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Edição 1 707 - 4 de julho de 2001
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Elas se mexem

Paciente submetido a transplante
de mãos recupera movimentos


AFP
Denis Chatelier: conexões cerebrais restabelecidas


A última edição da revista científica inglesa Nature Neuroscience traz a história do francês Denis Chatelier, um pintor de paredes de 34 anos. Em 1996, ao manipular um rojão, ele perdeu as duas mãos. Quatro anos depois, as próteses que utilizava até então foram substituídas pelas mãos de um doador. Apesar do sucesso do transplante duplo – o primeiro da história da medicina –, imaginava-se que Chatelier não conseguiria movimentar totalmente as mãos. Para surpresa dos médicos, no entanto, ele hoje escova os dentes, segura o telefone e afaga os filhos. A sua recuperação ilustra a espantosa capacidade de adaptação cerebral. Poucos meses após a cirurgia, imagens obtidas por meio de exames de ressonância magnética funcional constataram que o cérebro do pintor havia reconhecido as novas mãos e reativara as áreas responsáveis pelo controle delas. Já se sabia que, quando lesionado, o cérebro pode transferir uma função originária de determinada região para outra parte do órgão. Quanto mais jovem o paciente, maior é a chance de isso ocorrer. O caso de Chatelier chama a atenção porque ele recebeu as novas mãos aos 33 anos – idade em que, pensava-se, ele estaria velho demais para ter restabelecidas conexões mais intrincadas. Além disso, é a primeira vez que se verifica essa capacidade em um cérebro intacto.


   
 
   
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