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Edição 1 707 - 4 de julho de 2001
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Qual é a sua, PT?

"Sayad, Belluzzo? Se o PT
queria
tranqüilizar o mercado,
era melhor continuar falando
em
revolução socialista"

Acaba de sair a notícia de que o general francês Paul Aussaresses ensinou técnicas de tortura e assassinato às ditaduras da América Latina. Ele foi adido militar no Brasil entre 1973 e 1975. Bom amigo do ex-presidente Figueiredo. Aperfeiçoou as técnicas de tortura e assassinato durante as guerras da Indochina e da Argélia. Ironicamente, duas guerras em que os franceses saíram com o rabo entre as pernas. O ponto, porém, é outro: até para torturar e matar precisávamos de ajuda do Primeiro Mundo.

Agora, felizmente, a coisa se inverteu. Em Gênova, de 20 a 22 de julho, irá se realizar a cúpula dos países mais ricos do planeta, o G-8. A moçada antiglobalizante promete levar 150.000 manifestantes às ruas, protestando contra os alimentos transgênicos, o efeito estufa e a dívida do Terceiro Mundo. Muitos deles parecem prontos para a batalha, que consiste em jogar pedra na polícia, incendiar viaturas e depredar lanchonetes McDonald's. Usam uniforme branco, colete salva-vidas, capacete de motociclista e óculos de metalúrgico. Para evitar o confronto com os antiglobalizantes, o governo italiano chegou a cogitar a transferência da cúpula do G-8 para um navio ancorado diante de Gênova. Depois voltou atrás. Conforme previsto, a cúpula acontecerá no centro da cidade, que será cercado por policiais, formando a chamada linha vermelha. Os manifestantes ficam do lado de fora dessa linha. Quem tentar violá-la leva cacetada e gás lacrimogêneo. O clima é de estado de sítio. Nos três dias de cúpula, por exemplo, os genoveses que moram no interior da linha vermelha nem poderão despejar os sacos de lixo, porque existe o temor de que eles escondam bombas. Boa parte dos moradores da cidade pretende sair de férias durante o período.

O jornal La Repubblica traçou o perfil dos antiglobalizantes. Entre seus pontos de referência, há uma série de brasileiros. Ou seja, ao contrário do que ocorria durante a ditadura militar, agora somos nós que exportamos os modelos de batalha social para o Primeiro Mundo. Um dos ídolos dos manifestantes é o líder do MST, João Pedro Stedile. Na lista de preferências dos antiglobalizantes, o MST conseguiu tomar o lugar do exército zapatista, que foi domesticado pelo governo mexicano, e das Farc, a guerrilha colombiana que preferiu dedicar-se ao mais rentável tráfico de drogas. Outros numes do "povo de Seattle" são Leonardo Boff e frei Betto, as duas estrelas da Teologia da Libertação. O fotógrafo Sebastião Salgado também é citado pelo jornal. Assim como o PT. Mas é difícil saber se o PT, depois de apresentar suas novas diretrizes econômicas, ainda fará parte desse grupo. Parece que o objetivo do PT era acalmar o mercado, demonstrando que se livrou de uma vez por todas de suas bobagens socializantes. Para isso, convocou economistas externos ao partido, como João Sayad e Luiz Gonzaga Belluzzo. O primeiro foi ministro de Sarney. O segundo assessorou Quércia. Ambos são mentores do Plano Cruzado. Quando o Plano Cruzado foi instituído, o Brasil tinha uma inflação de 235,5% ao ano, mas podia contar com superávit na balança comercial, um bom volume de reservas e déficit público praticamente inexistente. Um ano depois, a inflação continuava alta e o buraco nas contas públicas era tão grande que o país precisou decretar moratória. Se o PT queria tranqüilizar o mercado, era melhor continuar falando em revolução socialista. Com a vantagem de que não correria o risco de perder a admiração da moçada antiglobalizante.

 
 
   
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