Home
Rádio
Notícias
Agenda
Fórum
Surf noCentral
Fotos
Contato
 Institucional
 Programa Localidades
 Outros Programas FM
 Rádio OnLine
 Contato
 Surf no Central
 Agenda
 Bandas
 Entrevistas
 Notícias
 Fotos
 Livros
 CD´s
 Vídeos
 DVD's
 Letras
 Cifras
 Fórum
 Coberturas
 Promoções
 Proteção de Tela
 Papel de Parede
 Central direta com você
  Imagens
  Dicas
 Selo Central Reggae
 Dagô & Radical Roots
 Mystical Roots
 Reggae Style
 Pure Feeling
 Macucos
 Nabby Clifford
 Tiken Jah Fakolly

 

 Fale com o Webmaster
 Midia Criativa Design www.midiacriativa.com

 

Do início em terras maranhenses aos dias de hoje, Fauzi conta toda a trajetória e

as trips que levaram a Tribo a ser uma das maiores bandas de reggae do Brasil


Se você acha que a Tribo de Jah conseguiu esse sucesso todo e se transformou em uma das bandas mais bem sucedidas do reggae brasileiro em um piscar de olhos, está muito enganado. O que esses caras já passaram até chegar ao sucesso daria um livro que certamente viraria um filme cheio de canções bacanas. Mas, por enquanto, você vai ficar mesmo é com essa reportagem que agente fez com os caras - que aliás,estão divulgando o seu novo disco lançado no final do ano passado "Guerreiros da Tribo".

A história da Tribo de Jah não pode ser separada da trajetória pessoal de Fauzi Beydoun, líder e principal vocalista do grupo. Nascido no interior de São Paulo filho de pai libanês com mãe italiana, Fauzi não virou comerciante nem tenor, como poderia sugerir a ascendência. Muito pelo contrário: tornou-se um aventureiro com a obsessão pelo pé na estrada e uma paixão imensa pelo reggae, o ritmo jamaicano que já virou mania em todo o planeta.

- Essa minha paixão pelo reggae começou quando morei um tempo na África, há mais de 20 anos. Embora o reggae não seja um ritmo essencialmente africano, é uma música que está vinculada ao continente. Além disso, o lado politizado do reggae, que além de cantar Deus e a ganja, tem uma carga muito grande de protesto e contestação, que me atraiu bastante.

Essa preocupação com questões políticas e sociais também está ligada a formação de Fauzi pré-Tribo de Jah.

- Em São Paulo, quando voltei dessa temporada na África, acabei entrando para a Universidade, fazendo Ciências Sociais que, na época, era tido como um curso formador de terroristas, de subversivos. A época era o final dos anos 70, início da lenta e gradual abertura política brasileira, que levaria ao fim de um período de 20 anos de ditadura.

Fauzi viveu todo esse clima e essa agitação, mas ainda não havia mergulhado de vez no reggae.

- Tanto que minhas primeiras bandas, ainda em São Paulo, eram de rock.

Além de Fauzi, a Tribo é formada por deficientes visuais que se conhecem desde

crianças e que aprenderam a tocar com instrumentos precários

O reggae acabou entrando na vida de Fauzi por questões de trabalho. A necessidade de ganhar a vida, inerente a todo e qualquer cidadão que pretenda sobreviver no sistema capitalista, levou Fauzi a descolar um emprego em uma multinacional suíça que mandou o cara para o Maranhão, como uma promoção profissional. Fauzi acabou virando gerente da empresa em São Luís, onde trocou o emprego por sua vocação para divulgar o reggae não só como música, mas como uma autêntica bandeira.

- Antes de chegar em São Luís, passei por Recife. E lá em recife, acho que eu era o único cara que ouvia reggae. quer dizer, devia ter mais gente que curtia, mas eu não conhecia ninguém.

Quando desembarcou em São Luís do Maranhão, a chamada "Jamaica Brasileira", Fauzi simplesmente não acreditou no que estava ouvindo. Todo mundo curtia reggae!

- Cara, você entrava no táxi e o motorista ouvia reggae. Eu não acreditei.

