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Bonito, saudável, tão esperado, o bebê chega, enchendo a casa de alegria. E tudo vira de pernas para o ar: mamãe permanece ocupada 24 horas por dia, a geladeira fica vazia (cadê tempo para o supermercado?), as avós circulam sem parar, o neném chora porque quer o peito, porque tem cólicas, porque não consegue dormir...
Será que todos são exigentes assim?, pergunta-se o pai, aflito.
Com o bercinho ao lado da cama e simplesmente exausta, tentando dar conta de suas mil e uma tarefas, a companheira não consegue pensar em sexo. Vale dizer que este desinteresse temporário tem causas físicas também. O hormônio chamado prolactina, responsável pela produção do leite, ocasiona uma diminuição da libido. Muitas mulheres devem ainda esperar a cicatrização dos cortes da cesariana ou do parto normal e a volta do útero ao tamanho de antes. Só a partir daí, o obstetra indica o recomeço da vida sexual.
Não raro, a mulher de corpo malhado está acima do peso e com suas formas indefinidas pela barriga, antes tão volumosa. Há, inclusive, quem argumente que é impossível se sentir sexy e pronta para fazer amor, quando o peito vaza, os mamilos doem e o recém-nascido reclama seus direitos.
Sua majestade, o neném
Por tudo isso, o pequenino tão frágil e carente de atenção pode ser sentido como um invasor todo-poderoso. Diante desta nova dupla apaixonada que se formou, papai corre o risco de se sentir excluído, abandonado, esquecido. E, neste caso, costuma dar o troco: fica ressentido, emudece ou se irrita com qualquer coisa.
Sem dúvida, a chegada de um filho representa um momento delicado para o casal. Afinal, é uma terceira pessoa que se interpõe na antiga vida a dois, trazendo com isso enormes mudanças. A mãe se mostra menos assustada. Afinal, ela já convivia, intimamente, com este bebê, trazendo-o na barriga. Por mais que o homem participe da gravidez, porém, o sentimento de paternidade só aflora depois do nascimento, quando entra em contato direto com o ser que gerou.
Agora, o triângulo
O primeiro passo é reconhecer que o desafio existe, sim, e para todos. Mas também que existem meios de vencê-lo com mais facilidade, estando unidos. Quem disse que o papai não sabe ninar ou que é incapaz de consolar e trocar fraldas? Ou ainda que não conseguirá um jeito próprio e muito eficiente! de dar conta destas tarefas?
Bebês exigem atenção total. Se ambos estiverem mobilizados para atendê-lo, o pai, desde o início, sentirá o bebê como
seu. E não apenas da mulher, como se o estivessem deixando de fora. Quanto à mãe, não deve exagerar nos cuidados e preocupações com o filho, a ponto de esquecer um outro papel assumido, aliás, anteriormente: o de companheira.
Importante é compreender que tudo mudou, não cruzar os braços e ter paciência. Vencidas as primeiras semanas, o neném passa a ter horários, a mãe vai se sentindo mais segura para cuidar dele, o vínculo com o pai se fortalece e... ciúmes e problemas ficam para trás. Mais tarde, lá no futuro, estes dias turbulentos serão lembrados com carinho. E, quem sabe, até com uma pontinha de saudade?
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