
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Um
Brasil vencedor
Claudio Rossi
 |
| As
maiores máquinas de colher do mundo em feira paulista |
Espantado
com o contraste entre os ricos e os despossuídos, o primeiro-ministro
britânico Benjamin Disraeli (1804-1881) cunhou a expressão
que ficaria famosa: "Somos duas nações que não se
conhecem, convivendo sobre o mesmo território". Muito mais tarde,
um dos pais do Plano Real, o economista Edmar Bacha, descreveu o Brasil
como a "Belíndia", um país com partes que ora lembram a
Bélgica, ora a Índia. Quando se compara o desempenho da
agricultura brasileira atualmente com os resultados dos demais setores
da economia, o que se vê, de novo, é a mesma oposição
de realidades. Essa situação ficou clara na semana passada
com a divulgação pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) de seus cálculos mais recentes sobre
o desempenho do produto interno bruto (PIB). Enquanto a economia como
um todo decresceu 0,73% em relação ao primeiro trimestre
de 2001, a agricultura avançou vigorosos 4,36%.
Tem sido assim ultimamente. O campo sempre avança, enquanto os
demais setores não conseguem deslanchar, por estar sobrecarregados
pela carga tributária, juros altos e escassez de crédito.
O panorama é ainda mais animador quando se examina o desempenho
do campo em um ponto vital para a saúde financeira do país,
as exportações. No ano passado, a diferença entre
tudo o que os agricultores brasileiros ganharam com exportações
e o que gastaram com importações foi de 19 bilhões
de dólares. Os demais itens da balança comercial registraram
no mesmo período um déficit de 16,3 bilhões. Portanto,
o comemoradíssimo superávit comercial de 2,7 bilhões
do ano passado foi garantido pelo campo. É relevante lembrar que
já longe vai o tempo em que a agricultura era uma atividade tosca,
braçal, tocada por pessoas defasadas do mundo urbano. Uma reportagem
especial de VEJA desta semana mostra um Brasil rural avançando
com ganhos de produtividade, sem aumento significativo das áreas
plantadas. Mostra que a prosperidade no campo brasileiro está fortemente
baseada no agronegócio, atividade complexa, altamente capitalizada,
que exige tecnologia de ponta e comunicação instantânea
com o que vai pelos grandes mercados do mundo.
|
|
 |