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CALOURA DE RÁDIO DE ARY BARROSO

UpToDate - Foi nessa época que o Moreira da Silva te levou para um programa de rádio?

Elza - Ele me levou para o "Aerton Pé Ligeiro". Inicialmente, eu mesma fui para a Rádio Mauá trabalhar com o Hélio Ricardo. E o Moreira da Silva, me ouvindo da casa dele, pediu que eu aguardasse. Então ele me apresentou ao Aerton, da Rádio Tupi. E foi na Rádio Tupi que eu comecei a brotar.

 

UpToDate - A Rádio Tupi naquela época (1960) era a grande rádio. Era como se fosse a Rede Globo das rádios?

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Elza - Era uma coisa assim. A Tupi era "a Radio". Antes eu já havia cantado no programa de calouros do Ary Barroso. Que também foi uma humilhação. Na época, eu pesava uns trinta e poucos quilos. Eu me inscrevi no programa de calouros do Ary Barroso. A exigência deles era que eu viesse bonita. Eu falei "bonita como?" Então eu peguei uma saia da minha mãe, uma camisa e uma porção de alfinetes. Enrolei bastante a saia e a blusa e fui pondo alfinetes nos panos que sobravam.

Então cheguei no programa do Ary Barroso, fiz o teste com o regional Cruz e Toco Preto, mas eles fizeram uma maldade comigo e me deram um tom acima. Mas a minha voz era pura e limpa, não havia poluição, e então não havia o que segurasse a minha voz. Aí eu subi o tom. Então eles todos ficaram surpresos "meu Deus, de onde veio essa voz?".

Mas por mais que eu pense nisso, eu ainda acho que eu não sei nada. Enquanto estamos vivos, temos muito o que aprender. E eu tinha achado que tinha cantado pessimamente mal, mas os músicos me trataram com muito carinho e ficaram me protegendo.

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foto por Carlos Mancini

UpToDate - E como era o Ary Barroso?

Elza - Ele era um mineiro daqueles bem tradicionais. Parecia um tipo chato, tinha um narigão, usava um oculós pequeno na ponta do nariz, e chamava todo mundo de "meu filho e minha filha". Para se apresentar lá, a primeira coisa que você tinha de saber eram os nomes dos autores da música que você ia cantar. E isso eu gravei logo.

Aquilo parecia um corredor da morte. Ficava todo mundo sentado nuns banquinhos e ele chamava, "senhor fulano de ta!". Mas o que me fazia sentir muito alegre ali eram os calouros gongados. Eu morria de rir quando alguém levava um gongo (e era desaprovado por ele). O susto que os calouros tomavam era engraçado, eles davam um pulo na hora do gongo. Parecia que eles levavam um tiro ou um choque elétrico. E eu ria de chorar. Mal sabia eu que na minha hora, iria ser uma coisa terrível.

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