois do primeiro parto. Outras passam por isso no segundo ou no terceiro. É claro, existem também as que desconhecem o problema. Depende de muitos fatores: a predisposição natural e, ainda, as circunstâncias de sua gravidez, como vai o relacionamento com o companheiro, situação financeira, etc.
A mãe se sente sem energias e triste, mas nem por isso rejeita o bebê
Infelizmente, não é assim. Vendo-se sem forças e incapaz de cuidar do filho, ela pode se negar, inclusive, a amamentá-lo. Esta rejeição é um dos grandes riscos.
Já que é superada naturalmente, melhor esperar que a depressão passe
Muitas vezes, a ajuda de um psicoterapeuta torna-se valiosa. Cabe a este profissional fazer o diagnóstico correto do distúrbio e resolver como tratá-lo. Nunca se deve tomar antidepressivos por conta própria, sobretudo em fase de amamentação. Este tipo de medicamento tem sérios efeitos colaterais.
Isso é certo:
A depressão pós-parto é mais freqüente quando há histórico da doença na família. Ou para quem já apresentava quadros depressivos antes. Em geral, as mulheres que vivenciam este sentimento depressivo após o nascimento do bebê têm alguns pontos comuns: são perfeccionistas, ultra-sensíveis e se sentem rejeitadas com facilidade. Some-se a isso as inseguranças com a chegada do novo habitante da casa. O sintoma pode ser um sinal, também, do quanto você precisa de ajuda. E de muito carinho também.
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