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Os brasileiros
de hoje podem ser comparados a um navio que perdeu sua bússola
no meio do oceano. Sem um guia correto para dirigi-los, eles navegam sem
rumo para o futuro. É o mesmo que acreditar em Papai Noel ("O país
está muito zangado", 6 de junho). Obrigada
pela ótima matéria, que lava a alma tão sofrida dos
brasileiros. Se já não temos mais motivos para confiar nesse
governo, pelo menos sabemos que podemos contar com os excelentes jornalistas
de VEJA, que tão bem expressaram nossa raiva e desilusão.
Parabéns! Há
anos está tudo muito claro neste país: os interesses pessoais
de nossos políticos estão muito à frente dos interesses
daqueles que os elegem. Infelizmente ainda estamos vivendo numa colônia
de exploração, sempre sonhando em como será o "país
do futuro". O Brasil
é, sim, o país do futuro! Ignorantes são aqueles
que buscam comparações entre nosso país e países
da Europa, por exemplo; lembrem-se: o Brasil acabou de completar 500 anos
de História. Infelizmente nossos governantes nunca agiram, só
reagiram. Esperam o problema vir à tona para começar a pensar
em sua solução. O presidente FHC vem fazendo um ótimo
governo se comparado a seus antecessores, mas ele sozinho não chega
a lugar nenhum. Se os partidos parassem de buscar somente seus interesses
e trabalhassem com o mesmo ideal, talvez o país conseguisse sair
do buraco, mas até isso acontecer vão mais 500 anos. Meus avós,
que moram no Rio de Janeiro, sempre fizeram uma economia de energia que
a todos parecia absurda: só usam lâmpadas de 40 velas, raramente
ligam o ventilador no verão, nunca cogitaram comprar um aparelho
de ar condicionado ou um microondas e sempre se sentiram orgulhosos de
sua economia. Agora, eles recebem a notícia de que terão
de diminuir seu gasto em 20% e ainda pagar taxas mais altas. Foi isso
o que eles ganharam por fazer sua parte? Todos os
anos temos o famoso horário de verão, e no final somos informados
de que houve uma economia de energia da ordem de 1,0%. Não sou
expert em energia e não sei se há uma relação
direta entre esse 1,0% do horário de verão e os 20% atualmente
mencionados pelas autoridades, mas, se houver, sou levado a concluir que
ou há algo de errado nas informações que foram passadas
ou estamos realmente com a corda no pescoço.
Excelente
o Ponto de vista (6 de junho) de Claudio de Moura Castro. Concordo que
não só os estudantes, mas também os profissionais,
devem buscar uma preparação "extraclasse" para ter uma carreira
sólida. A disciplina, o esforço e a dedicação
precisam ser incluídos em nossa rotina. Excelente
a lembrança dos verdadeiros ídolos nacionais! O povo brasileiro
precisa "cair na real" e deixar de lado essa apologia a tigrões,
cachorronas, popozudas, tchutchucas e outras coisas mais. A cultura de
uma nação não se faz por meio de apelos sexuais,
mas pela determinação, dedicação e garra.
Sou leitor
assíduo da coluna de Claudio de Moura Castro, mas discordo do economista
no artigo da última semana. Ele ignora todos os outros tipos de
inteligência conhecidos e demonstrados pela ciência. Se a
criança não oferece um desempenho quantitativo na escola
não deve ser reconhecida por suas outras habilidades? E se reprovar,
é caso de polícia?
Parabéns
a VEJA pela excelente entrevista ("Lições do fracasso",
Amarelas, 6 de junho) com o professor James Waldroop. Um verdadeiro manual
de psicologia empresarial, que deve ser lido por todos aqueles que almejam
sucesso no trabalho e na vida. Formidável
ver uma sensacional entrevista sem sensacionalismo. Certamente, se aplicarmos
as sábias lições de James Waldroop, estaremos melhorando
nossa qualidade de vida e contribuindo para um país melhor. A entrevista
é um incentivo para encarar sem medo oportunidades e novas experiências,
bem-sucedidas ou não, que a vida profissional pode oferecer, procurando
aprender com os erros e assim buscar a eficiência desejada.
Achei muito
oportuna a matéria sobre alimentação nas empresas.