Em São Luís, Fauzi decidiu retomar a carreira musical paralelamente às atividades como gerente da empresa Suiça. Parte da retomada passou pela participação em festivais que o levaram a conhecer mais a fundo toda a cena musical da capital maranhense. Além dos festivais, rolavam shows em teatros e onde desse, mas uma coisa incomodava Fauzi: ele não conseguia fazer exclusivamente o reggae que tanto amava.

- A verdade é que, trabalhando com músicos free-lancers, como eu fazia, você não consegue direcionar um trabalho por que são muitas tendências, muitas influências musicais. A coisa não toma rumo.

Resolvendo apostar em sua carreira musical e no reggae, Fauzi abriu mão do emprego. Enquanto tentava montar uma banda, acabou criando e apresentando um programa de rádio - sobre reggae, claro. Foi um pouco depois que ele conheceu a galera que viria a ser a Tribo de Jah.

- Eu estava procurando equipamento, instrumetos, todo o material necessário enfim, para montar a minha banda como caras que estivessem a fim de rolar o mesmo som que eu queria. Alguém me indicou um dono de conjunto que estava se desfazendo de todo material. Era um grupo chamado Reflexus. Eu fui lá um dia, falei com o cara , perguntei: "Vende tudo?". Ele disse: "Vendo". Daí eu reparei nos caras da banda que estavam ensaiando e pensei: "Pô, esses caras aí vão ficar desempregados".

Fauzi foi conversar com os músicos, todos cegos. Ele já os conhecia de ouvir falar.

- O pesoal comentava: "Ô lá, tem um grupo de cegos que toca muito, os caras são bons demais". E eles tocavam em bailes e faziam reggae também. Na verdade, eram músicos experientes. Antes de fazerem o Reflexus, eles já tinham integrado o Jota Som Seis, outro grupo de baile de São Luís.

Quando Fauzi foi conversar com os músicos, sua voz foi imediatamente reconhecida como a do cara que fazia um programa de reggae no rádio. A identificação foi imediata, e eles toparam ser a banda de Fauzi. Surgia a Tribo de Jah, com Frazão (teclado), Zé Orlando (vocais e percussão), Aquiles Rabelo (baixo), João Rodriuges (bateria) e Neto (guitarra).

Daí foi só sucesso e alegria, já está pensando você, seu apressadinho. Mas não foi bem assim. Ainda se passram sies anos até que a Tribo gravasse seu primeiro disco em 1991.

- Nesse tempo, eles continuaram fazendo seus bailinhos, e eu, com meu programa de rádio. Rolavam alguns shows, mas muito poucos. São Luís tem um fenômeno cultural e musical que são os caminhões de som mecânico que acabam imperando sobre as bandas.

O primeiro disco rendeu também a primeira viagem para o sul. Foi uma fria total

- Um produtor de Porto Alegre nos chamou para fazer show. Fiz uma gambiarra com algumas passagens que agente tinha ganhado e acabamos indo para o sul.

Logo na chegada, o vocalista desconfiou de que a coisa não ia dar muito certo.

- O cara foi nos buscar com uma caminhonete Veraneio. depois nos largou em um hotel ali na Avenida Farrapos (região do baixo meretrício local) e sumiu por três dias. Agente estava sem dinheiro pra nada. E eu ainda fiquei doente. O dono do hotel foi bacana e me levou em um hospital. Daí o produtor voltou três dias depois falando que ia rolar. O show foi em São Leopoldo (cidade da região metropolitana de Porto Alegre) em um lugar onde só rolava dance music. Eu olhei aquilo e pensei: "esses caras não devem nem imaginar o que seja reggae."

Alguns anos depois, quando estavam começando a se tornar conhecidos, a galera da Trido de Jah voltou a Porto Alegre para um belo show no auditório Araújo Vianna. Mas, dessa vez, o calote tornou a Tribo conhecida do povo do sul do Brasil.

- Eu tinha passado uns 500 cds da banda para os caras venderem. O negócio foi feito naquela base: o cara vende, tira o dele e me passa o dinheiro. Para encurtar a história: Nunca vi essa grana.

