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Droga no trabalho

Empresas criam programas para
detectar e ajudar
os funcionários
viciados em substâncias químicas

Silvio Ferraz



Claudio Rossi
"Comecei a beber aos 18 anos. Aos poucos, o álcool foi se tornando uma coisa indispensável na minha vida. Logo ao despertar, costumava tomar uma dose alentada de rabo-de-galo, uma mistura de cachaça com vermute. Certa vez, fui trabalhar cheirando a bebida. Meu supervisor notou o problema e me encaminhou à assistente social da empresa. Acabei numa clínica de recuperação. Todos os meus colegas de trabalho estão me apoiando para que eu consiga me livrar do vício."
Vagner, 37 anos, metalúrgico


Doutorado em universidade estrangeira, fluência em vários idiomas, capacidade de liderança. Todos esses predicados podem cair por terra com o resultado de um rotineiro exame de urina. É o teste que já vem sendo aplicado por mais de 400 empresas brasileiras para descobrir se funcionários e candidatos a um emprego – do presidente ao porteiro – consomem drogas, especialmente cocaína, maconha, anfetaminas e álcool. Os testes são aplicados cada vez com mais freqüência, sempre sem data marcada, por um número crescente de corporações. O Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo realiza desde 1992 esse tipo de análise em 315 companhias espalhadas por 22 Estados. O trabalho forma o banco de dados mais extenso e completo sobre o assunto no país. Ao longo de quase uma década, os especialistas da USP já examinaram 12 700 funcionários dos mais diferentes níveis hierárquicos. Até agora, 2% dos testes realizados voltaram do laboratório com o carimbo de positivo. Ou seja, 254 empregados tomaram drogas. Em 58% deles foram encontrados traços de consumo de maconha, cocaína em 24% e anfetaminas em 18%.

O total de consumidores detectados pelos exames dentro das empresas pode parecer pequeno, mas os pesquisadores têm bons argumentos para mostrar que o resultado da USP é estatisticamente relevante. Existem companhias nesse universo que aplicam o teste todo ano e são acompanhadas há muito tempo pelos especialistas. "Nas primeiras baterias de exames, algumas chegam a registrar taxas de consumo acima de 10%", afirma o toxicologista Ovandir Alves Silva, responsável pelo trabalho. "Com o passar do tempo, devido ao trabalho de conscientização feito dentro das corporações e até mesmo ao medo dos funcionários de ser flagrados, o índice tende a cair." Outra razão que indica a relevância da taxa de 2% de usuários detectada nas empresas brasileiras é o perfil das companhias rastreadas pelos pesquisadores. Quase 80% delas pertencem ao setor de transportes – rodoviário, marítimo ou aéreo. Nesse ramo, a presença de qualquer funcionário drogado representa um perigo enorme para a sociedade. "Basta imaginar o estrago que um caminhoneiro sob efeito de anfetaminas pode provocar numa estrada", exemplifica o toxicologista da USP.

No banco de dados da universidade não constam apenas representantes do setor de transportes. Há grandes companhias de outras áreas, como a Esso, a Shell e a Caterpillar. É um perfil semelhante ao registrado pelos dois laboratórios particulares que executam o mesmo tipo de serviço no Brasil – o Fleury e o Maxilab, ambos de São Paulo. "A procura das empresas por esse tipo de exame cresce numa escala impressionante", atesta Adagmar Andriolo, um dos sócios do Fleury. O laboratório começou a ser contratado para fazer esse tipo de teste há dois anos.Hoje, tem dez empresas entre seus clientes e realiza cerca de 1 000 exames em funcionários por ano. "A média de resultados positivos gira em torno de 5%", afirma Andriolo.


