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A
vez do neto
Aécio Neves carrega bem
a herança
Malu
Gaspar
José Paulo Lacerda/AE
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Ana Araújo
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Aécio Neves, no exercício da Presidência da República: uma boa surpresa
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A
caneta Parker, de Tancredo |
O
tucano mineiro Aécio Neves, 41 anos, chegou a Brasília para
exercer o primeiro mandato de deputado em 1987. Seu currículo político,
no plano nacional, limitava-se a um dado biográfico: neto de Tancredo
Neves, fora seu secretário na jornada que o levou à Presidência
da República em 1985, quando o avô morreu sem ter assumido
o cargo 37 dias depois da data da posse. Durante anos, Aécio comportou-se
como um político sem grande expressão, mas neto de Tancredo.
Sempre que se aproximava a sucessão à presidência
da Câmara, o deputado espalhava que seria candidato. Nem seus colegas
do PSDB levavam seu pleito a sério. Na última eleição,
Aécio surpreendeu pela firmeza com que encarou o desafio de comandar
a Casa. Passou a rasteira em cobras criadas, como o pefelista Inocêncio
Oliveira, e ganhou a parada. Na semana passada, com a viagem à
Bolívia do presidente e do vice, assumiu o Palácio do Planalto
por 77 horas. Assinou o termo de posse com a caneta Parker 51, folheada
a ouro, de 1962, que o avô planejava usar na solenidade que nunca
ocorreu.
No comando da Câmara, cargo que exerce desde fevereiro passado,
o deputado conseguiu dar alguma visibilidade à Casa, sufocada pela
infinita capacidade do Senado de produzir escândalos. Encaminhou
a votação da lei sobre as sociedades anônimas e a
da extinção gradativa dos manicômios, que circulavam
pela Câmara fazia mais de uma década. Também começou
a mudar a direção da Casa, desencastelando funcionários
que ocupavam a mesma função havia vinte anos. Sua principal
promessa de campanha é espinhosa: limitar a edição
de medidas provisórias pelo governo. Uma parte já foi feita:
num grande acordo, a limitação das MPs foi aprovada em primeiro
turno, com apenas um voto contra.
Na semana passada, Aécio Neves comportou-se com correção
em sua interinidade no Palácio do Planalto. Assumiu dizendo que
tomara um chá "contra a mosca azul" e escancarou as portas do palácio
aos políticos. Recebeu 136 deputados, incluindo petistas que nunca
põem os pés por ali, e uma delegação de setenta
prefeitos do Paraná. "Desde que iniciei meu mandato, nunca tinha
passado nesse palácio. Agora, desde que Aécio tomou posse,
já vim duas vezes", festejou o deputado Lincoln Portela, do PSL
mineiro. Apesar do movimento, não se viu no Planalto um clima de
deslumbramento como o protagonizado pelo deputado Paes de Andrade, que,
ao assumir a Presidência da República em 1989, encheu um
avião com 63 pessoas para, em missão oficial, aparecer como
presidente em sua terra natal, Mombaça, no Ceará.
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