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Edição 1 754 - 5 de junho de 2002
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Um Brasil vencedor

Claudio Rossi
As maiores máquinas de colher do mundo em feira paulista

Espantado com o contraste entre os ricos e os despossuídos, o primeiro-ministro britânico Benjamin Disraeli (1804-1881) cunhou a expressão que ficaria famosa: "Somos duas nações que não se conhecem, convivendo sobre o mesmo território". Muito mais tarde, um dos pais do Plano Real, o economista Edmar Bacha, descreveu o Brasil como a "Belíndia", um país com partes que ora lembram a Bélgica, ora a Índia. Quando se compara o desempenho da agricultura brasileira atualmente com os resultados dos demais setores da economia, o que se vê, de novo, é a mesma oposição de realidades. Essa situação ficou clara na semana passada com a divulgação pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de seus cálculos mais recentes sobre o desempenho do produto interno bruto (PIB). Enquanto a economia como um todo decresceu 0,73% em relação ao primeiro trimestre de 2001, a agricultura avançou vigorosos 4,36%.

Tem sido assim ultimamente. O campo sempre avança, enquanto os demais setores não conseguem deslanchar, por estar sobrecarregados pela carga tributária, juros altos e escassez de crédito. O panorama é ainda mais animador quando se examina o desempenho do campo em um ponto vital para a saúde financeira do país, as exportações. No ano passado, a diferença entre tudo o que os agricultores brasileiros ganharam com exportações e o que gastaram com importações foi de 19 bilhões de dólares. Os demais itens da balança comercial registraram no mesmo período um déficit de 16,3 bilhões. Portanto, o comemoradíssimo superávit comercial de 2,7 bilhões do ano passado foi garantido pelo campo. É relevante lembrar que já longe vai o tempo em que a agricultura era uma atividade tosca, braçal, tocada por pessoas defasadas do mundo urbano. Uma reportagem especial de VEJA desta semana mostra um Brasil rural avançando com ganhos de produtividade, sem aumento significativo das áreas plantadas. Mostra que a prosperidade no campo brasileiro está fortemente baseada no agronegócio, atividade complexa, altamente capitalizada, que exige tecnologia de ponta e comunicação instantânea com o que vai pelos grandes mercados do mundo.

 
 
   
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