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A
rede explica
Por
essa Freud não esperava:
tem gente usando
a internet
para fazer psicoterapia
Montagem sobre foto Marco Pinto
 |
A
lista de serviços disponíveis na internet ganhou um reforço
curioso: a terapia on-line. Em vez de discutirem seus problemas deitados
num confortável divã, os pacientes trocam e-mails e conversam
com os psicólogos através de chats especiais. Nos consultórios
cibernéticos mais sofisticados, as sessões ocorrem com sistema
de áudio e câmaras de vídeo acoplados aos micros.
A prática começou a virar moda nos Estados Unidos em 1995,
com pouco mais de uma dezena de profissionais trabalhando dessa forma.
Hoje já existem mais de 800 "e-terapeutas", como foram batizados.
Recentemente, endereços desse tipo começaram a proliferar
em outros países, como Inglaterra e Austrália. Nas páginas
não faltam relatos de pessoas elogiando o sistema. "Gostaria de
encorajar todos os que sofrem de timidez a tentar a e-terapia", escreveu
o usuário de um consultório virtual americano. "Eu sobrevivi
durante anos fechado em uma jaula e finalmente sinto que as portas se
abriram."
Antes de começar as sessões, o internauta preenche um formulário
com dados pessoais, entre os quais figura o mais importante deles. Qual?
O cartão de crédito, caro paciente. Em seguida recebe uma
senha e passa a se comunicar com um dos especialistas disponíveis
no chat. De acordo com os usuários, existem várias vantagens
na utilização do sistema. Em primeiro lugar, a psicoterapia
on-line custa um pouco mais barato (para padrões americanos, claro).
Sai por 60 dólares em média a sessão, metade do custo
da terapia tradicional nos Estados Unidos. A vantagem indiscutível
é não ter de se expor. Muita gente se sente mais à
vontade para falar abertamente sobre sua vida através do computador
do que cara a cara com um especialista. A falta de contato pessoal entre
os pacientes e os psicólogos, no entanto, tem provocado certa polêmica.
Os críticos argumentam que é muito mais difícil perceber
se o usuário está mentindo ou ocultando informações
importantes. Do outro lado da linha pode estar um suicida em potencial,
que não considera seu problema tão sério assim. "Uma
relação de confiança é o cerne de uma terapia
de primeira qualidade, e não é possível desenvolvê-la
olhando para uma tela de computador", diz Sherry Turkle, psicóloga
do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. No Brasil, desde o fim do
ano passado esse tipo de serviço está proibido pelo Conselho
Federal de Psicologia, até que um grupo de estudo prepare um relatório
completo sobre o assunto.
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