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The Interview: Chico Science
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AS LETRAS DE CHICO SCIENCE

UpToDate –Como você define as letras? suas letras têm a ver com a literatura de cordel, típica do Nordeste brasileiro? Aquela coisa apocalíptica do sertão?

Chico Science –Tem muito a ver com isso. Tem de um lado o Zé Limeira, um lado absurdo do absurdo, o jeito também de cantar. Quando se fala (cantando “Maracatu Atômico”) / atrás do arranha-céu tem o céu / tem o céu / e depois tem outro céu /. É do jeito de um aboio (vocal nordestino), de um embolador, de um cantador de viola, de uma loa de maracatu. Eu me interessei por “Criança de Domingo” (dos ex-Fellini, Ricardo e Cadão) porque parece com as loas de maracatu, parece que vai repetir / Eu sábado vou rodar /. Aí todo mundo repete / Eu sábado vou rodar / Criança de domingo / Crianca de domingo / Sem sabe guiar / Sem saber guiar / Criança de domingo. Aí todo mundo / Criança de Domingo /. Quando eu escutei a música parecia que ia entrar um mural depois. Porque ele termina a loa / Criança de domingo / o pessoal replica e aí entra a batucada. Aí para a batucada e continua a loa. / Amanhã tem mais / Amanhã tem mais / Faça chuva ou Sol / Amo o meu domingo /. Você já ouviu o Zé Limeira do Mestre Ambrósio? É um clipe que passa na MTV. Quando ele canta / Se Zé Limeira sambasse maracatu /, e aí todo mundo responde. Foi isso que eu vi em “Criança de Domingo”. Só que não rolou um maracatu. Mas é a coisa da loa, do jeito de cantar.


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