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Seja como for, o reggae cresce
no Brasil!!
Das pioneiras radiolas maranhenses a nova safra
de bandas, a quantas anda o
ritmo jamaicano em terras brasileiras???
Você já viu pedra brotar?
Deve estar imaginando que lá vem mais
um papo de maluco. Mas não é bem assim.
Desde o final da década de 70 quando
o reggae invadiu o Maranhão através dos rádios sintonizados em
ondas curtas (costume do povo local para poder ouvir os sons que
vinham do Caribe) chegando até as radiolas (verdadeiros paredões
em equipamentos de som que agitam as festas até hoje), esse ritmo
é um fenômeno que não pára de crescer. Ainda que alguns artistas
famosos como Gilberto Gil na época já tocasse um reggae aqui e
outro ali nos shows, na verdade os fãs nem sabiam direito o que
era aquilo - tanto que os primeiros discos de reggae que surgiram
por aqui iam encontrar nas lojas na seção de rock ou algum outro
estilo - mas as festas de reggae no Maranhão já mostravam os sintomas
da nova febre.
No maranhão, o reggae se expandiu
de tal forma e as famosas radiolas cresceram e se tornaram parte
da cultura, totalmente enraizada no coração de São
Luis. As radiolas oferecem a disposição da massa
regueira toneladas em potências e auto falantes e milhares
de watts de potência para uma inesquecível noite
de reggae.
São centenas de auto falantes
que fazem estremecer até o chão
Haja potência para segurar
o som poderoso das radiolas
A cabine de comando do Dj que agita
a noite
A partir daí o reggae se expandiu
de tal maneira: - Pará, Piauí e Ceará foram contagiados pelo vizinho
Maranhão, onde as ''pedras'' que fazem a cabeça da galera vem
de um estilo do roots reggae jamaicano que foi produzido até o
meio dos anos 70. - Na Bahia a influência total e absoluta vem
de Bob Marley e os Wailers, quando se descobriu que naqueles discos
onde os caras tinhas um cabelo diferente havia um novo som vindo
da Jamaica.
Já no sul e sudeste do país, além
de Bob Marley, Peter Tosh também foi um dos primeiros ídolos do
gênero, mas o que ajudou a influenciar (ou embaralhar) a preferência
do público, foi a grande invasão anos mais tarde do reggae mais
pop feito por Inner Circle (uma das mais conceituadas e famosas
bandas de roots reggae no início, liderada por Jacob Miller, morto
em acidente de carro), Pato Banto e outros artistas do Dance Hall
(reggae eletrônico com levada mais acelerada feito para os salões
e que até então não tinha muito compromisso com os temas sociais).
Desde então as bandas vêm surgindo,
cada uma seguindo uma linha. Algumas dando a clara demonstração
de ter adquirido muito conhecimento da escola jamaicana, outras
estão aproveitando o momento e conseguindo algum sucesso, mesmo
que seu som mostre que seus componentes não conheçam mais do que
Bob Marley, além de mais um ou outro nome, quando muito.
A verdade é que existem bandas que
já conquistaram público, ou melhor, seguidores em todo o país.
Seus shows estão sempre repletos de gente, e nem sempre só de
regueiros, mas também simpatizantes de seus ritmos, performances
ou mensagens, e algumas vezes durante o ano alcançam a marca de
15 a 20 mil pessoas. Também, em boa parte dos seus lançamentos
chegam a receber premiações como disco de ouro ou platina. Nesses
casos se encontram os grupos Cidade Negra, Natirruts e, a mais
surpreendente, Tribo de Jah, já que é uma banda que não costuma
aparecer constantemente na mídia, mas se tornou um mito nacional
para o público regueiro. A seguir aparecem outras bandas que contam
com boas vendagens e grandes platéias. É o caso de Edson Gomes
e Sine Calmon, pioneiros do reggae na Bahia que já passaram pelos
palcos de norte a sul e a banda Planta e Raiz que estourou em
São Paulo e vem desbravando com êxito por outros estados. E não
é só isso. Já que estamos falando de reggae brasileiro, não podemos
deixar de citar alguns grupos que se estivessem em qualquer outro
lugar do mundo, seriam aclamados e teriam ''o reconhecimento merecido
pela qualidade da música reggae que costumam apresentar''. Da
Jamaica brasileira se destacaram com força Mystical Roots e Mano
Bantu (antes Nego Banto); no Ceará, Rebel Lion; na Bahia temos
Dionorina, Nengo Vieira e Geraldo Cristal (que só lançou seu primeiro
disco agora em 2003) que ao lado de Edson Gomes e Sine principiaram
o balanço das pedras por lá, além do mais novo Adão Negro (que
é uma banda e não um cantor); do Paraná pro mundo (já que são
mais conhecidos lá fora) surgiu Djambi; no Rio Grande do Sul atualmente
quem faz o reggae mais puro é a Pure Feeling, apesar do pouco
espaço que a banda tem ''em casa'', já que o público se viciou
em outros grupos que conseguem emplacar suas músicas no rádio,
Motivos Óbvios é outro nome, mas a banda pára, volta e fica nesse
vai-e-vem; e em São Paulo, num cenário que já apresenta centenas
de bandas (todo dia aparece uma), destaque para aquelas que nos
fazem imaginar estar diante de jamaicanos em terras tupiniquins,
como as ''sumidas'' Rastafari Mix e Jualê, e as constantes Leões
de Israel, Reggae Style, Dagô & Radical Roots (esse último gravou
com Wailers e Steel Pulse e deu uma parada, agora ressurgiu com
um dos melhores discos de reggae nos últimos anos no Brasil) e
mais recentemente Filosofia Reggae.
Obs.: As bandas aqui mencionadas são
as que os críticos, músicos e produtores especializados em reggae,
em seus depoimentos, consideram estar no mais alto nível técnico-musical
em se tratando deste ritmo quando produzido no Brasil. Se alguma
banda considera estar dentre as tais, pode ter ficado de fora
por esquecimento do autor deste release. Nesse caso fica aqui
minhas desculpas. Em qualquer outro caso, é hora de provar!
Fonte: Equipe Central reggae
Fotos: Luis Reggae Soul - www.respect.blogger.com.br
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