Como nutricionista da área de emagrecimento, percebo a dificuldade
que os pacientes têm de fazer escolhas alimentares adequadas na
hora do almoço, pois vêem o refeitório da firma como
um autêntico restaurante, com direito a excessos que seriam aceitáveis
apenas nos fins de semana. Acredito que campanhas de esclarecimento sobre
valores nutricionais da refeição nas empresas são
sempre bem-vindas ("Trabalhar engorda", 6 de junho).
VEJA nos
mostra (para quem perdeu a renúncia ao vivo pela TV ou economizou
energia) como um aproveitador ou feitor de dossiê queria fazer pose
de vítima na tribuna do Senado, e nos revelou através das
fotografias, na reportagem desta semana, que ACM sempre esteve no poder,
desde o tempo da ditadura militar. Ele é vítima, sim, de
seu próprio erro, mania de grandeza e de poder, e queria ditar
o futuro político de seus afetos e desafetos. Isso é só
uma outra lição de vida, porém quem aprende não
faz mais ("Meu mundo caiu", 6 de junho). Dado o tom
irônico, profético e ácido de seu longo discurso de
renúncia, espertamente bancando o injustiçado e o traído
à moda do imperador romano César (renunciando, enfim, para
evitar a punhalada final dos colegas senadores, cassando-lhe o mandato),
disparando inúmeros petardos venenosos contra seus arquiinimigos,
o agora ex-Rasputin do Planalto e ex-todo-poderoso ACM mostrou que nem
em sonho cogitava deixar a política, muito menos que se sentia
um homem derrotado. Será que fará falta? Certamente. Nunca
mais a TV Senado será tão divertida de assistir e os jornais
tão aguardados para ler. Aproveito
este espaço para mostrar minha revolta com a nossa vergonhosa legislação.
É inaceitável permitir que um político safado e desonesto
possa livrar-se de qualquer punição pelas falcatruas que
comete no poder simplesmente renunciando ao mandato. Ele deveria ser afastado
(e sem receber salário) assim que qualquer denúncia surgisse.
Depois de o caso apurado, o cargo seria a ele devolvido se fosse inocente,
e quem o denunciou injustamente é que seria punido em seu lugar.
No mais, lamento que ainda existam pessoas que tenham a coragem de reconduzir
tais políticos ao poder.
Se levarmos
em conta aquele Deus da Bíblia, que criou o mundo em seis
dias, que num passe de mágica transformou um monte de barro em
uma criatura humana, que revogou suas próprias leis e aceitou sacrifícios
para glorificar a si mesmo, não será hoje nem em 1 milhão
de anos que a ciência e a religião se entenderão.
Considerando que as leis que regem tudo no universo são leis divinas,
poderemos afirmar que a ciência será a religião do
futuro ("Em busca de Deus", 6 de junho).
É
realmente algo curioso: como é que uma menina fica sem calcinha
numa manifestação na frente do Planalto e diz que escondeu
os seios para não ficarem dizendo que ela queria aparecer? Não
entendi essa (Gente, 6 de junho). Fiquei surpresa
quando li a nota sobre o protesto da estudante Carla Santos, presidente
da Ubes. Sua atitude foi extremamente imatura e, com certeza, não
atingiu os objetivos pretendidos, aos quais ela chama de "uma causa".
Existem outras maneiras muito mais eficazes e sadias de protestar. É
de causar vergonha aos estudantes saber que estão sendo representados
por uma pessoa que não mede as conseqüências dos próprios
atos.
Concordo
com Roberto Pompeu de Toledo. Pobreza não é sinal de falta
de educação (Ensaio, 30 de maio).
O senhor
Agrippino de Paula é mais um cidadão que foi esquecido pelo
povo brasileiro. Parte de seu anonimato é devida ao fato de ele
sofrer de esquizofrenia; como conseqüência, vive isolado em
sua casa, mantendo portas e janelas fechadas para o mundo externo. Mas
nem todo o seu anonimato é conseqüência de sua doença.
É também resultado da falta de cultura da população
de nosso país (Perfil, 30 de maio).
