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Luxo
e variedade
Grupos estrangeiros investem
bilhões de dólares e melhoram a
qualidade da hotelaria no Brasil
Angela Nunes
Ana Araújo
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| O
Blue Tree em Brasília: 1 000 quartos e tom vermelho ofuscante na fachada |
Durante
décadas, a área de hotelaria no Brasil permaneceu praticamente
estagnada. Diversos estabelecimentos foram inaugurados, mas não
se podia falar em excelência nesse campo. Qualquer pessoa que colocasse
os pés no exterior podia conferir in loco o descompasso entre o
serviço oferecido por aqui e em outras partes do mundo. A abertura
de mercado, que operou transformações significativas em
vários setores, livrou a hotelaria nacional do cheiro de mofo.
Nos últimos anos, ocorreu uma enorme modernização,
que atinge agora seu momento mais expressivo. Nunca houve tantos estabelecimentos
em construção como agora. De acordo com estimativas da Embratur,
a empresa estatal de turismo, há mais de 300 hotéis sendo
erguidos no país, que vão injetar na economia algo como
6 bilhões de dólares nos próximos três anos.
Calcula-se que, quando o conjunto estiver funcionando, poderá gerar
mais de 140.000 empregos diretos. A Accor, de origem francesa, maior rede
do país, detentora das marcas Mercure, Novotel e Ibis, fará
69 novos hotéis e flats até 2003. Com investimentos de 850
milhões de reais, o grupo está inaugurando em média
um estabelecimento a cada duas semanas. Uma de suas principais concorrentes,
a americana Atlantica Hotels International, não fica muito atrás:
está erguendo 58 empreendimentos.
Claudio Rossi
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superluxuoso Emiliano: mais de dois funcionários para cada hóspede |
Boa
parte dos novos investimentos concentra-se em São Paulo, na tentativa
de abocanhar a fatia crescente do chamado turismo de negócios.
Para adaptar-se às necessidades desses clientes encontram-se até
mesmo quartos que se transformam em escritórios. Num deles, a cama
é rebatível e some para dar mais espaço à
mesa de trabalho. Graças à quantidade de dinheiro que está
jorrando no setor, as vagas disponíveis nos estabelecimentos da
cidade devem dobrar nos próximos dois anos, chegando à marca
de 50.000 leitos. Foram retomadas inclusive as obras de um antigo esqueleto
de prédio, que permaneceu abandonado durante trinta anos na beirada
da Marginal Tietê. Outras capitais, como Belo Horizonte, Rio de
Janeiro, Porto Alegre e Salvador, também se beneficiaram com a
onda. Até mesmo Brasília, que era coalhada de hotéis
em forma de caixotes espremidos em meio a prédios comerciais, ganhou
novidades. Ali foi inaugurado recentemente o complexo Blue Tree, com quase
1.000 quartos e centros de convenções capazes de reunir
2 500 visitantes. O empreendimento é agradável para quem
se hospeda, mas brinca-se que pode fazer mal aos olhos. Motivo: a cor
utilizada no revestimento das paredes externas é um vermelho para
lá de ofuscante.
Divulgação
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Rogerio Montenegro
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| O
projeto do Anhembi: obras retomadas depois de trinta anos de paralisação |
As
transformações nesse setor começaram a tomar corpo
em meados da década de 90 e mexeram com todo o mercado hoteleiro
dos hotéis mais modestos aos luxuosos cinco-estrelas. Em
qualquer um desses extremos, os hóspedes saíram ganhando.
Numa ponta surgiram os chamados supereconômicos. Com diárias
inferiores a 40 reais, eles têm quadro reduzido de funcionários
e o serviço de quarto é substituído por máquinas
automáticas de café, salgadinhos e refrigerantes. No essencial
leia-se conforto não há economia. Na outra
ponta, a dos superluxuosos, a concorrência também aumentou.
Tome-se como exemplo um dos novatos no mercado, o Emiliano. Fincado numa
das áreas mais nobres de São Paulo, ele oferece diárias
a partir de 330 dólares, em quartos com área superior a
40 metros quadrados. Nas melhores suítes, o hóspede tem
à disposição um home theater completo. O hotel possui
também uma respeitável equipe de funcionários. São
mais de dois por hóspede. Chega a ser o dobro do que possui um
concorrente do mesmo nível. Seguindo uma tendência já
registrada em outros países, o mercado começou recentemente
a passar pelo fenômeno da segmentação. Nos hotéis
design, por exemplo, quase tudo é exclusivo, criado por especialistas
da área cama, sofá, quadros, esculturas. Surgiram
também estabelecimentos preparados especialmente para idosos, com
barras de apoio e botões de emergência para chamar enfermeiros
espalhados pelos corredores. E quem se recupera de uma cirurgia pode hospedar-se
hoje em hotéis construídos na vizinhança dos melhores
hospitais do país. O cheiro de mofo, definitivamente, ficou para
trás.
Fotos Regis Filho
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Fotos Regis Filho
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| Um
fenômeno recente do mercado, os hotéis preparados especialmente para
executivos oferecem acesso rápido à internet e quartos que se transformam
em escritórios num piscar de olhos |
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