Mas Fauzi admite que graças a esse calote, a fama da Tribo de Jah começou a se espalhar pelos estados do sul. Mas ele sabe que praticamente todo o sucesso e reconhecimento que o grupo conseguiu em cerca de dez anos é fruto do trabalho dos próprios músicos. Perseverança é a palavra chave. Afinal, depois do disco de estréia, a Tribo de Jah construiu uma discografia respeitável a partir da metade dos anos 90.

Entre Roots Reggae, de 1995, e o celebrativo 15 anos ao vivo, lançado em 2002, a banda comprovou a sua capacidade de fazer uma música que mexe tanto com os quadris quanto com a consciência.

- Veja bem, nós não somos o tipo de banda que tem a atenção da mídia, que tem música rolando na novela. Até reconheço que aí no sul agente tem uma boa recepção da imprensa, mas nacionalmente não. Então a banda se mantém na estrada por sua própria força e pela divulgação que o próprio público faz da gente.

Quem fala isso é o líder de uma banda que já andou por todos os cantos do norte brasileiro, do interior do Maranhão a cidades da Amazônia e até mesmo da Guiana Francesa, acreditando apenas na força de sua música. Na primeira viagem a São Paulo, eles enfrentaram três dias e três noites de estrada.

Se para fauzi a trajetória da Tribo de Jah é a materialização plena de uma idéia que ele nunca abandonou, para os demais integrantes existe uma distância ainda maior entre a infância como deficientes visuais internados em uma instituição até os grandes palcos de hoje, não só no Brasil mas também no exterior.

Fauzi fala do aprendizado da banda: "Eles se conhecem desde criança. Aprenderam música tocando em um piano velho já sem algumas teclas, em violões sem cordas, improvisando baterias no tampo da mesa".

Fauzi acredita que essa "escola da vida", pela qual todos eles passaram de uma forma ou de outra, dá sustentação para que a Tribo de Jah seja hoje uma banda plenamente madura. Isso aparece no novo disco - Guerreriros da Tribo - e Fauzi afirma:

- É o nosso melhor disco, com certeza. A bando amadureceu tanto no nível pessoal quanto na parte musical. Todos nós já estamos na faixa dos 40 anos, o que nos dá um entendimento muito maior das coisas. Antes, a parte musical era muito intuitiva. Agora temos conhecimento do material e sabemos o que a galera espera de nós.

O novo disco foi gravado em São Paulo, no estúdio Mega. Eles tiveram tempo e calma para fazer tudo como queriam.

- Agente teve todo esse apoio da gravadora que nos permitiu fazer o melhor disco de nossa carreira até hoje. Agente gravou muita música para poder escolher o que iria entrar no disco. Foram quase 30 gravadas nesse período.

Desse total, doze músicas inéditas vão estar no disco, sendo onze próprias e uma versão de uma toada de bumba boi maranhense. Além delas, há uma regravação de uma música antiga da banda, uma regravação de uma música de Bob Marley (Satisfy my Soul) e um dub, totalizando 15 faixas.

Para celebrar o novo disco, abanda vai fazer o que mais gosta: cair na estrada, claro.

A Tribo esteve tocando e divulgando este cd no Brasil e no exterior por passagens nos Estados Unidos e México. A tribo cruzou os EUA de leste a Oeste com grandes apresenteções e um compromisso firmado: o de voltar a se apresentar este ano, não só na terra do Tio Sam como em outros países ao redor do mundo.

As viagens para fora do país também incluíram uma passagem obrigatória pelo consagrado Reggae Sunsplash Festival, na Jamaica, em 1995. Da Argentina à Itália o reggae da Tribo é bem recebido pelas platéias.

Para fauzi, a Tribo está em um momento de plenitude.

- A Tribo sempre foi uma banda de estrada, confiante na sua auto-divulgação. Agora atingimos um nível totalmente relax. Temos uma identidade definida, sabemos porque viemos e a que viemos. Nosso objetivo principal é tocar no coração das pessoas, nossos shows são para isso. Um momento sublime. Apesar dessa versatilidade de idiomas, de cantar em inglês no Japão e em francês para os franceses, o que pega mesmo é a levada cativante e a vibração da banda.

Fonte: Equipe Central Reggae

Outras notícias:

© Copyright Central Reggae - Todos os direitos reservados                                                                                        centralreggae@centralreggae.com.br