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Argentina se rende ao reggae de Los Cafres
Ritmo brutal de sangue quente, que toma possa de ti!!
Cafre, adjetivo, do arabe "Kafir", infiel. Assim eram chamados pelos mulsulmanos os negros do sudeste africano que não eram adeptos a fé maometânea, por tanto eram "infiéis ao Corán". Com o tempo, para os árabes kafir era sinônimo de incrédulo, mais tarde por bárbaro, cruel, animal, selgavem... Assim a plavra cruzou as fornteiras mulsulmanas e se expandiu pelo mundo como um adjetivo perjorativo de maior ou menor gravidade dependendo da região, porém em todos os casos significando "brutal no mais alto nível". Na espanha se castelianizou como Cafre. Caida em desuso no Río de la Plata, a palavra "Cafre" tem para os argentinos um encanto simpático que caracteriza as palavras que formam parte do pasado e que só se escutam na boca de algum estrangeiro ou se lêem em algum texto impresso no exterior. Este último foi o caso de Adrián Canedo, primeiro baterista de Los Cafres, que leu em um livro sobre a história de Bob Marley, escrito na Espanha, no começo dos anos 80..
O começo de tudo se deu na primeira parte dos anos 80, em uma feira de compra e venda de discos e fitas que funcionava no Parque Rivadavia em Buenos Aires, lugar onde se conseguia bons reggae aquela época. Ali se conheceram Roberto "El Robba" Eazul e Adrian Canedo, primeiros baixista e baterista da banda Los cafres, respectivamente . Mais tarde chegaria Guilhermo Boneto, a quem Adrian forneceu os primeiros vinis de reggae. Foi Adrian que também organizou o primeiro ensaio que apesar de caótico, notaram que algo havia no final do caminho. E se montássemos uma banda?? perguntou Bonetto. Não houve contestação e o segundo ensaio já estava marcado. Boneto já tinha em sua cabeça a idéia de formar uma banda, e em sua casa tocava reggae com alguns amigos, entre eles estavam Bahiano que se incorporou a banda LosPericos, banda a qual Bonetto veio fazer parte mais tarde. A banda Los Cafres toma forma e para os egundo ensaio El Roba convida o guitarrista Gustavo "Tendón" Pilati. Também somaram-se a banda, Ariel Muller nos teclados, Eduardo "Equard" Pretails na percussão, Chiflo no sax e Capanga no trompete. No começo, a informalidade cracterizava o show, todos tocavam e cantavam, o microfone e instrumentos passaram pelas mãos de amigos mesclados entre o público. Boneto lembra que era muito difícil tocar, pois a banda Los Pericos tocavam todos os finais de semana, três vezes por dia e era impossível para eles fazer algum show. Exemplo disto, foi o primeiro show da banda: Los Pericos tocavam a poucas quadras na mesma noite e Bonetto teve que correr de uma casa de show para a outra. O baterista Adián canedo estava em situação similar pois era roaddie da banda Los Pericos. Nesta noite de estréia da banda tocaram Guillermo Bonetto (guitarra e voz), Roberto "El Robba" Razul (baixo), Adrián Canedo (bateria), Ariel Müller (teclados), Gustavo "Tendón" Pilati (guitarra) e Eduardo "Equard" Pretalis (percusión), mais as irmãs de Bonetto (Rosana e Leonora) e uma amiga (Viviana) fazendo coros.
Primeira época: 1987/1989
Composto em grande parte por músicos que se desempenhavam em outras bandas, a formacão de Los Cafres foi relativamente estável e seus shows esporádicos. Entre os primeiros shows feitos por Los Cafres, tocaram com Los Auténticos Decadentes na Faculdade de Medicina, em que se formou Claudio "Cafre" Illobre na percussão (logo seria tecladista) e paricipou como músico convidado Juanchi Baleiron (Los Pericos) na guitarra. Também participaram do Primeiro Festival de Reggae em La Manzana de las Luces, "Jah Pic-Nic", junto a Boombo Klat, Zimbawe Reggae Band e Todos Al Obelisco.
