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Edição 1 707 - 4 de julho de 2001
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Uma mudança no ar


Lula nas capas de VEJA, nas três campanhas anteriores

Os fracassos sucessivos do candidato petista em eleições presidenciais deram origem a uma piada. Segundo ela, só existem duas certezas nessas eleições. A primeira é que Lula chegará ao segundo turno. A segunda é que o candidato eleito será seu adversário. Saiu na semana passada a mais recente bateria de pesquisas sobre as intenções de voto para a próxima eleição presidencial. Nos dois levantamentos divulgados, se a eleição fosse hoje, Luís Inácio Lula da Silva teria o dobro de votos do segundo colocado.

As pesquisas que anunciam a liderança folgada de Lula devem ser encaradas como um instantâneo, um retrato tirado mais de um ano antes das eleições. Nas disputas anteriores, Lula vinha forte enquanto não aparecia alguém à altura de enfrentá-lo. Esse alguém sempre surgiu para tomar-lhe o troféu na última hora. A fragilidade de Lula sempre esteve nele próprio e em seu partido. O PT de Lula assusta a opinião pública há décadas com seu radicalismo. O clima hoje é um pouco diferente e é isso que mostra a reportagem de VEJA desta semana sobre o PT. Lula aparece com mais chances do que nunca de alcançar a vitória. Além de obter a preferência de quase um terço dos eleitores no momento, ele tem conseguido diminuir sua taxa de rejeição. Mais que tudo, o PT fez concessões às inclinações do eleitorado. Pelo menos em público, parou de falar em virar o país do avesso com a aplicação de sua utopia socializante. Já aceita as regras básicas do jogo democrático e da economia capitalista.

Ao mesmo tempo, os brasileiros passaram a valorizar mais a interferência do Estado no domínio privado e a ver aspectos negativos em bandeiras do governo atual, como as privatizações. Esse traço do eleitorado não é uma reação do momento, provocada por fenômenos passageiros, como a crise energética e a do câmbio. Foi apurado em pesquisas antes do racionamento de energia e da explosão do dólar. Essa conjunção de fatores não significa que o petista esteja a caminho do Planalto. Mas torna sua jornada menos acidentada. Veja reportagem.

 
 
   
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