|
Show em Montreaux
Diário de bordo - Resumo
final
Após os preparativos para a viagem
e já tendo praticamente terminado a gravação do disco na Suíça,
a banda partiu em direção a Portugal deixando Interlaken na madrugada
e seguindo um roteiro todo definido no mapa: Berna, Genebra, cruzar
a fronteira com a Franca e seguir em direção a Grenoble e depois
Valence, Montpellier, Perpignan, fronteia com a Espanha e ai,
cruzar toda a Espanha seguindo o litoral mediterrâneo at entrar
para o interior em Valença e cruzar toda a Andaluzia, seguindo
para Sevilha, Córdoba e, finalmente, chegar ao sul de Portugal.
Dois dias de estrada de manhã
a noite, parando pra dormir em algum lugar no caminho. Seguíamos
em 10 numa van Ford com capacidade para 9 pessoas, puxando um
trailer com todo o equipamento e a bagagem da banda.
De cara, fomos parados num bloqueio
após a fronteira com a França e os policiais queriam que
um dos passageiros descesse já que a van não poderia viajar com
mais passageiros do que o limite permitia. Depois de muita averiguação
e muita conversa com os oficiais franceses, um deles se aproximou
e disse finalmente: "Tirez-Vous", ou seja, "Sai fora". Nem precisou
falar duas vezes. Rodamos o dia todo, atravessamos a fronteira
com a Espanha por volta das 9 da noite porém ainda com
o sol claro do verão europeu. Conseguimos esticar até Valença,
onde dormimos para seguir no dia seguinte. De manhã, cortamos
pelo interior-sul da Espanha, inicialmente num trecho muito bonito
de serra até chegar a Andaluzia, terra das oliveiras sem fim.
O calor era de 45 graus e aí, conforme
batia a impaciência, a gente tentava fazer van chegar aos 140
kms por hora, que era pura irresponsabilidade, tendo em vista
o peso do trailer que era carregado atrás.
Chegamos a fronteira lusitana já
a noite, logo após a partida pela semifinal da Eurocopa em que
Portugal tinha ganho da Holanda.
Os oficiais portugueses nos receberam
muito bem, e já sentíamos o clima de festa em Portugal com o resultado
da partida. Porém, pra cortar o clima já que estávamos quase chegando
e loucos pra chegar, um bloqueio na estrada com policiais que
diziam que não poderíamos seguir em frente pela auto-estrada devido
a um incêndio florestal na região. Tivemos que achar caminhos
alternativos naquela hora da noite e com aquele cansaço, sem conhecer
nadinha por ali, ate que retomássemos a auto-estrada uns 60 kms
mais a frente já bem próximos de nosso destino final que era a
praia mais badalada de Portugal, uma pequena porém charmosa cidade
litorânea de nome Albufeira, na região do Algarve português.
Quando entramos na cidade a procura
do hotel, tivemos ainda que ficar um bom tempo presos num congestionamento
devido a comemoração da vitória da seleção portuguesa.
No dia seguinte, com muito sol e
calor, pudemos apreciar a beleza do local, embora tivéssemos uma
viagem pra Lisboa onde iríamos participar de um programa de televisão
em rede nacional.
Em Albufeira, tocamos numa praça
central num show bancado pela câmara do município. A cidade, uma
das mais turísticas de Portugal, abrigava também um grande número
de turistas ingleses, holandeses e scandinavos, que acabaram entrando
no embalo do show sem nenhum problema.
Show em Albufeira - Portugal
Foi uma festa bonita, de muita magia,
numa noite gostosa do Litoral sul de Portugal. No final, a banda
teve ainda que retornar duas vezes ao palco já que a galera tava
decidida a não arredar o pe dali. O show foi realmente muito legal.
E em Albufeira deu pra sentir o gostinho de uma praia de novo,
apesar da água fria do mar. Depois de três dias na região já era
hora de retornar. Havia um outro grande evento em vista, desta
vez na Itália, no Rototom Sunsplash.
Voltamos primeiro para nossa base
na Suíça e depois de alguns dias, já com os trabalhos do novo
cd terminados, a Tribo partiu para a Itália por um caminho inusitado,
cruzando literalmente o topo de uma das cordilheiras dos Alpes
suíços. A gente subia, subia, e a temperatura ia esfriando, ate
chegar as camadas mais elevadas onde a neve não derrete e permanece
o ano todo, como um manto branco dos Alpes nas camadas mais altas.
O visual era realmente incrível e a estrada extremamente perigosa,
mas foi tudo bem até entrarmos na Itália em direção a Udine, perto
de onde se realizaria mais uma edição desse que é o maior festival
de reggae da Itália.
Entre as atrações programadas, como
sempre, Grandes nomes do cenário internacional do reggae. Chegamos
em Osoppo, perto de Udine, sob chuva intensa. Na hora de subir
no palco também a chuva persistia e já eram 9 horas da noite (estava
apenas escurecendo). Debaixo de chuva, quando a Tribo começou
a tocar tinha pouca gente na frente do palco Mas a medida que
o som ia rolando, a galera ia saindo das barracas e começava a
chegar de todo o lado, debaixo de chuva mesmo.
