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Há água
em Marte
Sonda
revela depósitos de gelo
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abaixo do solo do planeta

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Desde que
o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli observou pela primeira
vez os canais na superfície de Marte, em 1877, a humanidade enamorou-se
da idéia da existência de água no planeta vermelho.
Se houvesse água, muito provavelmente haveria vida. Fotos feitas
pelas sondas espaciais nos últimos trinta anos mostravam uma superfície
fria e desolada, mas com indícios, como desfiladeiros, de que já
existira água por lá. Na semana passada, uma equipe de cientistas
da Nasa, a agência espacial americana, e da Universidade do Arizona
anunciou onde se esconde a água de Marte: no subsolo. Grandes depósitos
de gelo em seus pólos, alguns a apenas 1 metro da superfície,
foram descobertos pela sonda Mars Odyssey, lançada em abril do
ano passado. A constatação foi feita pela análise
das emissões de radiação do planeta. Átomos
de hidrogênio indicaram a presença de água abaixo
do solo.
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A área ocupada pelo gelo é de 10 milhões de quilômetros
quadrados, e o volume de água é 5.000
vezes maior que o da Baía de Guanabara. A atmosfera de Marte é
tão rarefeita que não permite o acúmulo de água
na superfície. A temperatura média do planeta é de
50 graus negativos. Mas durante o verão, na linha do equador, sobe
para agradáveis 27 graus positivos. Nos pólos chega a 128
graus negativos, o que impede que o gelo se derreta. Acumulado há
milhares de anos, o material está fragmentado e misturado a outros
componentes do solo. Isso significa, grosso modo, que um balde cheio de
solo marciano ficaria com água até a metade. Os cientistas
especulam que os fragmentos de gelo possam conter certas formas primitivas
de vida, como bactérias, a exemplo do que ocorre em algumas regiões
geladas da Terra.
A descoberta
funciona como um estímulo para futuras viagens do homem até
Marte. O principal empecilho à jornada é a dificuldade de
desenvolver espaçonaves capazes de ir ao planeta, a 78 milhões
de quilômetros da Terra, e retornar. Simplesmente não há
espaço para armazenar combustível para a viagem de volta.
Como os motores são impulsionados por hidrogênio, pode-se
pensar em extrair o material do solo de Marte e produzir o combustível
necessário para o retorno. "A água não só
é suficiente para ser usada como está em lugares de onde
seria retirada com grande facilidade", diz Steven Saunders, um dos pesquisadores
que analisaram os dados da Mars Odyssey. Para levar o homem a Marte ainda
falta desenvolver a espaçonave e criar a tecnologia necessária
para instalar uma base humana no planeta vermelho. É um desafio
que deve demorar pelo menos trinta anos e custar no mínimo 100
bilhões de dólares.
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