Fotos Claudio Rossi
"As empresas apostam na recuperação porque é mais barato reabilitar do que formar um executivo. Sou um caso de recaída. As drogas acabaram com minha carreira profissional. Luto até hoje para me livrar da dependência de álcool, ácido, haxixe e maconha. Estou num momento de profunda reflexão. E, nele, me descubro vivendo um paradoxo. Se sou como sou, um apaixonado pela liberdade, não posso permanecer escravo de nenhuma substância. Desta vez, estou saindo do fundo do poço. Para valer."
Ricardo, 49 anos, economista

A experiência brasileira nesse campo segue o mesmo caminho de trabalhos mais antigos do gênero realizados em outros países. Na década de 80, as empresas de transportes dos Estados Unidos começaram a testar pilotos e caminhoneiros. Depois, o mesmo exame começou a ser feito nos mais diferentes tipos de companhias. Hoje, os americanos examinam por ano 100 milhões de trabalhadores. Comparado a esse número, o programa de testes no Brasil ainda é tímido. Mas o cerco ao uso da droga no ambiente de trabalho está se fechando. À medida que o mundo se globaliza, as políticas antidrogas nas empresas passam a fazer parte dos contratos de trabalho e até das transações internacionais de compra e venda de produtos ou prestação de serviços.

A Esso, pioneira dos testes no Brasil, rejeita fazer negócios com qualquer companhia que não tenha um plano de reabilitação e controle de drogas. A Shell reza pela mesma cartilha. Para fechar um contrato de compra de aviões com a Embraer, a American Airlines exigiu que a empresa brasileira ajustasse seu programa de controle de substâncias proibidas aos padrões americanos. A Embraer teve de se comprometer a testar freqüentemente seus empregados. De outra forma, nem seus pilotos nem seus mecânicos poderiam fazer a manutenção dos aviões adquiridos pela American. A Varig já começou a aplicar testes nos pilotos em fase de admissão e desenha há um ano um programa de testes e reabilitação para todos os funcionários. A Embratel, com orgulho, ostenta a marca de 82% de reabilitação de funcionários alcoólatras ou dependentes de drogas, sendo que nos últimos cinco anos não houve uma recaída sequer. A Petrobras Distribuidora e a Johnson & Johnson foram das primeiras a tratar a dependência como doença e não como estigma. A BR iniciou o programa na fábrica de lubrificantes e, em um ano, encaminhou para reabilitação cinqüenta casos de alcoolismo. " Esses programas são os radares da sociedade", afirma o toxicologista Ovandir Alves Silva.

Há pelo menos duas boas explicações para essa ofensiva contra as drogas, segundo o psicanalista João Carlos Dias, da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas, especializado em recuperação. "Os empresários descobriram que cada dólar investido na empresa em programas de reabilitação provoca o retorno de 7 dólares sob forma de aumento da produtividade, redução do absenteísmo, queda na procura pelo departamento médico e o incomensurável benefício de preservação da imagem da companhia. As indústrias deixaram de ver o alcoolismo e a dependência às drogas sob o prisma da legislação do trabalho, para encará-los como doenças sociais." Nos Estados Unidos, na Europa, no México e na Venezuela já não se trabalha em plataformas de prospecção ou extração nem em refinarias sem um atestado comprovando não-dependência às drogas. Não se fundeia um navio em qualquer dos principais portos do mundo sem que a tripulação de comando exiba seus certificados de "limpeza".

No ar, a preocupação com drogas é redobrada. No mundo aeronáutico, repete-se internacionalmente a regra básica de que álcool não deve ser consumido na véspera de voar. "Sem álcool antes do manche", repisam em vários idiomas. "Há um clima, digamos, de confiança desconfiada nas cabines. Os pilotos ficam atentos reciprocamente a qualquer atitude anormal", relata Paulo Magalhães, diretor do departamento médico da Fundação Rubem Berta, da Varig. Nos vôos intercontinentais, há sempre uma tripulação de reserva, comandante e co-piloto, para substituir a principal depois de oito horas de vôo. Mesmo assim, eventualmente surgem problemas sérios. Uma companhia aérea tem em seus registros o caso ocorrido num longo vôo para Frankfurt, quando o comandante master, o piloto mais qualificado, foi acordar seu substituto e simplesmente não conseguiu. Ele estava inteiramente alcoolizado. Resultado: o master foi obrigado a voar treze horas seguidas, aterrissando exausto no destino, contrariando todas as regras da aviação civil.

