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Poderoso
chefão
O ministro das Finanças do Japão
adota uma fórmula
"revolucionária
para animar a economia
Eliana
Giannella Simonetti
AP
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| Shiokawa:
"Não sei muito de economia, mas tenho bom senso" |
O
primeiro-ministro Junichiro Koizumi, com seu ar de Richard Gere
em filme de Akira Kurosawa, pode até ser aquele líder carismático
de que o Japão precisava. Ele foi um sucesso nas últimas
eleições parlamentares. Atraiu microfones, fez discursos
por todo lado e seu partido, o Liberal Democrático, conseguiu ocupar
53 cadeiras três além de seu recorde histórico.
Mas o script do governo é de autoria do ministro das Finanças,
Masajuro Shiokawa, de 79 anos, codinome "poderoso chefão". É
este senhor que está encarregado de chacoalhar a economia japonesa
e arrancá-la da modorra em que está há mais de dez
anos. Na semada passada, Shiokawa tornou público seu projeto
e espantou economistas renomados, como os americanos Jeffrey Sachs, da
Universidade Harvard, e Paul Krugman, de Princeton. Isso porque ele inverte
o raciocínio que se tomava por certo até agora. "Essa é
a receita para a recessão", disse Krugman. A resposta de Shiokawa:
"Eu não sei muito de economia. O que tenho é bom senso".
Reuters
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| Koizumi:
o primeiro-ministro carismático com jeito de ator |
O diagnóstico que os economistas costumam fazer a respeito do Japão
é o seguinte: quando se descobriu que os bancos emprestaram demais
sem garantias, os japoneses, acostumados a viver num ambiente de estabilidade,
se sentiram inseguros. Deixaram de consumir. Com isso, as empresas foram
encolhendo. Muitas precisaram demitir, o que fez aumentar a sensação
de insegurança da população. Baseados nessa radiografia,
governos seguidos anunciaram investimentos para criar empregos, injetar
dinheiro na economia e provocar crescimento, mas não conseguiram
resultados. Entre o último trimestre do ano passado e o primeiro
deste ano, o PIB japonês encolheu 0,2%.
"Nós
criamos um ambiente econômico muito centralizado na década
de 40. Funcionou bem em tempos de grande crescimento, mas o país
chegou aos dias de hoje rígido demais. Teremos de desregulamentar
a economia, deixar que os mecanismos de mercado permeiem todos os cantos",
afirma Shiokawa. Outros já disseram o mesmo e não fizeram
absolutamente nada nessa seara. A vantagem que o chefão leva: os
japoneses têm o maior respeito por ele. Só de ouvir o anúncio
de seu projeto e a recomendação de que todos deveriam poupar,
para enfrentar os dias difíceis que virão antes que o Japão
volte a crescer, muitos ficaram tão confiantes que foram às
compras. Será que agora vai?
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Receita
diferente
A
fórmula do ministro das Finanças, Masajuro
Shiokawa, para salvar a economia japonesa
O governo não gastará mais com obras públicas.
Ao
contrário, cortará tudo o que ainda não
tiver
começado. Ao todo, 800 projetos serão revistos.
Isso porque o déficit público é de 130% do
PIB.
Os bancos serão obrigados a se livrar dos empréstimos
ruins que ainda carregam. O rombo das instituições
financeiras tem dimensões desconhecidas. Estima-se que possa
chegar a 1,2 trilhão de dólares.
Os japoneses serão incentivados a poupar para
enfrentar os tempos difíceis que virão. Só
o
saneamento dos bancos deve desempregar 1,5
milhão de trabalhadores.
A economia será desregulamentada para que
o mercado passe a funcionar mais
livremente.
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