Vista do palco do Sunsplash Festival
- Itália
Acabou sendo mais um grande show
da Tribo e a produção do festival que ate então estava irredutível
quanto ao tempo de duração do show de apenas 50 minutos, teve
que se curvar pra galera que pedia a volta da Tribo no palco.
Não deu outra, a banda voltou e encerrou em grande estilo esta
bela participação no festival de reggae italiano. Todo o show
foi filmado por uma equipe de tv italiana para possível lançamento
no mercado local.
De Osoppo voltamos para a Suíça e,
para nossa surpresa, a televisão suíça tinha anunciado que mesmo
sendo o começo do verão na Europa, deveria nevar em lugares cuja
altitude ultrapassasse os 3 mil metros. Durante o retorno, na
parte mais alta dos Alpes, nos deparamos com a neve caindo no
para-brisa, algo estranho para essa época do ano.
Eram os nossos ultimas dias na Suíça:
Teríamos ainda dois shows em Montreux e de la partiríamos para
a Itália novamente, onde faríamos o nosso ultimo show na Europa,
em Trieste.
Partimos pra Montreux e ficamos hospedados
numa cidadezinha no alto dos Alpes, Chamada Caux. O visual era
realmente chocante. Os dois shows em Montreux também foram demais:
tocamos para um público totalmente diversificado, desde casais
de idosos ate a galera mais jovem e crianças também.
Show em Montreaux
O importante foi que a Tribo conseguiu
segurar um grande publico que também não arredou pe e fez a banda
permanecer no palco bem mais do que era o previsto.
No final do primeiro show ganhamos
os convites para ver o Santana, no mesmo festival, mas com o cansaço
a gente preferiu voltar pro hotel, já que teria um novo show no
dia seguinte. O Festival de Montreux acabou sendo uma grata surpresa.
De Montreux a banda deixou a Suíça pela ultima vez nessa viagem,
rumando para Trieste, na Itália, onde faríamos nosso ultimo show
na Europa.
Trieste é realmente uma cidade intrigante,
que já teve varias nacionalidades. No extremo leste da Itália,
colada na fronteira com a Eslovênia, a cidade pertenceu ao Império
Autro-Hungaro ate a Primeira Guerra Mundial, quando a língua Local
era o alemão. Depois a cidade voltou para o domínio italiano,
embora tenha também uma forte influencia eslava devido a proximidade
com a ex-Iugoslavia.
Foto do show de Trieste
O show da Tribo aconteceu num evento
chamado Samberfest, e deixou a sua marca de forma bem contundente
junto ao público que realmente entrou no embalo e curtiu o show
todo. Os brasileiros presentes estavam realmente extasiados mas
os italianos também entraram no embalo de corpo e alma. O local
do show, um parque bem verde afastado da cidade, era realmente
um ótimo local pra fazer o som rolar. Enfim, a um dia de voltar
para o Brasil, para a Tribo era só festa e comemoramos literalmente
o ultimo show da turnê sonhando com a volta ao Brasil.
Haveria ainda mais uma longa estrada.
Já sem a nossa velha Ford a disposição, e por não encontrar nenhuma
van grande para alugar, tivemos que alugar três station-wagons
para fazer o trajeto de Trieste ate Roma. Rasgamos a noite toda
dirigindo e já pela madrugada, a uns 100 kms de Roma, um imprevisto:
Como vinha dirigindo na frente com o Pepel como co-piloto e o
Frazão no banco de trás, as vezes me adiantava um pouco mais e
depois reduzia o ritmo esperando o resto do Comboio. De repente,
os outros dois carros tinham sumido e a gente achou que tinha
acontecido algo de errado. Paramos já quase clareando na beira
da estrada e ficamos esperando pra ver se eles passavam mas como
isso não aconteceu, tivemos que fazer o caminho de volta na maior
tensão, já que não podíamos perder o vôo. Se isso acontecesse,
teríamos que comprar outras 10 passagens para poder voltar se
achasse lugar em algum vôo, coisa pouco provável. Retornamos por
uns 60 kms a mil por hora e voltamos de novo na direção de Roma
fazendo uma varredura total da estrada: nada dos carros. Só
tinha uma alternativa: ir diretor pro aeroporto em Roma e rezar
pra eles estarem lá. Não sei como mas eles tinha passado pela
gente na estrada sem que uns não vissem os outros e por sorte,
graças a Jah, já tinha chegado no aeroporto antes da gente.
Depois do alivio geral, foi o tempo
contado de entregar os carros e entrar no avião, já as 10 horas
da manhã. Haveria ainda uma conexão em Nova Iorque mas, no caminho
de casa, tudo era alegria. Saímos de Trieste na sexta-feira a
tarde e como não se tinha lugar pra tomar banho no aeroporto ou
dentro do avião, o jeito foi passar esses dois dias sem tomar
banho, sonhando com um bom banho na chegada ao Brasil.
Enfim, tudo pela pátria!
Clique
aqui para ver as fotos da Europa - parte final
|