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Edição 1 707 - 4 de julho de 2001
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A vez do neto

Aécio Neves carrega bem a herança

Malu Gaspar


José Paulo Lacerda/AE
Ana Araújo
Aécio Neves, no exercício da Presidência da República: uma boa surpresa A caneta Parker, de Tancredo

O tucano mineiro Aécio Neves, 41 anos, chegou a Brasília para exercer o primeiro mandato de deputado em 1987. Seu currículo político, no plano nacional, limitava-se a um dado biográfico: neto de Tancredo Neves, fora seu secretário na jornada que o levou à Presidência da República em 1985, quando o avô morreu sem ter assumido o cargo 37 dias depois da data da posse. Durante anos, Aécio comportou-se como um político sem grande expressão, mas neto de Tancredo. Sempre que se aproximava a sucessão à presidência da Câmara, o deputado espalhava que seria candidato. Nem seus colegas do PSDB levavam seu pleito a sério. Na última eleição, Aécio surpreendeu pela firmeza com que encarou o desafio de comandar a Casa. Passou a rasteira em cobras criadas, como o pefelista Inocêncio Oliveira, e ganhou a parada. Na semana passada, com a viagem à Bolívia do presidente e do vice, assumiu o Palácio do Planalto por 77 horas. Assinou o termo de posse com a caneta Parker 51, folheada a ouro, de 1962, que o avô planejava usar na solenidade que nunca ocorreu.

No comando da Câmara, cargo que exerce desde fevereiro passado, o deputado conseguiu dar alguma visibilidade à Casa, sufocada pela infinita capacidade do Senado de produzir escândalos. Encaminhou a votação da lei sobre as sociedades anônimas e a da extinção gradativa dos manicômios, que circulavam pela Câmara fazia mais de uma década. Também começou a mudar a direção da Casa, desencastelando funcionários que ocupavam a mesma função havia vinte anos. Sua principal promessa de campanha é espinhosa: limitar a edição de medidas provisórias pelo governo. Uma parte já foi feita: num grande acordo, a limitação das MPs foi aprovada em primeiro turno, com apenas um voto contra.

Na semana passada, Aécio Neves comportou-se com correção em sua interinidade no Palácio do Planalto. Assumiu dizendo que tomara um chá "contra a mosca azul" e escancarou as portas do palácio aos políticos. Recebeu 136 deputados, incluindo petistas que nunca põem os pés por ali, e uma delegação de setenta prefeitos do Paraná. "Desde que iniciei meu mandato, nunca tinha passado nesse palácio. Agora, desde que Aécio tomou posse, já vim duas vezes", festejou o deputado Lincoln Portela, do PSL mineiro. Apesar do movimento, não se viu no Planalto um clima de deslumbramento como o protagonizado pelo deputado Paes de Andrade, que, ao assumir a Presidência da República em 1989, encheu um avião com 63 pessoas para, em missão oficial, aparecer como presidente em sua terra natal, Mombaça, no Ceará.

 
 
   
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