Tenho de
repudiar o comportamento de Diogo Mainardi em sua coluna de 30 de maio
("Berlusconi, um brasileiro"). Apesar de também viver fora do Brasil,
não sinto enjôo com o que está se passando em nosso
país. São coisas da democracia. Fatos similares acontecem
em muitos países. Graças a Deus temos uma imprensa que está
atenta e denunciando todas as barbaridades, não só brasileiras,
como mundiais. Deixei grandes oportunidades passarem em minha vida profissional
aqui, nos Estados Unidos, por não aceitar a cidadania americana
e continuar brasileiro, e com orgulho de minha nacionalidade. Viver na
Itália, criticar italianos, brasileiros, e todo o mundo é
muito fácil e conveniente. Voto em todas as eleições
no Brasil. Se não posso no consulado, vou pessoalmente participar
das eleições em meu país. Continuo prestigiando nosso
Brasil e faço tudo que posso para promover e incentivar o turismo
a nossa bela pátria. Temos muita gente honesta que não é
notícia, inclusive muitas pessoas públicas que são
honradas. Rechaço
o jogo de palavras do senhor Diogo Mainardi que, em artigo sem conteúdo,
refere-se, com destaque, a mim. O texto é bonitinho, mas ordinário.
Não instrui os leitores. Pior, querendo proibir-me de citar Montesquieu,
um dos maiores teóricos da democracia, ofende a mim, ao autor e
à Constituição brasileira, que, se ele não
leu, garante a livre manifestação do pensamento, inclusive
em textos vazios como o dele. Não o condeno por nunca ter lido
O Espírito das Leis. Nem por isso tem o direito de expor
sua frustrada vocação para ditador. Deixa logo claro: se
tivesse poder, sairia proibindo o que não deve. Santa ignorância.
VEJA bem que poderia selecionar melhores articulistas ("Esse
Waldeck Ornélas...", 6 de junho).
Lamentavelmente,
surpreendemo-nos com o teor da nota "Amigos do plim-plim" (Radar, 30 de
maio), que sugere, maldosamente, que a Fundação Abrinq estaria
flexibilizando seus critérios de reconhecimento das Empresas Amigas
da Criança a fim de favorecer a Rede Globo de Televisão.
Os novos critérios para a concessão do selo "Empresa Amiga
da Criança" nada têm a ver com a questão do trabalho
infantil em atividades e produções artísticas. De
fato, a Rede Globo, de forma pioneira no setor de televisão e radiodifusão,
solicitou seu credenciamento como Empresa Amiga da Criança. Estou
certo de que a própria MTV, do Grupo Abril, se interessará
por utilizar esses elementos definidos por uma entidade reconhecidamente
séria, honesta e isenta, como a Fundação Abrinq.
Reafirmamos que nosso único compromisso é com a infância
e a adolescência. E é o respeito a esse compromisso que tem
garantido à Fundação Abrinq, ao longo de seus onze
anos de existência, a credibilidade e confiança da sociedade
brasileira. Em respeito ao leitor e à integridade da Fundação
Abrinq, solicitamos a retificação da nota da seção
Radar na próxima edição.
A Embaixada
da Rússia sempre foi assinante fiel da revista VEJA. Após
dois anos no Brasil, passei de uma simples leitora de VEJA a aficionada.
Surgiram autores e colunas favoritas, em especial as dedicadas à
literatura e à arte. Nesse contexto, gostaria de manifestar gratidão
pela publicação da nota relativa à nova edição
no Brasil do romance Crime e Castigo, de Dostoievski, com tradução
feita diretamente do russo (6 de junho). Na minha opinião, esse
romance é o mais acessível ao leitor brasileiro, à
sua compreensão e ao seu temperamento. Escrito em gênero
de romance policial, é fácil de ler, não obstante
mergulhe nas emoções e nos sentimentos mais complicados
das personagens, nos abismos e mistérios da psicologia humana.
Existem coincidências felizes. Por exemplo, sua publicação
e a exibição no cinema brasileiro do novo filme russo A
Boda. Os críticos receberam-no com admiração.
Eu, pessoalmente, assisti à reação do auditório.
O espectador está tão comovido com o que viu que fica sentado
em uma espécie de pasmo.
Como estudante
de direito fiquei admirado com a inusitada decisão proferida pelo
juiz estadual Manuel Banales, nos Estados Unidos. Entendo que tal atitude
deveria ser vista "com bons olhos" por nossos magistrados da esfera criminal.
A mensagem "Perigo. Aqui vive um molestador sexual" pode ser uma boa medida
para evitar que esses condenáveis delitos contra a liberdade sexual
continuem crescendo demasiada e assustadoramente em nosso país.
("Vergonha pública", 6 de junho).
CORREÇÃO: A pesquisa sobre a popularidade de Fernando Henrique Cardoso feita pelo Instituto Sensus foi encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). ("O país está muito zangado", 6 de junho).
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