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Edição 1 707 - 4 de julho de 2001
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Luxo e variedade

Grupos estrangeiros investem
bilhões de dólares e melhoram a
qualidade da hotelaria no Brasil

Angela Nunes


Ana Araújo
O Blue Tree em Brasília: 1 000 quartos e tom vermelho ofuscante na fachada

Durante décadas, a área de hotelaria no Brasil permaneceu praticamente estagnada. Diversos estabelecimentos foram inaugurados, mas não se podia falar em excelência nesse campo. Qualquer pessoa que colocasse os pés no exterior podia conferir in loco o descompasso entre o serviço oferecido por aqui e em outras partes do mundo. A abertura de mercado, que operou transformações significativas em vários setores, livrou a hotelaria nacional do cheiro de mofo. Nos últimos anos, ocorreu uma enorme modernização, que atinge agora seu momento mais expressivo. Nunca houve tantos estabelecimentos em construção como agora. De acordo com estimativas da Embratur, a empresa estatal de turismo, há mais de 300 hotéis sendo erguidos no país, que vão injetar na economia algo como 6 bilhões de dólares nos próximos três anos. Calcula-se que, quando o conjunto estiver funcionando, poderá gerar mais de 140.000 empregos diretos. A Accor, de origem francesa, maior rede do país, detentora das marcas Mercure, Novotel e Ibis, fará 69 novos hotéis e flats até 2003. Com investimentos de 850 milhões de reais, o grupo está inaugurando em média um estabelecimento a cada duas semanas. Uma de suas principais concorrentes, a americana Atlantica Hotels International, não fica muito atrás: está erguendo 58 empreendimentos.

 
Claudio Rossi
O superluxuoso Emiliano: mais de dois funcionários para cada hóspede

Boa parte dos novos investimentos concentra-se em São Paulo, na tentativa de abocanhar a fatia crescente do chamado turismo de negócios. Para adaptar-se às necessidades desses clientes encontram-se até mesmo quartos que se transformam em escritórios. Num deles, a cama é rebatível e some para dar mais espaço à mesa de trabalho. Graças à quantidade de dinheiro que está jorrando no setor, as vagas disponíveis nos estabelecimentos da cidade devem dobrar nos próximos dois anos, chegando à marca de 50.000 leitos. Foram retomadas inclusive as obras de um antigo esqueleto de prédio, que permaneceu abandonado durante trinta anos na beirada da Marginal Tietê. Outras capitais, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador, também se beneficiaram com a onda. Até mesmo Brasília, que era coalhada de hotéis em forma de caixotes espremidos em meio a prédios comerciais, ganhou novidades. Ali foi inaugurado recentemente o complexo Blue Tree, com quase 1.000 quartos e centros de convenções capazes de reunir 2 500 visitantes. O empreendimento é agradável para quem se hospeda, mas brinca-se que pode fazer mal aos olhos. Motivo: a cor utilizada no revestimento das paredes externas é um vermelho para lá de ofuscante.

 
Divulgação
Rogerio Montenegro
O projeto do Anhembi: obras retomadas depois de trinta anos de paralisação

As transformações nesse setor começaram a tomar corpo em meados da década de 90 e mexeram com todo o mercado hoteleiro – dos hotéis mais modestos aos luxuosos cinco-estrelas. Em qualquer um desses extremos, os hóspedes saíram ganhando. Numa ponta surgiram os chamados supereconômicos. Com diárias inferiores a 40 reais, eles têm quadro reduzido de funcionários e o serviço de quarto é substituído por máquinas automáticas de café, salgadinhos e refrigerantes. No essencial – leia-se conforto – não há economia. Na outra ponta, a dos superluxuosos, a concorrência também aumentou. Tome-se como exemplo um dos novatos no mercado, o Emiliano. Fincado numa das áreas mais nobres de São Paulo, ele oferece diárias a partir de 330 dólares, em quartos com área superior a 40 metros quadrados. Nas melhores suítes, o hóspede tem à disposição um home theater completo. O hotel possui também uma respeitável equipe de funcionários. São mais de dois por hóspede. Chega a ser o dobro do que possui um concorrente do mesmo nível. Seguindo uma tendência já registrada em outros países, o mercado começou recentemente a passar pelo fenômeno da segmentação. Nos hotéis design, por exemplo, quase tudo é exclusivo, criado por especialistas da área – cama, sofá, quadros, esculturas. Surgiram também estabelecimentos preparados especialmente para idosos, com barras de apoio e botões de emergência para chamar enfermeiros espalhados pelos corredores. E quem se recupera de uma cirurgia pode hospedar-se hoje em hotéis construídos na vizinhança dos melhores hospitais do país. O cheiro de mofo, definitivamente, ficou para trás.

 
Fotos Regis Filho
Fotos Regis Filho
Um fenômeno recente do mercado, os hotéis preparados especialmente para executivos oferecem acesso rápido à internet e quartos que se transformam em escritórios num piscar de olhos



   
 
   
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