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Edição 1 754 - 5 de junho de 2002
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Ainda para poucos

A popularização da educação
chegou ao
1º e ao 2º grau.
O 3º deixou a desejar

Adriana Carvalho

 
Raul Junior

Estudantes da Unicamp: falta de vagas atinge até os mais ricos

Os anos 90 foram marcados por avanços significativos no que diz respeito à universalização do ensino de 1º e 2º grau no Brasil. No início da década, os filhos das famílias mais ricas, com idade entre 7 e 14 anos, tinham nível de escolarização 23% superior ao dos filhos das famílias mais pobres. No fim desse período, a diferença caiu para 7%. Entre os jovens de 15 a 17 anos, a desigualdade também foi reduzida, embora continue expressiva: a disparidade de escolarização entre ricos e pobres caiu de 41% para 26%. No ensino superior, no entanto, essa evolução não se repetiu na mesma proporção, conforme revelou um estudo realizado pelo sociólogo Simon Schwartzman. Ele se baseou em informações levantadas anteriormente pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mérito de Schwartzman foi fazer uma tabulação inédita dos dados já existentes. Ele mostrou que o número de estudantes nas universidades cresceu 76% entre 1992 e 1999, mas esse aumento não significou o ingresso, na mesma medida, dos menos favorecidos ao 3º grau.


A proporção de alunos universitários procedentes da camada dos 20% mais ricos da população aumentou de 67% para 70% no período. Ao mesmo tempo, a presença dos 20% mais pobres sofreu queda de 1,3% para 0,9%. As explicações para o fenômeno são interessantes. O número de vagas nas universidades brasileiras é tão escasso que mesmo para os mais abastados o acesso era limitado. Quando as universidades passaram a receber mais alunos – essa expansão aconteceu principalmente nas escolas privadas –, os lugares foram ocupados pelos mais ricos.

Além de dar qualidade ao ensino médio público, para melhorar as condições dos alunos da rede estatal de disputar uma vaga no vestibular os especialistas apontam outros caminhos que deveriam ser seguidos. "O Brasil precisa aumentar o crédito educativo e oferecer opções de cursos mais curtos", diz Schwartzman. A opinião é compartilhada por Luis Carlos de Menezes, orientador de pós-graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). "Em países como a Alemanha, os jovens podem optar entre as universidades, que são voltadas principalmente para a investigação e a pesquisa acadêmica, e as escolas superiores, que privilegiam a formação profissional", diz ele. Os educadores discordam do sistema de cotas para aumentar a participação das minorias no sistema educacional. Segundo Menezes, não adianta lotear vagas nas universidades para esta ou aquela etnia ou classe social. É preciso dar condições para que a pessoa possa conquistar por si mesma seu espaço. Caso contrário, se ela não for excluída na entrada, será desfavorecida de outras formas. "Determinar cotas é um equívoco. O problema crucial da educação não é dar acesso à escola, mas garantir que o jovem aproveite o curso", afirma Schwartzman.

   
 
   
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