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É chique,
é caro
e é tênis
Estilistas
recriam o calçado
de
praticar esporte
Bel Moherdaui

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Na sapateira
abarrotada das mulheres loucas por sapato (alguma não é?),
ao lado de mules, sandálias e salto agulha, um artigo se destaca
nos últimos tempos: o tênis. Não aquele normalzinho,
para caminhar ou malhar na academia, ou o usado pelos muito jovens e cheios
de estilo. Tênis chique, caro, preparado para pisar tapetes e chão
encerado, sem nunca, jamais, encostar em uma esteira. "Atualmente, o tênis
é admitido como calçado desvinculado do traje esportivo",
diz a professora de história da moda Kathia Castilho mérito,
se se pode dizer assim, da grife italiana Prada, que em 1998 lançou
um sapato de couro com sola de borracha que ficou conhecido como "sapatênis"
e foi copiadíssimo. Por certo tempo, conviveram em dois grupos:
os tênis de grife de um lado, as marcas esportivas de outro. Recentemente,
deu-se o casamento. De olho em um novo e gastador mercado para seus produtos,
Adidas, Le Coq Sportif, Puma e outras chutaram para longe a pureza esportiva
de seus calçados e caíram com gosto no mundo fashion, firmando
parcerias com estilistas renomados.
Fotos Marcelo Zocchio/JF. Ollivier

Sommer
para Le Coq Sportif (bota preta), Yamamoto para Adidas: parcerias
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No ano passado,
a Adidas convidou Yohji Yamamoto, o gênio japonês das assimetrias
e das golas exageradas, para assinar uma linha de tênis diferenciados
tanto na forma quanto na estampa. Deu tão certo que repetiu a dose
na atual coleção primavera-verão, com modelos em
edições limitadas que só se encontram lá fora
e custam entre 240 e 590 dólares. "Não vamos construir um
negócio com esses calçados. Estamos semeando o mercado,
experimentando coisas diferentes que, mais tarde, poderemos explorar comercialmente",
explica John Kawaja, diretor de marketing da Adidas America. Campeã
das parcerias, a Adidas lança nesta semana no Brasil uma linha
de tênis para as lojas Zoomp, a partir de 230 reais. Seguindo a
mesma trilha, o estilista Alexandre Herchcovitch, que no remoto ano de
1996 desenhou calçados para a marca esportiva Rainha, neste ano
repete a dose e reestiliza, no jargão do ramo, o venerando Kichute,
agora em versão estampada, tie-dye e, evidentemente, com caveiras.
Outra marca antiga, a Conga, busca novo fôlego em modelos assinados
pelo estilista Ronaldo Fraga, que criou calçados de lona com sua
simpática estampa de óculos redondinhos e outros inspirados
nas sapatilhas de pugilistas uma espécie de bota com solado
de tênis e cadarços, também presente na coleção
que Marcelo Sommer produziu sob contrato com a Le Coq Sportif. A francesa
Le Coq oferece ainda um modelo em vermelho, em parceria com outra grife
paulista, a Viva Vida.

Chuteira
e tênis Louis Vuitton: só para passear |
Christian
Dior e Louis Vuitton, que gravam seus cobiçados logos em linhas
próprias de "sapatênis", aproveitam a Copa do Mundo para
lançar uma novidade: chuteiras femininas, com cravo na sola e tudo,
mas de uso exclusivo nas altas rodas e preços na estratosfera (coisa
para cima de 800 reais!). A gigante Nike, por si só um ícone
fashion, evitou até agora enveredar pelo caminho do tênis
de salão. Prefere trabalhar com designs inusitados, mas fundamentados
em tecnologia puramente esportiva caso do tênis Air Rift,
que separa o dedão dos demais e já foi visto nos pés
das atrizes Sarah Jessica Parker e Gwyneth Paltrow. "Para nós,
performance vem sempre na frente. Não vamos sacrificá-la
nunca em nome da moda", proclama Maria Kozo, designer sênior de
tênis feminino da Nike. Será?

O esporte
invade a moda: chuteira Dior e tênis Adidas na Zoomp |
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