
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
A rota da perdição
Sucesso
de guia turístico erótico
de Paris reflete
uma revolução
de costumes na França
Ruth de Aquino,
de Paris

Butique
Demonia, perto da Bastilha: acessórios, roupas e objetos eróticos |
Quem ainda
pensa que o Lido e o Moulin Rouge são as maiores expressões
do turismo sexual à francesa deve atualizar rapidamente seus roteiros
para não acabar no museu de cera. Há uma Paris muito mais
devassa, cujos caminhos podem ser encontrados num guia que acaba de ser
editado no Brasil, Paris Sexy (editora DeGustar), tradução
do original da Musardine, a livraria erótica mais tradicional de
Paris. O livreto dá sugestões de passeios soft e hard ("ard",
como dizem os franceses), organizados por bairro e categoria. O guia fez
sucesso na França porque é simples e didático. Esteticamente
não tem graça alguma para voyeurs, porque não traz
fotos. Mas há opções e nuanças para todos
os gostos. Dos piercings eróticos às jóias íntimas,
das boates em que o forte é a troca de casais aos locais em que
predominam as roupas de couro dos fetichistas.
A
curiosidade natural pelo submundo do sexo explica, em parte, a repercussão
do guia. Mas não é só isso. Também reflete
a revolução de costumes na França. "A sociedade francesa
está mais preocupada com o culto do corpo, com a busca do prazer
e com o exercício da sexualidade", diz o filósofo Michel
Maffesoli, professor da Sorbonne e autor do livro Sobre o Nomadismo,
Vagabundagens Pós-Modernas, que neste mês será
lançado no Brasil. "A prova é o aumento do sexo grupal.
Paris tem atualmente 53 clubes de suingue. Há cinco anos não
passavam de sete ou oito". Estudo recente da socióloga Janine Mossuz-Lavau,
que entrevistou homens e mulheres de diferentes perfis sociais, constatou
que os franceses são hoje bem mais desinibidos sexualmente, em
atos e palavras. A pesquisa detectou o que parece ser uma tendência
crescente: a disposição das mulheres para dissociar o prazer
sexual do amor. Uma série de revistas com tiragens expressivas,
com nomes como Swing e Hot Video, está recheada de
oportunidades para casais abertos a apimentar o casamento com aventuras
pouco ortodoxas.
A Rue Saint-Denis
é o point obrigatório de quem quer ver as prostitutas à
moda antiga. Elas ainda estão lá, mas o erotismo hoje é
fashion e exige certa distinção (e bolsos recheados de euros).
O guia Paris Sexy aponta os bairros gays, as melhores escolhas
de clubes, espetáculos, shoppings de fetiches e alerta os solitários
contra armadilhas caras, com péssima relação custo-benefício.
Curiosamente, como passeio erótico destaca o esplêndido cemitério
das celebridades, o Père Lachaise. O túmulo do autor irlandês
Oscar Wilde, gay e maldito em seu tempo, é coberto de marcas de
batom deixadas por beijos. A estátua de pedra sobre a lápide
perdeu a virilidade: os testículos foram quebrados por puritanos
escandalizados e serviram como peso de papel ao zelador do cemitério.
O templo dos acessórios, roupas e objetos eróticos é
a butique Demonia, próxima à Praça da Bastilha. Ali
perto, o Bar-Bar promove noites fetichistas e sadomasoquistas, que exigem
figurinos totalmente negros. No programa, jantar e performances de "bondage"
(como "amarrar" literalmente seus namorados). Logo atrás do Beaubourg
(Centro Georges Pompidou), o Abraxas faz tatuagens e cria jóias
íntimas personalizadas. Até a Mesquita de Paris, no Quartier
Latin, entra no roteiro do prazer mais inocente, com seus banhos turcos
o programa, garante Paris Sexy, inclui massagens, chá
de menta e doce sírio, com garantia de total higiene, clientela
de alto nível e bom gosto. Claro que ainda há excursões
de ônibus para assistir a um show ao vivo em Pigalle, o tradicional
bairro boêmio. Mas é um programa considerado provinciano
pelo guia.
|
|
 |
|
 |

|
 |