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Entre as
várias excelentes reportagens de VEJA da semana passada, "O poder
da inteligência" (27 de junho) se destaca pela precisão e
felicidade da abordagem. É reconfortante saber que, depois de anos
de rejeição tão grande aos testes de QI, que chegaram
a ser proibidos nas escolas dos EUA, eles voltam a ser adotados e respeitados.
Espero que
esse aumento do quociente de inteligência da população
mundial seja manipulado de forma a conciliar os interesses do homem moderno
com a manutenção do planeta Terra e, conseqüentemente,
da vida. De que adianta
ter um aumento no nível de inteligência se o homem é
incapaz de utilizá-la para resolver seus problemas mais básicos?
Apesar de
ser muito interessante ter QI acima da média, o que mais pesa positivamente
para o nosso sucesso enquanto seres humanos, no sentido pleno da palavra,
é a capacidade de perceber nitidamente os direitos e deveres dos
outros. Para que ao exercermos nossos direitos e deveres não ignoremos
nossos companheiros de jornada, desrespeitando-os. Ou seja: praticar a
solidariedade, praticar de peito aberto a cidadania, ter respeito, ter
empatia!
Excelente
a entrevista com o psiquiatra Jorge Alberto Costa e Silva (Amarelas, 27
de junho). Tenho depressão e já fui diagnosticado como neurótico,
ou seja, tomei um remédio que não era para mim. Muitos médicos
fazem diagnóstico errado do paciente, e o resultado é que
transformam uma pessoa normal num doido de pedra. Em tempos
de discussão sobre a quebra de patentes de remédios indispensáveis
à dignidade de muitos doentes mundo afora, é importante
ouvir de um ex-integrante da OMS como interagem os interesses abusivos
da indústria farmacêutica. Ao menos alguém sabe que
nossas moléstias são controladas por grandes laboratórios.
Incrível.
Não apenas a conclusão lógica sobre tratamento térmico
de nossos ambientes tropicais por parte do sempre brilhante Claudio de
Moura Castro ("A orangerie tropical", 27 de junho), mas, principalmente,
porque partiu de um educador, e não de um arquiteto. É bom
que nossos arquitetos atentem e atendam à recomendação
dele, já que os "curtains walls" (paredes envidraçadas),
que tanto fazem parte de nossa arquitetura contemporânea, não
combinam muito bem com este país tropical.
Quero cumprimentar
VEJA pela reportagem "Coréia dá de dez" (20 de junho), por
chamar a atenção para nossas graves deficiências na
geração de tecnologia, o que nos conduz a uma crescente
dependência tecnológica que resulta em aumento preocupante
da conta de royalties e licenciamentos, hoje já ultrapassando anualmente
os 2 bilhões de dólares. O setor produtivo brasileiro e
a sociedade precisam mobilizar-se para fazer o que Coréia e Taiwan
realizaram, e hoje até a China e a Índia estão começando
a fazer (em software): tornar a geração própria de
inovações tecnológicas em centro do projeto de país,
em fator de tração para o seu crescimento.
É
necessária uma boa dose de erudição, argumentação
e cultura, além de coragem, para escrever um artigo como o de Diogo
Mainardi sobre o barroco brasileiro. Enganam-se aqueles que confundem
essa lucidez com um sentimento "antibrasileiro", pois não se constrói
uma tradição cultural a partir de aproximações
simplistas e arrogantes daqueles que se intitulam "especialistas" no tema.
VEJA está de parabéns por dar oportunidade a um articulista
desse quilate, ao mesmo tempo que não propicia a reprodução
do pensamento único (Diogo Mainardi, "Santos ridículos",
27 de junho). O barroco
brasileiro é reconhecido mundialmente como um dos mais belos e
deve ser respeitado como parte de nossa história e expressão
de um povo sofrido, ou será que o senhor de engenho Diogo Mainardi
também acha que os escravos que "talhavam" nosso barroco não
tinham alma?
Não
sou expert em política e tenho como princípio não
fazer julgamento do que conheço pouco ou do que dependo de outros
para formar opinião. Portanto, é claro que não estou
definindo o Partido dos Trabalhadores conforme minha sensibilidade, mas
era isso exatamente o que eu imaginava do PT, e a reportagem apenas confirma:
quer o poder e depois não vai saber o que fazer. Isso me assusta,
pois não tenho planos de mudar do Brasil ("A vidraça do
PT", 27 de junho). Não
concordo com as críticas feitas ao programa de governo do PT em
muitos pontos. Primeiro, quanto à Alca. Rejeitar a Alca não
é recusar a realidade nem antiamericanismo. Uma nação
que financiou ditaduras na África e nas Américas a pretexto
de defender a liberdade e que recentemente recusou o Protocolo de Kioto
não é confiável para simplesmente estabelecer as
regras da Alca e impô-las aos demais países americanos, como
tem sido feito.
Mais uma
vez VEJA foi a pioneira em tocar num assunto em que eu acreditava que
a imprensa jamais tocaria. O jornalismo de "favor", o "toma-lá-dá-cá",
quantas dessas colunas e desses artigos que lemos foram feitos sob encomenda,
influindo e muito em nossas opiniões e decisões? O assunto
é delicado, mas muito importante para a democracia. A imprensa
é a palavra mais forte que temos. Não podemos permitir esse
tipo de contaminação. Parabéns a VEJA pelo alerta.
Vamos ficar atentos ("Os bastidores de uma guerra", 27 de junho).
A religião
consegue façanhas que nenhum segmento da sociedade consegue. Os
pastores, com seu poder de persuasão, fizeram com que o escabroso
artista Rodolfo abandonasse o execrável conjunto Raimundos para
se converter em devoto de igreja. Coisas da religião ("Que Deus
o abençoe", 27 de junho). VEJA foi
muito infeliz ao dizer: "(...) o herói que liquidou com uma das
bandas mais desagradáveis do rock nacional". A revista deveria
apenas mostrar os fatos, e não sua opinião.
Diferentemente
do que foi publicado na seção Veja essa (27 de junho), não
é um papagaio que está sendo o pivô de uma briga judicial
na China, mas sim um mainá, pássaro que reproduz melhor
que o papagaio a fala humana.
Qual o problema
de uma mulher gerar um filho com a ajuda de seu irmão? O problema
é da sociedade em geral, que se preocupa demais com a vida alheia.
Para ela não interessa se o povo aprova ou não. Deixem-na
viver em paz ("Incesto de proveta", 27 de junho)!
Parabenizo
a equipe de VEJA pela qualidade do trabalho realizado em relação
aos bares e restaurantes do Recife. Um guia prático, objetivo e,
sobretudo, de extremo bom gosto.
Com relação
à reportagem sobre a crise que afeta o mercado de planos de saúde
("O estado é muito grave", 13 de junho), ressaltamos que o momento
é de extrema gravidade, não só para as empresas de
medicina de grupo e seus usuários como também para as unidades
hospitalares. Enquanto os convênios continuam efetuando reajustes
autorizados pelo governo em suas mensalidades, esses estabelecimentos
não recebem nenhum aumento em suas diárias e taxas há
mais de três anos, o que vem inviabilizando sua sobrevivência.
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