Outro relato dá conta de que a cada dia se tornava mais difícil escalar um co-piloto para voar com determinado comandante: "É que ele voava inteiramente sóbrio, mas na escala do destino tomava um porre fenomenal", contou um co-piloto. O comandante foi afastado para tratamento e hoje, completamente reabilitado, voa novamente. O programa inclui internação para desintoxicação, tratamento psiquiátrico e acompanhamento psicológico da família. "Se nos Estados Unidos os testes são lei e se significam um fator de segurança a mais, haveria alguma razão para não adotá-los entre nós?", diz Paulo Magalhães, da Varig. Ele mostra que os programas de reabilitação têm dado bons resultados. Nos Estados Unidos, 915 comandantes e co-pilotos de grandes empresas aéreas, 278 pilotos de companhias regionais e 436 pilotos particulares voam hoje resgatados do vício do álcool.


"Estou limpo há nove anos e quatro meses. Vitória conseguida dia a dia. No auge da minha fase negra, surtei duas vezes. Acreditava ser Jesus Cristo II. Fui a padre, candomblé, macumba e psicanalista. Tinha vontade de morrer. Empreguei-me na American Express. Faltava, achei que seria demitido. Meu chefe me ofereceu tratamento. Fiquei 58 dias na clínica de recuperação. Hoje sou o principal executivo de uma empresa de alta tecnologia e ajudo os outros que passam pelo mesmo problema, dando palestras de reabilitação. Drogas? Nunca mais."
Paulo, 53 anos, executivo

Uma empresa de alta tecnologia relata dois casos bem-sucedidos de combate às drogas entre seus empregados. H.B., 48, passou cinco anos freqüentando o programa de recuperação para alcoólatras da companhia. Voltou à atividade, foi promovido e hoje atua também como voluntário no mesmo programa. Seu maior orgulho: escreveu um livro de auto-ajuda, impresso com o patrocínio da empresa. O caso de J.M. era bastante grave: dependente de cocaína e a um passo da demissão, entrou para o programa de reabilitação e conseguiu reassumir funções de confiança. Há três anos pediu demissão. Mas por uma excelente causa: queria montar um negócio próprio. Que vai muito bem, obrigado.

Mas, seja numa cabine de vôo, nos escritórios ou nas linhas de montagem, o alcoolismo é percebido de forma lenta, já que a bebida é aceita socialmente. Myrtes Matos, assistente social que coordena o programa de reabilitação da Embratel, acostumou-se a explicar aos colegas quais são os primeiros sinais de alerta: o funcionário começa a faltar especialmente às segundas-feiras, para curar a intoxicação do fim de semana. Vai se tornando mais lento na realização das tarefas, mais introvertido. Caso o vício seja de cocaína, ele reage de outra maneira. Trabalha com mais agilidade que anteriormente e, à medida que o efeito vai passando, fica mais agressivo com os companheiros. "Com o tempo esses dois quadros vão ficando mais nítidos. É quase certo que se chegou à beira do precipício", diz ela. O tamanho do problema é medido dramaticamente pela Organização Mundial de Saúde: 1,5 bilhão de pessoas sofrem de alcoolismo em todo o planeta e 55 milhões dependem de drogas.

Como há uma tênue linha de separação entre a reabilitação do alcoólatra e sua eventual recaída, os funcionários que decidem tratar-se são submetidos a um brutal teste. Alguns resultados são encorajadores: cerca de 30% dos que são internados para desintoxicação e tratamento psicológico específico conseguem manter-se longe da bebida. Entre esses vencedores está M.F., técnica de administração de uma das empresas entrevistadas por VEJA. Ela já estava perdendo o emprego quando foi encaminhada para recuperação. Dois anos depois, terminava a pós-graduação de administração e estava plenamente reinserida em seu trabalho. Completa, agora, dez anos na empresa. Sem recaídas.

