Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 707 - 4 de julho de 2001
Economia e Negócios Japão

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
  Brasil ganha batalha da Aids, mas a guerra continua
Japão: Projeto revolucionário para sair da estagnação
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Poderoso chefão

O ministro das Finanças do Japão
adota uma
fórmula "revolucionária
para animar a economia

Eliana Giannella Simonetti

AP
Shiokawa: "Não sei muito de economia, mas tenho bom senso"

O primeiro-ministro Junichiro Koizumi, com seu ar de Richard Gere em filme de Akira Kurosawa, pode até ser aquele líder carismático de que o Japão precisava. Ele foi um sucesso nas últimas eleições parlamentares. Atraiu microfones, fez discursos por todo lado e seu partido, o Liberal Democrático, conseguiu ocupar 53 cadeiras – três além de seu recorde histórico. Mas o script do governo é de autoria do ministro das Finanças, Masajuro Shiokawa, de 79 anos, codinome "poderoso chefão". É este senhor que está encarregado de chacoalhar a economia japonesa e arrancá-la da modorra em que está há mais de dez anos. Na semada passada, Shiokawa tornou público seu projeto – e espantou economistas renomados, como os americanos Jeffrey Sachs, da Universidade Harvard, e Paul Krugman, de Princeton. Isso porque ele inverte o raciocínio que se tomava por certo até agora. "Essa é a receita para a recessão", disse Krugman. A resposta de Shiokawa: "Eu não sei muito de economia. O que tenho é bom senso".


Reuters
Koizumi: o primeiro-ministro carismático com jeito de ator


O diagnóstico que os economistas costumam fazer a respeito do Japão é o seguinte: quando se descobriu que os bancos emprestaram demais sem garantias, os japoneses, acostumados a viver num ambiente de estabilidade, se sentiram inseguros. Deixaram de consumir. Com isso, as empresas foram encolhendo. Muitas precisaram demitir, o que fez aumentar a sensação de insegurança da população. Baseados nessa radiografia, governos seguidos anunciaram investimentos para criar empregos, injetar dinheiro na economia e provocar crescimento, mas não conseguiram resultados. Entre o último trimestre do ano passado e o primeiro deste ano, o PIB japonês encolheu 0,2%.

"Nós criamos um ambiente econômico muito centralizado na década de 40. Funcionou bem em tempos de grande crescimento, mas o país chegou aos dias de hoje rígido demais. Teremos de desregulamentar a economia, deixar que os mecanismos de mercado permeiem todos os cantos", afirma Shiokawa. Outros já disseram o mesmo e não fizeram absolutamente nada nessa seara. A vantagem que o chefão leva: os japoneses têm o maior respeito por ele. Só de ouvir o anúncio de seu projeto e a recomendação de que todos deveriam poupar, para enfrentar os dias difíceis que virão antes que o Japão volte a crescer, muitos ficaram tão confiantes que foram às compras. Será que agora vai?

 

Receita diferente

A fórmula do ministro das Finanças, Masajuro Shiokawa, para salvar a economia japonesa

O governo não gastará mais com obras públicas. Ao contrário, cortará tudo o que ainda não tiver começado. Ao todo, 800 projetos serão revistos. Isso porque o déficit público é de 130% do PIB.
Os bancos serão obrigados a se livrar dos empréstimos ruins que ainda carregam. O rombo das instituições financeiras tem dimensões desconhecidas. Estima-se que possa chegar a 1,2 trilhão de dólares.
Os japoneses serão incentivados a poupar
para enfrentar os tempos difíceis que virão. Só o saneamento dos bancos deve desempregar 1,5 milhão de trabalhadores.
A economia será desregulamentada para
que o mercado passe a funcionar mais livremente.

 

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS