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Edição 1 699 - 9 de maio de 2001
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Uma utopia realizável


AFP
Malan: um apelo aos pré-candidatos

São sólidas as razões para acreditar na sinceridade da campanha que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, vem fazendo para que as oposições declarem publicamente seu compromisso para com os avanços recentes da sociedade brasileira na área das finanças públicas. Na semana passada, nos Estados Unidos, diante de uma platéia qualificada de ouvintes internacionais, tanto Malan quanto Armínio Fraga reafirmaram a convicção de que esse é um passo fundamental para garantir a estabilidade e as bases mínimas de crescimento da economia brasileira nas agitações típicas do clima pré-eleitoral, já instalado no Brasil a menos de dois anos das eleições presidenciais. "Seria bom que os principais pré-candidatos à Presidência dessem uma clara mensagem sobre seus compromissos, como o controle da inflação e das contas fiscais", disse Malan. Fraga afirmou estar certo de que os próximos governantes, sejam quais forem seus matizes ideológicos, não vão adotar políticas econômicas "malucas".

Parece uma meta utópica, inatingível, civilizada demais para o ambiente político brasileiro. Não é. Os processos recentes de sucessão nos vizinhos Argentina, Uruguai, Chile e no México transcorreram sem tantos sobressaltos em razão da certeza interna e externa de que políticas monetárias sadias e responsabilidade fiscal por parte dos governantes não são bandeiras de um único partido ou facção, eventualmente no poder. São conquistas de toda a sociedade. Árduas conquistas, diga-se. Nem por isso naturalmente duradouras ou irrevogáveis. Gastar menos do que se arrecada, não produzir inflação punitiva e manter a economia em estado de saudável alerta por meio de uma abertura comercial equilibrada são medidas que exigem esforço permanente. Sua manutenção é com freqüência desafiada por insatisfeitos de toda ordem, não raro espertamente manipulados pelos políticos, especialmente em épocas de crise política. A opinião pública está mais ligada nessa questão do que parece.

 
 
   
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