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Gilberto Gil conta todos os detalhes de sua versão de "No Woman No Cry"


O "World Service" da Rádio BBC, que transmite para todo o mundo uma programação gerada nos estúdios da empresa de comunicação pública inglesa, apresentou esta semana uma entrevista com o ministro da Cultura Gilberto Gil (foto acima) sobre sua versão de "No Woman No Cry", de Bob Marley.

O programa "The World Today" dedicou-se esta semana à análise de diversas covers de músicas famosas, para descobrir, segundo a rádio, quais são os ingredientes de uma grande versão.

Na sua entrevista Gil explicou que, primeiramente, ficou estarrecido com a força da canção, da voz de Marley e da melodia, para depois ouví-la mais atentamente. Quando captou a mensagem da letra, resolveu traduzí-la para o português, chamando-a de "Não Chores Mais".

O entrevistador notou que Gil havia transformado o verso "good friends we've had and good friends we've lost" (bons amigos que tivemos e bons amigos que perdemos) em "amigos presos, amigos sumindo assim, pra nunca mais", mudando um pouco o sentido da frase. Gil esclareceu o jornalista inglês sobre a situação política do Brasil na época (final da década de 1970), quando se vivia em uma ditadura feroz que prendia, exilava, torturava e matava seus opositores e que ele próprio havia vivido um exílio londrino por alguns anos (quando, segundo o jornalista Antonio Bivar, se apresentou no mítico festival da Ilha de Wight com Caetano Veloso, Gal Costa e muitos outros artistas brasileiros e estrangeiros numa espécie de "grupo tropicalista"). Daí também a referência ao Aterro do Flamengo ("na grama do Aterro, sob o sol"), parque carioca, para mais uma vez abrasileirar a canção, em substituição ao "Trenchtown yard" (quintal de Trenchtown) da letra original. Na verdade a canção de Marley fazia uma referência indireta aos amigos que perdera na verdadeira guerra civil que tomava conta da Jamaica em tempos eleitorais, assim a versão foi fiel ao tema da violência política que permeia a faixa de Marley.

Para Gil, "No Woman No Cry'" é uma canção de protesto e os brasileiros em geral - e os negros em particular - se identificam bastante com Bob Marley, daí a primeira conexão. Mas por trás de tudo está a música, de uma maneira essencial. Ela flui. O elemento surpresa incrivelmente original que o reggae trouxe para a música, esses elementos se sobressaem. A política e todo o resto vêm em segundo plano.

"Nunca fui um idealista, nunca fui um daqueles que acreditam que realmente podemos mudar o mundo. Nós tentamos mudar o mundo, mas ele continuo do mesmo jeito".

Fonte: Léo Vidigal - www.massivereggae.cjb.net

Ouça a versão original da Rádio BBC

Confira a participação de Gilberto Gil no Maranhão Roots Reggae Festival em 2003

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