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Ainda
para poucos
A popularização da educação
chegou ao 1º
e ao 2º grau.
O 3º deixou a desejar
Adriana
Carvalho
Raul Junior
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Estudantes
da Unicamp: falta de vagas atinge até os mais ricos
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Os
anos 90 foram marcados por avanços significativos no que diz respeito
à universalização do ensino de 1º e 2º
grau no Brasil. No início da década, os filhos das famílias
mais ricas, com idade entre 7 e 14 anos, tinham nível de escolarização
23% superior ao dos filhos das famílias mais pobres. No fim desse
período, a diferença caiu para 7%. Entre os jovens de 15
a 17 anos, a desigualdade também foi reduzida, embora continue
expressiva: a disparidade de escolarização entre ricos e
pobres caiu de 41% para 26%. No ensino superior, no entanto, essa evolução
não se repetiu na mesma proporção, conforme revelou
um estudo realizado pelo sociólogo Simon Schwartzman. Ele se baseou
em informações levantadas anteriormente pela Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE). O mérito de Schwartzman foi fazer
uma tabulação inédita dos dados já existentes.
Ele mostrou que o número de estudantes nas universidades cresceu
76% entre 1992 e 1999, mas esse aumento não significou o ingresso,
na mesma medida, dos menos favorecidos ao 3º grau.
A
proporção de alunos universitários procedentes da
camada dos 20% mais ricos da população aumentou de 67% para
70% no período. Ao mesmo tempo, a presença dos 20% mais
pobres sofreu queda de 1,3% para 0,9%. As explicações para
o fenômeno são interessantes. O número de vagas nas
universidades brasileiras é tão escasso que mesmo para os
mais abastados o acesso era limitado. Quando as universidades passaram
a receber mais alunos essa expansão aconteceu principalmente
nas escolas privadas , os lugares foram ocupados pelos mais ricos.
Além de dar qualidade ao ensino médio público, para
melhorar as condições dos alunos da rede estatal de disputar
uma vaga no vestibular os especialistas apontam outros caminhos que deveriam
ser seguidos. "O Brasil precisa aumentar o crédito educativo e
oferecer opções de cursos mais curtos", diz Schwartzman.
A opinião é compartilhada por Luis Carlos de Menezes, orientador
de pós-graduação da Faculdade de Educação
da Universidade de São Paulo (USP). "Em países como a Alemanha,
os jovens podem optar entre as universidades, que são voltadas
principalmente para a investigação e a pesquisa acadêmica,
e as escolas superiores, que privilegiam a formação profissional",
diz ele. Os educadores discordam do sistema de cotas para aumentar a participação
das minorias no sistema educacional. Segundo Menezes, não adianta
lotear vagas nas universidades para esta ou aquela etnia ou classe social.
É preciso dar condições para que a pessoa possa conquistar
por si mesma seu espaço. Caso contrário, se ela não
for excluída na entrada, será desfavorecida de outras formas.
"Determinar cotas é um equívoco. O problema crucial da educação
não é dar acesso à escola, mas garantir que o jovem
aproveite o curso", afirma Schwartzman.
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