"Atribuir uma recuperação apenas à força de vontade é inocência", frisa Izabel Martins, psicóloga do Centro de Reabilitação Casa. "Há nas empresas brasileiras os chamados grupos de apoio, nos quais funcionários que já passaram por problemas de dependência química prestam auxílio aos reabilitados. Isso é uma experiência única no mundo. Nos Estados Unidos, as relações no trabalho são frias e mesmo indiferentes. Em menor grau, a situação é a mesma na Europa. Aqui as relações informais são mais importantes. Esse apoio é fundamental. O índice de reabilitação entre os que freqüentam esses grupos chega a 80%", atesta o americano John Burns, diretor da Vila Serena, um centro de reabilitação em São Paulo. "Em cada vinte identificados como usuários de drogas ou álcool, só dois necessitam ir para um centro de tratamento. Os outros dezoito podem livrar-se da dependência com a ajuda dos grupos de apoio e de uma assistente social", garante Burns. Hoje, mais de uma centena de empresas mantêm algum tipo de operação de detecção e ajuda a funcionários com problemas de abuso de substâncias químicas. É o caso do Pão de Açúcar, da Caterpillar, da Eletronorte, da Petrobras, da Johnson & Johnson e da Avon.


"Sou alcoólatra, filho de pais também alcoólatras. Por isso, comecei a beber já na infância. Aos 16 anos, ingressei numa estatal paulista, onde estou até hoje. Já tive uma internação, patrocinada pela empresa. Mas acabei voltando à bebida. Cheguei a um estado tão lamentável que meus amigos me aconselharam a buscar ajuda, antes que algo de pior acontecesse. Graças a Deus a empresa me apoiou mais uma vez. Agora, com o auxílio de minha mulher, estou fazendo um tratamento sério. Ela vem me visitar na clínica todos os sábados."
Agnaldo, 29 anos, funcionário público

O alcoolismo é doença grave, com raízes hereditárias. Izabel Martins lembra que, como o stress, ele é companheiro inseparável de quase todas as atividades. O stress muitas vezes leva às drogas. Em parte isso explica o uso freqüente de substâncias químicas proibidas entre os policiais. "O policial que faz uso de cocaína e se vê confrontado a todo momento com o crime freqüentemente desenvolve uma síndrome persecutória. Com uma pistola 9 milímetros nas mãos, ao sentir-se perseguido pode reagir de forma violenta e fatal."

A Esso, por exemplo, traumatizada com o acidente do petroleiro Exxon Valdez, na costa do Alasca, em 1989, que provocou uma imensa tragédia ecológica, teve de amargar também a suspeita de que o comandante do barco se encontrava embriagado ou drogado. Por isso mesmo, não perdeu muito tempo com proselitismo. Distribuiu o documento com a nova política antidrogas, deu seis meses para tirar dúvidas e colocou-a em vigência. "Nosso transporte é terceirizado. Contratamos uma empresa com 700 motoristas. Todos são testados, senão como poderíamos deixar que conduzissem um caminhão com nossa bandeira?", questiona o médico José Carlos Dias, da Esso brasileira.

Ana Cristina Mello e Souza, psicóloga e gerente do programa na Petrobras Distribuidora, com 3.200 funcionários, dá ênfase à idéia de que tanto o alcoolismo quanto as drogas são considerados doenças, e não estigmas, e como tal devem ser tratados. Lá, são os companheiros de trabalho, quando não os próprios familiares, que recomendam o nome de determinado funcionário para tratamento. "Após um ano de pesquisas médicas, chegamos a cinqüenta casos identificados de alcoolismo numa de nossas unidades escolhidas para iniciar o programa. Todos foram encaminhados para reabilitação", revela Ana Cristina.

Todas as empresas pagam os tratamentos e mantêm os funcionários sem perdas salariais. Quando reabilitados, regressam a seus postos, com exceção dos cargos de risco. Mas a similaridade acaba aí. As empresas mais severas exigem que o funcionário assine uma declaração de que não irá reincidir no vício, sob pena de perda do emprego. "Nos sete anos do programa não tivemos nenhum caso de recaída", diz o médico Ricardo Poell, da Shell. Na Embratel, em doze anos de programa houve apenas sete recaídas e, nos últimos cinco anos, nenhuma.

