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Qual
é a sua, PT?
"Sayad,
Belluzzo? Se
o PT
queria tranqüilizar
o mercado,
era melhor continuar falando
em revolução
socialista"
Acaba
de sair a notícia de que o general francês Paul Aussaresses
ensinou técnicas de tortura e assassinato às ditaduras da
América Latina. Ele foi adido militar no Brasil entre 1973 e 1975.
Bom amigo do ex-presidente Figueiredo. Aperfeiçoou as técnicas
de tortura e assassinato durante as guerras da Indochina e da Argélia.
Ironicamente, duas guerras em que os franceses saíram com o rabo
entre as pernas. O ponto, porém, é outro: até para
torturar e matar precisávamos de ajuda do Primeiro Mundo.
Agora, felizmente, a coisa se inverteu. Em Gênova, de 20 a 22 de
julho, irá se realizar a cúpula dos países mais ricos
do planeta, o G-8. A moçada antiglobalizante promete levar 150.000
manifestantes às ruas, protestando contra os alimentos transgênicos,
o efeito estufa e a dívida do Terceiro Mundo. Muitos deles parecem
prontos para a batalha, que consiste em jogar pedra na polícia,
incendiar viaturas e depredar lanchonetes McDonald's. Usam uniforme branco,
colete salva-vidas, capacete de motociclista e óculos de metalúrgico.
Para evitar o confronto com os antiglobalizantes, o governo italiano chegou
a cogitar a transferência da cúpula do G-8 para um navio
ancorado diante de Gênova. Depois voltou atrás. Conforme
previsto, a cúpula acontecerá no centro da cidade, que será
cercado por policiais, formando a chamada linha vermelha. Os manifestantes
ficam do lado de fora dessa linha. Quem tentar violá-la leva cacetada
e gás lacrimogêneo. O clima é de estado de sítio.
Nos três dias de cúpula, por exemplo, os genoveses que moram
no interior da linha vermelha nem poderão despejar os sacos de
lixo, porque existe o temor de que eles escondam bombas. Boa parte dos
moradores da cidade pretende sair de férias durante o período.
O jornal La Repubblica traçou o perfil dos antiglobalizantes.
Entre seus pontos de referência, há uma série de brasileiros.
Ou seja, ao contrário do que ocorria durante a ditadura militar,
agora somos nós que exportamos os modelos de batalha social para
o Primeiro Mundo. Um dos ídolos dos manifestantes é o líder
do MST, João Pedro Stedile. Na lista de preferências dos
antiglobalizantes, o MST conseguiu tomar o lugar do exército zapatista,
que foi domesticado pelo governo mexicano, e das Farc, a guerrilha colombiana
que preferiu dedicar-se ao mais rentável tráfico de drogas.
Outros numes do "povo de Seattle" são Leonardo Boff e frei Betto,
as duas estrelas da Teologia da Libertação. O fotógrafo
Sebastião Salgado também é citado pelo jornal. Assim
como o PT. Mas é difícil saber se o PT, depois de apresentar
suas novas diretrizes econômicas, ainda fará parte desse
grupo. Parece que o objetivo do PT era acalmar o mercado, demonstrando
que se livrou de uma vez por todas de suas bobagens socializantes. Para
isso, convocou economistas externos ao partido, como João Sayad
e Luiz Gonzaga Belluzzo. O primeiro foi ministro de Sarney. O segundo
assessorou Quércia. Ambos são mentores do Plano Cruzado.
Quando o Plano Cruzado foi instituído, o Brasil tinha uma inflação
de 235,5% ao ano, mas podia contar com superávit na balança
comercial, um bom volume de reservas e déficit público praticamente
inexistente. Um ano depois, a inflação continuava alta e
o buraco nas contas públicas era tão grande que o país
precisou decretar moratória. Se o PT queria tranqüilizar o
mercado, era melhor continuar falando em revolução socialista.
Com a vantagem de que não correria o risco de perder a admiração
da moçada antiglobalizante.
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