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Guias de luxo
O
ex-milionário Jorginho Guinle
entra no ramo do turismo em
grupo para quem pode gastar muito
Selmy Yassuda
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| Guinle:
"Tem gente
com dinheiro
que não
conhece as pessoas certas. Eu
sou o contrário" |
O
dinheiro está sobrando, o mundo se abre a seus pés, bate
aquela vontade de viajar. Que delícia, não? Mas sempre aparecem
uns probleminhas. Conseguir uma reserva naquele restaurante francês
exclusivíssimo, enfrentar a arrogância dos garçons
locais, passar pelo crivo esnobe do porteiro do hotel chiquérrimo,
tudo isso dá o maior stress. Os muito ricos e algo inseguros já
têm a solução: é só chamar Jorginho
Guinle. Aos 85 anos, o milionário arruinado agora está entrando
no negócio dos guias de luxo. Ao preço algo salgado de 12.300
dólares por cabeça, ele propõe passar uma semana
na França, em setembro próximo, conduzindo uma excursão
diferenciada. A idéia de criar grupos com interesses específicos
(visitas a museus com professores ou artistas, incursões gastronômicas
orientadas por chefs de cozinha) explora um nicho de mercado tão
promissor que as agências de viagens não param de criar parcerias.
"Queremos conquistar gente com dinheiro, mas que não esteja por
dentro dos lugares mais exclusivos", diz, sem cerimônia, Liliane
Lima, dona da agência carioca que se associou a Guinle na nova empreitada.
Fotos álbum de família
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O grupo que viajou para a França com o chef
Bassoleil: incursão
gastronômica com almoço num castelo |
Com
a fortuna da família reduzida a pó, o eterno playboy não
respira ares franceses há doze anos. Mas mantém a classe.
"Tem gente que possui muito dinheiro e não conhece as pessoas certas.
Eu sou exatamente o contrário", filosofa. O roteiro proposto não
foge do esperado pelo "rico de almanaque". O grupo se hospedará
no lendário Plaza Athénée, em Paris, passará
pelo castelo Domaine des Hauts, no Vale do Loire, e jantará em
cartões-postais franceses, como o La Tour d'Argent (sobrevivem
o nome e a vista) e o restaurante do chef Alain Ducasse (a reputação
de soberba excelência culinária continua valendo). A turma
não se livrará do ônibus, praga de toda excursão,
mas terá a bordo champanhe e DVD. E, na tarde livre em Paris, cada
casal poderá dispor de um Mercedes com motorista.
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O professor Charles Watson (ao centro,
de pé): ateliê no Brooklyn incluído no roteiro
de viagem voltado para
as artes plásticas |
Muito
mais cabeça é a viagem organizada pelo escocês Charles
Watson, professor de artes plásticas no Rio de Janeiro. Ele já
levou dezesseis grupos para visitar museus nos Estados Unidos ou na Europa,
sob a batuta de artistas como Anna Bella Geiger e Beatriz Milhazes. Não
se exigem credenciais de alta intelectualidade para embarcar no programa,
ao preço de 4.000 dólares, mas Watson descarta quem só
vai por festa. "É preciso ter um interesse sério pelo assunto",
avisa. No meio do caminho entre a badalação de Guinle e
a erudição de Watson, estão as viagens que levam
a grife de chefs de cozinha conhecidos. O italiano Luciano Boseggia, dono
de um restaurante em São Paulo, embarcou com quinze pessoas no
início de junho para a costa leste dos Estados Unidos. O tema,
por assim dizer, era a reputadíssima lagosta da região.
Um dos dias foi dedicado à pesca do crustáceo.
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O chef Boseggia (de
camisa vermelha) e sua turma: pesca e degustação
de lagostas na costa leste dos Estados Unidos |
Para
os admiradores de gastronomia, o custo não importa muito, valem
mais as sugestões de comilança. "Visitando só lugares
de alto nível, não dá para pensar muito em controlar
os gastos", diz o empresário Mario Cardamone, que integrou a trupe
de Boseggia. A mesma agência organizou uma viagem com Sauro Scarabotta,
dono de outro restaurante em São Paulo, para um programa tão
ou mais inusitado: colheita de trufas na Itália. A turma vai sair
a campo guiada por porcos farejadores, atrás da preciosidade gastronômica.
Depois vai aprender a usar a caríssima iguaria na cozinha e degustá-la
em restaurantes especializados. O público-alvo de um roteiro do
gênero evidentemente é exigente. "Vi do carpete do hotel
à combinação de pratos entre almoço e jantar",
diz o chef Emmanuel Bassoleil, francês radicado em São Paulo,
que já conduziu duas viagens na faixa dos 4.500 dólares.
É importante também prever a ocorrência de problemas
geralmente associados às excursões plebéias, como
o exagero de álcool. Nas primeiras viagens teve muita gente chiquérrima
cantando aos berros no ônibus. Agora, a ordem é só
servir vinho às refeições. Já pensou desembarcar
uma turma entoando um pagode lascado na porta do Alain Ducasse?
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