Mientras Bonetto gravava os discos "Los Pericos" y "King Kong" com Los Pericos e Los Cafres seguiram tocando ao vivo até agosto de 1989 com muitos convidados, entre eles Sergio Rotman de Los Fabulosos Cadillacs. Rotman e os Cadillacs criaram um laço afetivo muito grande com a banda e comecaram a frequentar os ensaios de Los Cafres. Nesta época foi gravada uma fita demo com três faixas: "La Vela" e as nunca editadas "Gidekel Song" e "Frecuencia Cafre".
Separação
Na chuvosa noite de 20 de agosto de 1989 em Viejo Centro Parakultural, Los Cafres fizeram o último show de sua primera época e se despediram. A separação da banda se deu devido a situação ecnonômica do país basicamente. Guilehreme Boneto deixou os Los Percios e se mudou para Toronto, Canadá, para trabalhar, onde poucos meses depois também se fixou Claúdi Illobre. El Robba se mudou para o Chile, lugar onde Tendón se instalou temporariamente.
O regresso
Guilhermo Boneto regressou a Argentina no começo de 1992. Por telefone do Canadá, havia se encarregado de manter acesa a alma de Los Cafres, insistindo coms eus companheiros de aventura, que a banda teria muito mais pela frente. Durante 1992, lentamenta banda voltou a tomar forma porém com uma sensível baixa:El Roba se fixou definitivamente no Chile. Seu lugar foi ocupado por Gonzalo Albornoz, ex baisista da banda de reggae Mercado Negro. O primeiro show da banda nesta nova etapa foi em novembro de 1992 na discoteca The Roxxy, no bairro Congresso, Buenos Aires. Posteriormente, passaram pela banda cerca de 50 múscios até a consolidação da atual formação. Durante 1993 Los Cafres correram os sotãos e clubes de Buenos Aires, pórem, compartilhou pela primeria vez o cenário reggae local com bandas estrangeiras. Em abril, tocaram com a banda Inner Circle na cidade de Paraná, Provincia de Entre Ríos, e em setembro se apresentaram pela primeira vez no Estádio Obras, abrindo a edição argentina do Reggae Sunsplash Festival, tocando antes de Pablo Moses, Gregory Isaacs e Juddy Mowatt.
Discografia:
Frecuencia Cafre - 1994
No ano de 1994 começam a gravação do primeiro álbum da banda, "Frecuencia Cafre", durante o mês de janeiro nos estudios Del Cielito, e sua mixagem em fevereiro nos estudios Tuff Gong de Kingston, Jamaica, a cargo de Errol Brown. "O nome Frecuencia Cafre é incrível. Estava redondo. Define o grupo" dizem Los Cafres. O lançamento deste álbum marcou uma quebra na história do reggae argentino, ao se tornar o primeiro álbum de uma banda local seguindo na íntegra a linha "roots reggae".O álbum leva o selo da gravadora RAS, especialista em reggae roots e que carregae grandes nomes como Israel Vibration, Yellowman entre outros. O disco é uma obra prima !! Com frecuencia Cafre nas paradas, em março tocam com Jimmy Cliff no teatro Grand Rex de buenos Aires e no mês seguinte junto aos fabulosos Cadillacs no Estádio Obras. Pouco depois realizam sua primeira excusão internacional ao viajar para o Chile para tocar no programa solidário de televisão "Teleton". Durante o ano, a banda toca incesantemente em Buenos Aires e em seus arredores, incluindo algumas apresentações no interior do país.
