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Edição 1 707 - 4 de julho de 2001
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]

TELECOMUNICAÇÕES

AT&T acusada de pirataria

A Anatel recebeu uma queixa da Embratel que vai dar o que falar. Nela, a gigante americana AT&T é acusada com todas as letras de estar por trás de uma parte do esquema de pirataria nas ligações internacionais, que suga 400 milhões de reais por ano da Embratel e da Intelig. São ligações que custam a metade do preço, não pagam impostos e são usadas à larga por milhares de pequenas e médias empresas.

 

POLÍTICA

Meu nome é Ciro

O jogo do governo federal para que o PTB abandone o barco de Ciro Gomes vai ser pesado. E o PTB para Ciro é sinônimo de tempo na televisão. Sem o partido, não conseguirá dizer muito mais que "Meu nome é Ciro".

 

Ele tem voto e dinheiro


Washington Alves
Alencar: noivo cobiçado


José Alencar transformou-se no vice dos sonhos para 2002. Está sendo cortejado pelo PT, pelo PPS e até pelo PSB de Garotinho. O senador mineiro guarda munições pesadas que o tornam o vice da vez. Primeiro, dispõe de votos em Minas Gerais, o segundo colégio eleitoral do país e o quartel-general de Itamar Franco. Como se não bastasse, tem capacidade de arrecadar fundos e é um mão- aberta nas disputas eleitorais: em 1998, fez a campanha mais cara do país entre os candidatos ao Senado. Se não quisesse, nem precisaria passar o chapéu – suas empresas têxteis têm patrimônio de 500 milhões de dólares. Até agora, no entanto, tem andado encantado mesmo é com as piscadelas de olhos do PT.

 

POBREZA

O custo do fim da fome

Atenção, candidatos a presidente! O Centro de Políticas Sociais da FGV-RJ acaba de fechar um estudo que é uma jóia para quem entrar na campanha com proposta para um dos problemas mais aterradores do país – a fome. Fizeram-se as contas, cruzaram-se dados e chegou-se à conclusão de que com 1,7 bilhão de reais por mês o governo federal erradicaria a fome dos 29% de brasileiros que estão na linha da miséria.

 

GOVERNO

Canteiro de obras

Os marqueteiros do Palácio do Planalto estão fechando uma pesada agenda de visitas de FHC ao Nordeste para o fim de julho. Vai ter FHC inspecionando obras contra a seca e fiscalizando a construção de usinas. Parece agenda de campanha eleitoral, mas FHC é candidato apenas a tentar reerguer sua popularidade.

Cinco anos em cinco dias

O Plano Estratégico Energético que FHC deve anunciar na quarta-feira foi encomendado na semana passada a técnicos do setor, coordenados por Francisco Gros. Beleza. É preciso correr, o.k., mas não é fácil acreditar que em uma semana seja possível definir os destinos do combalido setor energético para os próximos anos.

 

ECONOMIA

Agora vai?

O banqueiro Gastão de Bueno Vidigal voltou a negociar com o Citibank depois de longo e tenebroso inverno. E, novidade das novidades, aceitou conversar sobre a transferência de controle acionário do Banco Mercantil de São Paulo.

Reclamou, levou

A Procuradoria da República do Rio está de olho na produtividade do departamento jurídico do Banco Itaú, que comprou o Banerj há três anos. Desconfia que tem advogado chegando mais tarde e saindo mais cedo do que devia. Quase todas as ações trabalhistas do Banerj estão sendo ganhas pelos funcionários na Justiça. Os procuradores estão intrigados porque esse é o único caso de banco que não recorre de decisão judicial. Para quem não lembra, pelo contrato de privatização o pagamento do passivo trabalhista ficou por conta do governo.

BC à espreita

O BC continua seguindo os passos dos bancos que estariam tentando inflar as cotações do dólar.

O cofrinho de Paim vai encher

Assis Paim Cunha, do grupo Coroa-Brastel, voltou a contar milhões e não tostões, como fez nos últimos vinte anos. Há quinze dias, o prefeito do Rio, Cesar Maia, começou a negociar como lhe pagará 15 milhões de reais por um terreno de 110.000 metros quadrados na emergente Barra da Tijuca. A área, hoje tomada por uma favela, foi invadida depois que o império de Paim Cunha ruiu, em 1983.

Falta pouco

A Globo Cabo anuncia em breve mudanças de peso na sua composição.

 

Ungido pelo voto


Eduardo Monteiro
Teixeira: escolha conjunta


Alguns dias antes de anunciar o novo técnico da seleção brasileira, Ricardo Teixeira encomendou ao Ibope uma pesquisa de opinião. Queria saber quem era o técnico preferido da massa. Deu Luiz Felipe Scolari na cabeça, com 58%. Em seguida vieram Wanderley Luxemburgo, que obteve 19%, e Carlos Alberto Parreira, com 15%. Teixeira, que àquela altura ainda tinha a CPI da Nike em seus calcanhares, resolveu não acrescentar a torcida inteira na perseguição a ele.

 

IMPOSTOS

Farra tributária

O número parece absurdo, mas é real: a Souza Cruz escala todos os dias setenta de seus funcionários para a função de ler. E ler os textos mais maçantes do universo, os dos diários oficiais. Esse exército é designado para checar com lupa eventuais mudanças de alíquotas de ICMS. Mudanças sempre para cima, claro – até porque não vai surgir ninguém para falar mal de quem subir as alíquotas de impostos para cigarros. Exceto a própria Souza Cruz.

 

ACIDENTES

Cinto? Me esqueci...

Veja como a falta de fiscalização e de campanhas educativas pode fazer leis virarem letra morta: uma pesquisa encomendada pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia revelou que no Rio de Janeiro apenas 1% das pessoas usam cinto de segurança na parte traseira dos automóveis. Será que o Código Nacional de Trânsito não pegou?

 

DROGAS

A falta que a maconha faz...

Algumas cidades se viciaram tanto no plantio de maconha que desaprenderam a viver sem ela. As onze megaoperações de combate ao tráfico realizadas desde 1998 no polígono da maconha, em Pernambuco, mostraram resultados, mas trouxeram efeitos colaterais. O dinheiro deixou de circular pelo comércio e desaqueceu a já pouco aquecida economia local. Em Cabrobró, por exemplo, uma das dez cidades do Polígono, mais de 100 bares cerraram as portas.

 
 

 

 

 

Colaboraram: Nahara Bauchwitz e José Edward

 

   
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