|
|

 |


Confira
em Estação
VEJA
os trechos de livros, filmes e
CDs recomendados nesta seção |
|
|
|
|
FILME

Fraser,
em Monkeybone: fervilhante |
Monkeybone
No Limite da Imaginação (Monkeybone,
Estados Unidos, 2001. Desde quinta-feira no país)
As razões que levaram o estúdio a decidir
que esse é um filme para crianças (tanto que
ele está sendo lançado aqui apenas em cópias
dubladas) são um mistério. Na verdade, o endereço
certo para essa comédia fervilhante de idéias
e de visual extravagante é aquele público
mais crescidinho, fã de animação e
de histórias em quadrinhos mais complicadas. Brendan
Fraser, o astro de A Múmia, interpreta um
cartunista tímido que, por causa de um acidente,
entra em coma. Sua mente, então, vai parar num mundo
"desenhado" por seu inconsciente. Mas sua criação
mais famosa, o macaquinho Monkeybone, escapa desse purgatório
e rouba o corpo inerte de seu dono. O diretor Henry Selick
é "cria" de outro cineasta famoso, o americano Tim
Burton, sob cuja produção realizou O Estranho
Mundo de Jack, em 1993. Como em seus outros trabalhos,
aqui há doses altíssimas de criatividade
e também um bocado de humor negro, que pode assustar
os pequenos.
SHOW

Asian
Dub Foundation: engajado |
Asian
Dub Foundation (dia 20 no Centro de Convenções
do Recife; dia 25 no Canecão, no Rio de Janeiro;
dia 27 no Sesc Belenzinho, em São Paulo; e dia 28
no Centro Cultural Conde de Santa Marinha, em Belo Horizonte)
Para boa parte da crítica especializada, esse
grupo faz os melhores shows do pop inglês no momento.
Criado em 1993 por filhos de imigrantes indianos, o Asian
Dub Foundation produz uma salada sonora que inclui world
music, tecno e punk rock. De quebra, tempera tudo isso com
seu engajamento em causas humanitárias e letras politizadas.
Ao vivo, essas pregações são reforçadas
por uma trupe de dançarinos e disc-jóqueis
e pelos vocais mântricos do rapazola Master D. A turnê
faz parte de um projeto do Conselho Britânico. Inclui
ainda workshops do grupo para menores carentes e participações
especiais dos artistas brasileiros O Rappa, Nação
Zumbi e Marcelo D2.
DISCO
Live
from Mars, Ben Harper & The Innocent Criminals
(Virgin) O cantor e guitarrista pertence à
categoria dos artistas inclassificáveis: pode assumir
o estilo de um trovador moderno (nos moldes de Bob Dylan),
atualizar gêneros negros como soul music ou atacar
de rock pesado. Harper é também um compositor
talentoso, autor de letras de cunho social, mas bem-humoradas
seu maior sucesso chama-se Mama's Got a Girlfriend
Now, em que uma mulher troca o marido chato e beberrão
por uma namorada. Tanta versatilidade rendeu um álbum
ao vivo, dividido em duas partes distintas. Na primeira,
Harper toca com o grupo Innocent Criminals e mostra seu
lado mais elétrico, com direito a versões
de Marvin Gaye (Sexual Healing) e Led Zeppelin (Whole
Lotta Love). O outro disco é dedicado a baladas
de cortar o coração.
LIVROS
 |

Cendrars:
mentor dos modernistas |
A
Aventura Brasileira de Blaise Cendrars, de Alexandre
Eulalio (Edusp; 625 páginas; 60 reais) Festejado
pela crítica à época de seu lançamento,
em 1978, o livro reconstitui as visitas do poeta franco-suíço
Blaise Cendrars ao Brasil e é um documento indispensável
para compreender sua influência sobre o movimento
modernista nacional. Nome conhecido das vanguardas artísticas
européias do início do século XX, Cendrars
veio ao Brasil por três vezes na década de
20 e inspirou uma série de poetas nacionais
entre eles, Oswald de Andrade. De volta em edição
revista e ampliada por Carlos Augusto Calil, professor da
Escola de Comunicações e Artes da Universidade
de São Paulo, o livro é rico em imagens. Traz
ainda textos dos escritores Pedro Nava e Manuel Bandeira,
depoimentos do historiador Sérgio Buarque de Holanda
e poemas inéditos de Cendrars.
 |
O
Universo Elegante, de Brian Greene (tradução
de José Viegas Filho; Companhia das Letras; 476 páginas;
37 reais) Da nova safra de livros de divulgação
científica, esse é um dos melhores. A proposta
é explicar aos leigos as conquistas mais importantes
da física nas últimas décadas e mostrar
como elas transformaram nosso entendimento do universo.
O cerne da obra é a teoria das supercordas, que prevê,
entre outras coisas, a existência de dez dimensões.
O mérito de Greene, ele próprio autor de algumas
dessas descobertas, é a coragem de fazer análises
ousadas "no calor da hora", enquanto a maioria de seus pares
prefere falar de assuntos já consolidados pela comunidade
científica. De quebra, sua prosa é tão
elegante quanto o universo que descreve. Leia
trechos do primeiro capítulo do livro
OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA
 |
Em
1820, o baleeiro americano Essex foi a pique
num dos mais estranhos incidentes da história
naval: seu naufrágio foi causado pelos sucessivos
golpes de uma imensa baleia cachalote. No momento
do desastre, a ilha mais próxima estava a 1.800
quilômetros de distância. Em três
botes, os vinte tripulantes do navio tinham duas opções.
Podiam seguir para a ilha ou tentar atingir a costa
da América do Sul, que ficava duas vezes mais
longe. Por medo de encontrar canibais, escolheram
a segunda alternativa e, com isso, entregaram-se,
ironicamente, a um destino terrível: tiveram
de comer, eles mesmos, os companheiros que iam sucumbindo
no caminho. É essa história assombrosa,
que serviu de inspiração para um dos
grandes clássicos da literatura ocidental,
o romance Moby-Dick,
de Herman Melville, que o pesquisador americano Nathaniel
Philbrick narra em No
Coração do Mar
(tradução de Rubens Figueiredo; Companhia
das Letras; 371 páginas; 31,50 reais), livro
que ganhou o prestigioso National Book Award no ano
passado.
 |
 |
| Chase,
o capitão, e o aprendiz Nickerson: sobreviventes
da tragédia |
Ao
contrário do que muitos fariam diante de um
material como esse, Philbrick não carrega nas
tintas. É sempre um elegante contador de histórias,
mesmo quando aborda os detalhes mais sombrios. E nada
escapa a seu relato. Estão ali os pormenores
sobre a relação entre os tripulantes,
do capitão Owen Chase ao aprendiz Thomas Nickerson,
o fim que tiveram os sobreviventes e até uma
interessante radiografia da sociedade de Nantucket,
a minúscula ilha americana de onde partiu o
Essex e que chegou a ser um dos lugares mais
ricos do mundo graças à sua pujante
indústria baleeira. A literatura também
não foge da mira. A relação entre
o ocorrido e a abordagem ficcional de Melville acompanha
todo o texto. No
Coração do Mar
é uma obra empolgante, que está acima
de muito romance que vemos por aí. Até
merece o título de Moby-Dick
das obras de não-ficção.
Flávio
Moura
|
|
|
 |
 |
 |
| Fontes:
São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila,
Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano;
Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano;
Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió:
Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler;
Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza:
Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano,
Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura. |
|

|
|