Instinto - 1995
Em abril de 1995, Los Cafres se encarregam de fazer a abretura da nooite de reggae que teve Alpha Blondy & The Solar System como principal protagonista, no Estadio Obras de Buenos Aires. Meses depois começa a tomar forma o esperado segundo disco da banda, "Instinto", gravado durante o inverno nos Estudios Panda de Buenos Aires por Ricardo Troilo e Leandro Kurfist e mixado por Jim Fox, que logo se encarrgou de masterizá-los nos estúdios Lion & Fox em Washington DC, onde as bandas do selo Ras Records havian gravado seus últimos discos. Quando a gravação do Instinto se encontrava em sua fase final, Los Cafres se apresentaram no 1º "Ras Reggae Festival" em 11 de agosto novamente no Estádio Obras, dividindo palco com Black Uhuru, Israel Vibration e Yellowman. Este foi ol último festival internacional de reggae feito em Buenos Aires. No final de 1995 a nova produção da banda estava nas paradas: "Instinto é a forma que nos movemos. Pertencemos ao grupo de pessoas que fazem as coisas por instinto", disseram Los Cafres para definir o nome de sua segunda obra. "Instinto" surpreendeu por seus incrementos e espontaniedade, acompanhado de um ritmo mais dançante em respeito a "Frecuencia Cafre", no mais manteve o mesmo compromisso com as questões sociais da realidade cotidiana, qual foi e é o único objetivo dos primórdios do grupo: defender um lugar própio a margem de sistema, transmitindo um pensamento autônomo com um ritmo na batida do coração.
Instinto Dub - 1996
Com as mixagens realizadas por Jim Fox em Instinto, Los Cafres editaram "Instinto DUB". Este terceiro disco da banda, foi o primeiro de dub feito na Argentina e surpreendeu com excelentes versões das músicas "La Receta" e "La foto de Zapata" entre outras. Como bônius track, incluiram a faixa "Es la música" .
Suena La Alarma - 1997
Em meados de 1997 Los Cafres viajam ao Brasil para apresentar-se junto a banda Tribo de Jah para 5000 pessoas no Galpão Fábrica em São Paulo. Em outubro de 1997 é lançado o terceiro álbum da banda: "Suena La Alarma". Gravado nos Estúdios de Abasto al Pasto , produzidos por Alfredo Toth y Pablo Guyot, cinco das quinze novas faixas, entre elas "Ruge la Barra", "Hace Falta", "Pobre Angelito" e um tema dedicado a Diego Maradona chamado "Pelusa". O nome do álbum "mostra um momento em que existem coisas que não podem continuar como estão", explicam Guillermo Bonetto e Claudio Illobre. No início de 1998 o baterista Adrián Canedo deixou a banda para dedicar-se ao trabalho solo.. Seu lugar foi ocupado por Sebastián "Cebolla" Paradisi, ex-baterista de Los Oxidados, Satélite Kingston e Riddim. No verão de 1999 viajam para Porto Rico convidados pela banda local Cultura Profética e se apresentam na cidade de San Juan diante de sete mil pessoas.
Espejitos - 2000
Durante o ano 2000, Los Cafres estiveram gravando seu novo disco. Em maio viajaram para Porto Rico, onde tocaram no estádio Muñoz Marín outra vez junto a Cultura Profética. Logo se dirigiram ao México para se apresentarem no Distrito Federal e em Gudalajara junto as bandas locais Los Rastrillos, La Ganja e Antidoping entre outras. Ao regressar a Buenos Aires terminaram a gravação de seu novo disco. Seu nome é "Espejitos": "Eu gostei do nome espejitos porque tem relação com o tema "Pirata Colon" que faz parte do disco". Os espejitos representam a síndrome da tradição e está presente mais forte do que antes" afirma Guilhermo. O disco conta com 15 faixas usando diferentes estilos de reggae . Como convidados, participaram Quique Neira (vocalista da banda chilena de reggae roots Gondwana), Willy (vocalista dos Porto Riquenhos Cultura Profética que participa do cover "Wating in vain" de Bob Marley), el Mosca (percussionista de Los Auténticos Decadentes), La Chilinga , el Chango Farías Gómez y Daniel Navarro (charango)na faixa "Pirata Colón", também a colaboração Diego Blanco (dos Pericos) na programação de algumas baterias .
Los Cafres hoje
A formação atual de Los Cafres é Guillermo Bonetto (voz), Claudio Illobre (teclados), Gonzalo Albornoz (bajo), Tomás Pearson (guitarra), Sergio Colombo (saxo) y Sebastián "Sebolla" Paradisi (batería). Completa a banda desde o final de 1998 o trompetista Hugo Lobo, que também faz parte de uma bada de ska instrumental chamada Dancing Mood etoca em distintos grupos de diversos gêneros.
Los Cafres Bio: Víctor de Banfield Fotos cortesia de: Los Cafres
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