Mas, se ninguém pode ser testado à revelia para detectar gravidez ou Aids, como os funcionários reagem ao que, para muitos, pode ser visto como um atentado aos seus direitos? "Toleram porque não há alternativa. Com o desemprego no nível em que sabemos, qual funcionário se recusará a assinar uma autorização para ser testado?", indaga o jurista e ex-secretário nacional antidrogas Walter Maierovitch. Para ele, é um direito constitucional a preservação da intimidade do cidadão. E mais, afirma, "ninguém é obrigado a produzir provas contra si próprio". Mas nesse debate os sindicatos têm-se manifestado favoráveis aos testes, como no caso da Associação dos Pilotos da Varig.

Os empregados precisam de algum tempo para se acostumar à idéia de submeter-se aos testes. Devem antes afastar o fantasma da perda do emprego e confiar no programa. Na Embraer, até o ano passado foram realizadas 95 palestras com o pessoal da fábrica, dos escritórios, colaboradores e familiares. Os testes começaram há um ano e somaram 4.214 de fevereiro a dezembro. O resultado positivo atingiu 42 funcionários, dos quais 38 iniciaram tratamento de reabilitação.

Nas estatais, o espírito paternalista vai aos poucos desaparecendo e já há mudanças sensíveis: o período de internamento nos casos de desintoxicação é mais curto e parte do tratamento é paga pelo próprio funcionário para amortizar os custos. Na Embratel, o custo total do tratamento chega a 3.500 reais – a metade do que um cliente particular pagaria numa clínica. O professor Ovandir Alves Silva, da Universidade de São Paulo, recomenda que a implantação de um programa de controle não leve muito tempo e que, no primeiro ano, sejam testados 20% dos funcionários, independentemente da hierarquia. Se o resultado for abaixo de 1% de positivos, a pesquisa seguinte pode ser reduzida para 10% dos empregados. Caso contrário, os exames devem atingir a metade da empresa e, no caso das admissões, todos os candidatos devem ser submetidos aos testes. "A possibilidade de recuperação é muito grande e as recaídas, muito pequenas", frisa.


"Você começa na base da farra, tomando porres em festinhas. Nem nota quando começa a perder o controle. No trabalho, lido com processos delicados. Aos poucos, percebi que estava perdendo a capacidade de concentração e de discernimento. Os colegas sempre me estenderam a mão. Agora resolvi me tratar antes que eu perca tudo o que consegui na vida. Quero reconstruir minha família, minha carreira. Bebida é um inferno. Estou lutando para escapar da submissão ao vício. Sofro de diabetes, estou ainda muito magro, mas já ganhei alguns quilos. Algo me diz que vou sair dessa."
Jorge, 41 anos, funcionário público

O teste feito pela USP custa 80 reais. Ele sempre acusa quem fez o consumo recente de drogas – no caso da maconha, com até vinte dias de antecedência ao teste, e, no da cocaína, em torno de uma semana. Além de precisos quanto aos resultados, os exames têm a vantagem de preservar a identidade do funcionário. Há vários tipos de testes. Um deles é feito com um kit barato e "seu resultado é discutível", alerta a toxicologista Eliani Spinelli, da USP. "Se é um teste rápido, para saber se um motorista pode ou não dirigir um caminhão, por exemplo, há a vantagem de apresentar resultado imediato. Mas, mesmo assim, é passível de erro de avaliação. Qualquer medicamento ingerido pelo funcionário que está sendo testado pode mascarar o exame e torná-lo sem efeito.

A Esso e a Shell, por essas razões, preferem enviar o material para ser examinado nos Estados Unidos. A Esso faz exame de urina para admissão a qualquer cargo e para dez drogas. O candidato aprovado sabe que toda sua vida funcional será marcada por testes até a aposentadoria. "O clima é de descontração quando no dia do exame podem se encontrar no serviço médico o motorista, um contador, um vigilante, o tesoureiro e o presidente da empresa", diz o médico José Carlos Mello, que há cinco anos comanda o trabalho de reabilitação da Esso. A escolha é aleatória e feita por um programa de computador automatizado. Após a seleção, pela manhã, o próprio computador envia um e-mail e solicita a ida do destinatário ao serviço médico. "Alguns vão discretamente, outros, com naturalidade e outros, ainda, com humor", comenta um funcionário. O fundamental é que eles vão.

 
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  Ouça na Rádio VEJA uma entrevista com John Burns, diretor do centro de reabilitação Vila Serena

 

   
 
   
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