Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 754 - 5 de junho de 2002
VEJA Recomenda
 

estaçãoveja
Leia trechos de livros, veja trailers de filmes e ouça as músicas dos CDs recomendados nas últimas semanas por esta coluna na seção multimídia de VEJA on-line.

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA on-line
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

DVD

Reprodução
Ladrões: início do neo-realismo


Ladrões de Bicicletas
(Ladri di Biciclette, Itália, 1948. Continental) – O rosto sofrido de Lamberto Maggiorani, operário atormentado pelo roubo da bicicleta de que depende para trabalhar e alimentar a família, foi o suficiente para lançar um movimento: o neo-realismo italiano. Apoiado, grosso modo, sobre o tripé elenco amador, locações reais e temas sociais, o neo-realismo se propunha a apresentar uma outra visão, mais crua e menos edulcorada, das aflições por que a Itália passava após a derrota na II Guerra. A influência do movimento se faz sentir até hoje. Em Ladrões de Bicicletas, ele tem não só seu marco zero, mas também um de seus momentos mais poéticos. A direção inspirada de Vittorio de Sica garante a perenidade do filme e a choradeira na platéia. Pena que a legendagem do DVD não seja das melhores.

Jazz, de Ken Burns (GNT/ SomLivre) – Aclamado como o documentário mais completo sobre esse gênero, Jazz acaba de ganhar uma versão nacional. A edição, organizada pela GNT (que transmitiu a série no ano passado), traz os doze episódios originais do programa em quatro discos e, como bônus, oferece uma entrevista do jornalista Silio Bocanera com o documentarista Ken Burns. Ficaram de fora, no entanto, os bastidores da produção, que acompanhavam a edição americana. Jazz conta a história do gênero até os anos 70, a partir da biografia de dois artistas (que, na opinião de Burns, foram os mestres do gênero): o cantor e trompetista Louis Armstrong e o maestro Duke Ellington. A caixa terá um preço médio de 165 reais.

 

LIVROS

Uma Viagem Sentimental através da França e da Itália, de Laurence Sterne (tradução de Bernardina da Silveira Pinheiro; Nova Fronteira; 158 páginas; 22 reais) – O título deste livro é enganoso: o protagonista jamais chega a pisar na Itália. Além disso, a história tem início no meio de uma conversa (cujo tema não é revelado ao leitor) e se encerra de forma ainda mais abrupta, no meio de uma palavra. Era dessa maneira lúdica e maliciosa que o irlandês Laurence Sterne (1713-1768) fazia literatura, tornando-se inspiração para inúmeros vanguardistas de épocas posteriores (entre os quais o brasileiro Machado de Assis). Principal realização do autor depois de Tristam Shandy, sua obra-prima, Uma Viagem Sentimental já tivera tradução no Brasil. Esta nova edição, contudo, é muito bem-cuidada, contendo introdução e notas da crítica Marta de Senna que ajudam na leitura. Leia o primeiro capítulo do livro.

 
Paulo Vasconcelos
Lygia: coletânea de não-ficção

Durante Aquele Estranho Chá – Perdidos e Achados, de Lygia Fagundes Telles (Rocco; 203 páginas; 25 reais) – Esta é a primeira coletânea de textos não-ficcionais da autora. São ensaios, palestras, depoimentos, fragmentos de memória – preciosos pelo que dizem a respeito de Lygia Fagundes Telles, um dos maiores nomes da literatura brasileira, e também por registrar histórias de outros grandes escritores, como Mario de Andrade, Clarice Lispector ou Carlos Drummond de Andrade. Seu Discurso de Posse na Academia Brasileira de Letras, uma peça de oratória divertida e bem pouco convencional, faz parte da antologia, bem como o relato marcante de uma viagem ao Irã. Sejam de que gênero forem, os textos têm a limpidez e a graça (às vezes um tanto melancólica) que marcam o estilo da autora. Leia trechos do livro.

 

DISCOS

Chico Buarque: Primeiras Composições, Paulinho Nogueira (Trama) – O principal mérito do CD é mostrar uma faceta inédita de Chico Buarque. Costuma-se louvar o compositor carioca pela alta qualidade de suas letras e pelas parcerias com Tom Jobim e outros astros da MPB. Nogueira traz à tona as belas melodias da fase inicial da carreira de Buarque. Um dos grandes instrumentistas da música brasileira, ele se faz acompanhar apenas do violão e, ocasionalmente, de uma flauta ou instrumento percussivo. A simplicidade dos arranjos põe em destaque as harmonias intricadas de Carolina e Com Açúcar, com Afeto, além de revelar a doçura de canções como João e Maria e Olhos nos Olhos.

Down the Road, Van Morrison (Universal) – O cantor irlandês tem muito mais a ver com as águas barrentas do Rio Mississippi do que com as tradições de sua terra natal. O pai de Morrison colecionava discos de rhythm'n'blues e jazz, gêneros musicais que ele emulou no grupo Them e principalmente na carreira-solo. Down the Road, seu novo álbum, tem atmosfera bluesística. A forte influência de nomes como Muddy Waters e Mahalia Jackson se faz sentir em faixas como Hey Mr. DJ e Choppin' Wood. Em Whatever Happened to P.J. Proby?, Morrison homenageia esse cantor americano dos anos 60, enquanto zomba do pop atual. Excelente intérprete de baladas, ele pôs no álbum dois grandes temas para namorar. São eles Steal My Heart Away e a regravação de Georgia on My Mind, imortalizada por Ray Charles.

 

LITERATURA BRASILEIRA

Deixe o Quarto
Como Está
Amilcar Bettega Barbosa;
Companhia das Letras;
124 páginas;
23 reais

É consenso entre os críticos que, no século XX, a tradição da literatura fantástica sofreu uma mudança importante. Figura emblemática nesse movimento seria o checo Franz Kafka, cujos textos promoveram uma "naturalização do irreal", uma fusão antes desconhecida do absurdo e do corriqueiro. Como disse o crítico alemão Günter Anders, em Kafka "o inquietante não são os objetos nem as ocorrências, mas o fato de que as criaturas reagem a eles descontraidamente, como se estivessem diante de coisas normais". No Brasil, essa maneira de lidar com o fantástico teve seu primeiro representante na década de 40, com Murilo Rubião. Agora, o gaúcho Amilcar Bettega Barbosa mostra que também dominou a gramática do gênero, com os catorze ótimos contos de Deixe o Quarto Como Está.

Rubião dizia que só conheceu Kafka tardiamente, e que ele não era uma influência. É evidente que o mesmo não vale para Barbosa. Um conto como Exílio, em que um homem tenta, em vão, deixar uma cidade a bordo de um trem, está diretamente ligado a textos kafkianos como Uma Mensagem Imperial. Mas não é isso o que mais interessa. Realmente importante, por exemplo, é notar como Barbosa maneja o linguajar coloquial, provocando no leitor um sentimento de familiaridade que depois vai se desfazer. Insistência começa assim: "Os caras insistiam naquilo mas eu logo vi que não ia dar certo, tomamos um pau danado...". Poderia ser a narrativa de uma briga de rua. Mas a história se passa numa terra de ninguém, numa dimensão indefinida – o que impede uma leitura puramente realista do conto. Barbosa tem outros bons truques para desconcertar o leitor. No livro, há histórias sobre homens que vivem com animais grudados às costas, ou sobre uma casa que gesta os próprios aposentos. Todas comportam várias interpretações: políticas, existenciais, psicológicas. Coisa rara, trata-se de um livro sem pontos baixos.

Carlos Graieb

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler.
   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS