UpToDate - Mar/98

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Por Onde Andará Stephen Fry

Zeca Baleiro

Cod. 011241-2 / MZA / PolyGram

UM DOS PRINCIPAIS FATORES em Zeca Baleiro que determinaram a rápida mas firme conquista de crítica e público está neste seu primeiro CD, e que aparece muito mais ampliado em seus shows, ou seja, uma integridade artística tranqüila e inegável. Uma forte personalidade musical.

MESMO COM UMA HISTÓRIA musical de 500 composições, shows, viagens e parcerias realizadas, o primeiro disco de Zeca Baleiro surge com uma incrível impressão de maturidade. É o trabalho de quem sabia realmente o que queria, e essa certeza transparece nessa serenidade artística. Não é à toa que Gal Costa convidou Zeca para o seu último álbum Acústico, e quer gravar músicas dele para seu próximo disco, atraída pelo que ela declara ser "um dos músicos mais cool" que ela conheceu.

OU SEJA, para o primeiro disco de um músico, não se percebe a habitual ansiedade ou as irregularidades características das primeiras obras. Isso se deve não apenas à sua voz um tanto grave, que trabalha com folga necessária dentro dos limites de sua extensão, e por sua interpretação marcante que não traz referências imediatas à nossa memória musical. A esses fatores, juntam-se a qualidade de suas composições, os arranjos musicais e a própria edição dos temas no CD. Com esse disco, Zeca está sendo descoberto não apenas como um ótimo cantor, mas também como um excelente compositor. Vários intérpretes no Brasil já se agitam para conseguir suas músicas numa certa "corrida do ouro musical".

AINDA QUE TEMAS MAIS FESTIVOS como "Heavy Metal do Senhor", "Mamãe Oxum" ou "Pedra de Responsa" convivam no álbum com outros mais delicados e introspectivos como "Stephen Fry", "Bandeira" e "Flor da Pele", a audição geral do disco revela uma uniformidade de extremo prazer e bom gosto.

VÁRIAS INFLUÊNCIAS e gostos musicais de Zeca Baleiro estão no álbum, do reggae em "Dodói" e "Salão de Beleza", do pagode em "Kid Vinil", do rock-baião-de-cordel em "Heavy Metal do Senhor", do tecno-xaxado de "O Parque de Juraci", e das sublimes baladas em "Flor da Pele" e "Stephen Fry".

OS ELEMENTOS MUSICAIS mais marcantes do Nordeste não aparecem na obra de Zeca Baleiro como "transposições turísticas musicais de apelo fácil para ouvidos mais urbanos". Não importa quais e quantas sejam suas influências e bagagens musicais, o grande achado em Zeca Baleiro é que tudo isso não passa imune ao seu crivo e universo musical singular.

ZECA BALEIRO É um desses músicos que aparecem de dez em dez anos e que traduzem tudo à sua volta ao seu código particular e de grande apelo. Zeca une sofisticação ao gosto popular numa síntese da história da música brasileira. É um novo e longo capítulo da música brasileira que está sendo inaugurado.

W.S.

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