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Marisa Monte


Com 19 anos, depois de um contato com o mundo da ópera na Itália, desistiu do canto lírico e logo se tornou uma grande sensação no mundo musical brasileiro: com 19 anos estreiou seu primeiro show profissional em um jazz bar, foi recebida entusiasticamente pela crítica e pelo público e poucos meses depois lotava grandes teatros em todo o Brasil, sem ter sequer um disco gravado, sem tocar no rádio, sem aparecer em televisão. Rapidamente Marisa se tornou um cult tanto entre o público mais jovem de rock como entre o público mais adulto de jazz e MPB. E foi a primeira cantora brasileira a ter um especial de televisão - dirigido por Nelson Motta e Walter Salles (o diretor de "Central do Brasil") - antes mesmo de ter um disco. Foi também uma das raras jovens artistas a gravar o seu primeiro disco ao vivo, "MM", com um repertório que integrava samba, jazz, funk, blues, bossa nova e rock, diversas gerações musicais. Emplacou espetacular sucesso nacional com "Bem que se quis", versão brasileira de uma canção do italiano Pino Daniele, foi saudada como a grande revelação do ano e vendeu mais de 500 mil discos no Brasil, disco de platina. Foi o primeiro de uma série: todos os seus discos seguintes repetiram e aumentaram a performance.

Se em seu primeiro disco Marisa fez sucesso como uma cantora "eclética", como uma intérprete versátil que imprimia seu estilo e personalidade a grandes canções de gêneros musicais diversos entre si, já em seu segundo álbum, "Mais", mostrou suas primeiras musicas em parceria com Nando Reis e Arnaldo Antunes e afirmou-se também como compositora de grande talento. Emplacou tanto um grande sucesso popular com "Beija eu" como recebeu unânimes criticas positivas sobre a qualidade de seu trabalho autoral, participando também ativamente na produção do disco, junto com Arto Lindsay. De seu disco participaram grandes músicos internacionais como Riuychi Sakamoto, John Zorn e Mark Ribot. E Marisa começou sua carreira internacional, fazendo pequenos shows nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, recebendo criticas consagradoras e se afirmando como a grande cantora brasileira de sua geração e uma das com maiores chances de se tornar conhecida e aplaudida fora do Brasil: pela qualidade de sua musica, pelo vigor criativo de suas apresentações, pela diversidade de seus ritmos e gêneros - que mostram a diversidade racial e musical brasileira.

Em seu terceiro álbum, "Cor de Rosa e Carvão", aprofundou-se ainda mais na integração das novas formas e ritmos brasileiros com modelos musicais clássicos de samba, jazz, blues e funk, ampliando suas parcerias musicais com Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes e Nando Reis, tendo Laurie Anderson e Philip Glass como convidados e participando ainda mais ativamente da produção, com Arto Lindsay.

Tanto em seus discos como em shows, Marisa nunca fez concessões artísticas de qualquer ordem, sempre cantou o que quis, como quis, com quem quis e quando quis. Cercou-se sempre de grandes músicos e renovou constantemente seu repertorio. Avessa ao mundo das celebridades, mesmo sendo uma das artistas mais populares do Brasil, Marisa leva uma vida discreta no Rio de Janeiro ou viajando pelo Brasil e pelo mundo, a cada novo disco, quando fala sobre seu trabalho, comenta sua carreira e discute suas idéias.

Seu quarto trabalho, "Barulhinho Bom", foi ainda mais pessoal e não menos elogiado, atingindo rapidamente meio milhão de cópias vendidas no Brasil. Um álbum duplo, com um disco ao vivo e outro em estúdio, com musicas inéditas e regravações, com uma aproximação ainda maior com o mundo do samba carioca, em suas diversas escolas e gerações, dos velhos sambistas da escola de Samba Portela ao samba pop dos Novos Baianos. Com este show Marisa participou dos maiores festivais do verão europeu e recebeu grandes platéias e criticas elogiosas nos Estados Unidos e no Japão.

Em seguida Marisa afirmou-se como produtora, assinando o elogiado "Omelete Man" de Carlinhos Brown, saudado por sua modernidade internacional, e recebendo críticas consagradoras com seu trabalho com a histórica Velha Guarda da Portela, documentando uma das mais sólidas vertentes da música brasileira e revelando o mundo do samba tradicional para as novas gerações no CD "Tudo Azul", do seu próprio selo Phonomotor.

Em seu último álbum, "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor", distribuído mundialmente pela EMI, Marisa compôs, com seus parceiros de sempre, a maioria das músicas - e foi seu disco a ter a mais entusiástica recepção popular se tornando um dos grandes sucessos do ano.

Mais uma vez como produtora, Marisa traz para o grande publico o trabalho solo de "Argemiro Patrocínio", um dos ícones da Velha Guarda da Portela, e comprando os direitos do CD "Seu Jair do Cavaquinho" lança os dois pelo selo Phonomotor.

Em 14 anos de carreira, Marisa vendeu mais de 6 milhões de discos e vem ampliando sempre suas platéias no Brasil e no mundo e acumulando críticas que a reconhecem como uma das grandes cantoras da música brasileira moderna, fazendo a ponte entre a tradição e o pop contemporâneo, integrando gêneros e gerações musicais e surpreendendo sempre o publico com sua originalidade e a qualidade de seu canto, com seu talento de compositora e a solidez de suas escolhas musicais.

Discografia (Phonomotor/Emi):
MM ao vivo - 1988
Mais - 1991
Verde, Anil, Amarelo, Cor de Rosa e Carvão - 1994
Barulhinho Bom - 1996
Memórias, Crônicas e Declarações de Amor - 2000
CS A Sua - 2001

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