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UMA BRASILEIRA NA ITÁLIA

UpToDate - Em 1967, você fez aquele show "Elza de Todos os Sambas", e então, em 1970, você foi para a Itália se apresentar no Teatro Sistina.

Elza - E fui expulsa dele.

UpToDate - Expulsa?! Mesmo cantando "Que Maravilha", do Ben Jor, e "Máscara Negra" em italiano? Por que?

Elza - Eu não sei até hoje. Fomos expulsos eu e o Mané (Garrincha).

 

UpToDate - Mas os italianos te receberam bem?

Elza - Muito bem. Eu fiquei morando dois anos e meio na Itália. Eu fiz um programa de samba chamado "Canta Giro". Eu não vou dizer que nesses anos que eu passei fora do Brasil eu só conheci flores não. Eu conheci coisas amargas. É muita ilusão do brasileiro sair do Brasil e dizer "eu sou e eu faço e aconteço". Isso é mentira. Você passa muita necessidade. Você passa um frio horrível porque também falta calor humano que eles às vezes parecem não ter. Eles não abrem as portas para você. É preciso ser cara dura. Mas eu, como não tinha pretensão de morar lá, fiquei na minha.

 

UpToDate - Valeu a pena ter ficado na Itália? Você até gravou um disco lá intitulado "Tributo a Martin Luther King", do Ronaldo Bôscoli e do Wilson Simonal. Como foi essa gravação?

Elza - Foi muito bonito. (cantando) / Sim sou negro de cor / Meu irmão de minha cor /. Mas eu tenho parentes lá, o Paulinho da Costa, que tocava comigo e com o Sérgio Mendes, quando ele chegou no Rio. Antes de fazer sucesso fora do Brasil, o Sérgio tinha um trio. Então eu recebi ele na minha casa na Itália. Mas eu também amo muito o Simonal e o Jair Rodrigues.

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