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Uma mudança
no ar
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| Lula
nas capas de VEJA, nas três campanhas anteriores |
Os fracassos
sucessivos do candidato petista em eleições presidenciais
deram origem a uma piada. Segundo ela, só existem duas certezas
nessas eleições. A primeira é que Lula chegará
ao segundo turno. A segunda é que o candidato eleito será
seu adversário. Saiu na semana passada a mais recente bateria de
pesquisas sobre as intenções de voto para a próxima
eleição presidencial. Nos dois levantamentos divulgados,
se a eleição fosse hoje, Luís Inácio Lula
da Silva teria o dobro de votos do segundo colocado.
As pesquisas
que anunciam a liderança folgada de Lula devem ser encaradas como
um instantâneo, um retrato tirado mais de um ano antes das eleições.
Nas disputas anteriores, Lula vinha forte enquanto não aparecia
alguém à altura de enfrentá-lo. Esse alguém
sempre surgiu para tomar-lhe o troféu na última hora. A
fragilidade de Lula sempre esteve nele próprio e em seu partido.
O PT de Lula assusta a opinião pública há décadas
com seu radicalismo. O clima hoje é um pouco diferente e
é isso que mostra a reportagem de VEJA desta semana sobre o PT.
Lula aparece com mais chances do que nunca de alcançar a vitória.
Além de obter a preferência de quase um terço dos
eleitores no momento, ele tem conseguido diminuir sua taxa de rejeição.
Mais que tudo, o PT fez concessões às inclinações
do eleitorado. Pelo menos em público, parou de falar em virar o
país do avesso com a aplicação de sua utopia socializante.
Já aceita as regras básicas do jogo democrático e
da economia capitalista.
Ao mesmo
tempo, os brasileiros passaram a valorizar mais a interferência
do Estado no domínio privado e a ver aspectos negativos em bandeiras
do governo atual, como as privatizações. Esse traço
do eleitorado não é uma reação do momento,
provocada por fenômenos passageiros, como a crise energética
e a do câmbio. Foi apurado em pesquisas antes do racionamento de
energia e da explosão do dólar. Essa conjunção
de fatores não significa que o petista esteja a caminho do Planalto.
Mas torna sua jornada menos acidentada. Veja
reportagem.
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