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Mais tempo para seu filho

Muito sem cerimônia, o bebê chega em nossas vidas, remexe com os nossos sentimentos, inaugura uma nova fase, extremamente rica. Simplificando: nunca mais seremos os mesmos que éramos, antes do anúncio de sua chegada. 

Em seu berço, tão pequenino, parece disposto a ser ouvido, a se comunicar. E tem meios para isto. Chora para pedir o que quer, como faz também para dizer o que não quer. Aos poucos, os pais vão decifrando esta linguagem. Breve, abandonarão a idéia de que o choro significa, inavariavelmente, impaciência ou sofrimento, quando pode ser um simples pedido de silêncio, de calor e aconchego. 

Esta percepção será fundamental para a estruturação de sua personalidade: as pessoas que eu amo estão comigo, percebem minhas necessidades e são sensíveis aos meus apelos. Ordem e higiene na casa, quem disse que não importam? Mas o neném precisa de muito mais do que fraldas limpas e papinhas bem preparadas. Tem necessidades emocionais como de afeto, carinho, colo e da presença querida dos pais. 


Qualidade do tempo

Muito se tem falado na qualidade das horas dedicadas ao bebê. O tempo passado junto com os pais, todos os dias, é fonte de enriquecimento e prazer para ele. A repetição das tarefas cotidianas – banho, seio, higiene, colinho para dormir – transmitem bem-estar e a segurança de encontrar a satisfação de suas necessidades. No futuro, esta criança abastecida de afeto, será capaz de tolerar as ausências maternas e enfrentará melhor as inevitáveis frustrações da vida. 

Vale afirmar o mesmo em relação a papai e mamãe. Brincar com o filho, curtir suas gracinhas e descobertas, dar comida, contar historinhas ou cantar para que adormeça...Existe algo melhor?

Não se trata de exclusividade. Afinal, o tempo, depois de uma jornada de trabalho, costuma ser o único que sobra para um banho reconfortante, o bate-papo com amigos, a convivência do casal, o livro que tanto se quer ler... Um certo equilíbrio, saber dosar múltiplos interesses e necessidades, eis o segredo.


Quantidade também!

Vamos imaginar que a mãe sai às 7h da manhã e só volte às 9h da noite, diariamente. Os motivos são razoáveis. Depois do escritório, foi a um aniversário. No dia seguinte, havia o curso de inglês. No outro, o cineminha e por aí vai. Afinal, ninguém é de ferro! 

Mamãe, é claro, tem absoluta certeza de que voltará, apesar de um pouco mais tarde. Para o neném, no entanto, isso pode representar uma espera interminável. Maiorzinho, ele sentirá falta, mas já terá vivenciado muitas destas saídas para o lazer e o trabalho. Entende o que significam e consegue aguardar, com mais tranqüilidade, o esperado retorno.

Antes, porém, necessitará de continuidade, de referências fortes, para se organizar em um mundo ainda desconhecido.


Há muitas soluções

O ideal, nos primeiros anos, é que pais e bebê permaneçam juntos, tanto quanto possível. A mãe dá um jeito de vir almoçar em casa. Papai sai um pouco mais tarde para o escritório, enquanto ela opta por chegar e sair mais cedo do trabalho. As saídas noturnas ficam para depois de deixar o filho dormindo... Fórmulas não existem. Com boa vontade e criatividade, cada família encontra o seu próprio caminho. 

O esforço é grande mas compensa. Breve, mais do que você imagina, o seu pequeno crescerá, ficará independente, dono de programas próprios. E o bebê que deseja colo e muita companhia deixará boas lembranças. E saudade destes tempos de agora.



Sylvia Leal
Consultoria: Jacirema Ferreira, psicanalista. Mestre em Psicologia Clínica pelo Instituto de Psicologia da USP/SP




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