Edição 1 650 -24/5/2000

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O ataque do DVD

Fabricantes prometem modelos mais baratos
e mais filmes para acabar com o videocassete

Ricardo Villela

Fotos Claudio Rossi
Família experimenta o DVD em loja paulista: 80% das classes A e B desconhecem a tecnologia


Os fabricantes ficaram enlouquecidos há três anos quando lançaram no Brasil o DVD, aquele disquinho que tem imagem e som digital no formato de um CD de música. Apesar da inegável superioridade técnica do equipamento sobre o videocassete, poucos brasileiros se dispuseram a desembolsar 1.000 reais pelos modelos mais baratos. E para quê? Para assistir a uma meia dúzia de filmes, que por sua vez também custavam mais caro que os vídeos alugados? Há hoje no país 18 milhões de lares com videocassete, contra 60.000 com DVD. Perdida a primeira batalha, os fabricantes preparam-se para um novo ataque. Das oito marcas de DVD, duas delas vão reduzir preços. A Gradiente promete baixar o preço do modelo mais simples para 699 reais ainda nesta semana. E a Philips prevê que seu equipamento custe 850 reais num prazo um pouco mais elástico: até o final do ano. O mercado avalia que esse movimento provocará uma reação parecida por parte dos demais fabricantes. Essa novidade se soma a outra. Os representantes dos estúdios de Hollywood vão lançar 940 filmes em DVD durante o ano 2000. Até dezembro de 1999, havia menos de 300 títulos no mercado brasileiro.

A combinação de aparelho mais barato com boa variedade de filmes nas prateleiras das lojas tem tudo para fazer vingar no Brasil um fenômeno que já emplacou no mundo desenvolvido. O DVD se popularizou mais rápido que o CD-player e o videocassete e entrou para a história como um dos lançamentos mais bem-sucedidos da indústria de áudio e vídeo dos Estados Unidos. Em 1997, quando os primeiros modelos chegaram ao mercado americano, foram comercializadas 100.000 unidades. As vendas devem fechar o ano 2000 em mais de 9 milhões de aparelhos. Na Europa, em três anos, o comércio do DVD aumentou quinze vezes. No Brasil, o fenômeno ainda não aconteceu. As oito marcas presentes no mercado brasileiro venderam apenas 43.000 unidades no ano passado. Numa pesquisa feita com moradores de São Paulo das classes A e B, 80% dos entrevistados disseram desconhecer a tecnologia. "Com aparelhos caros e poucos filmes disponíveis, o DVD acabou atraindo só os cinéfilos aficionados", explica Eugênio Staub, dono da Gradiente.


Videoclube especializado em DVD: 940 novos filmes até o fim de 2000

Para que a expansão se repita no mesmo ritmo de outros países é preciso unir as duas pontas desse negócio. De um lado está a indústria de áudio e vídeo, que só consegue vender os aparelhos se houver opções de filmes em número elevado, o que não ocorre no momento. De outro estão os estúdios, que vendem tanto mais filmes quanto mais pessoas tiverem o aparelho. Um não vive sem o outro. O Brasil está arrancando atrasado porque tinha problemas nas duas pontas. Antes de lançar um DVD mais acessível, Staub visitou os distribuidores em Los Angeles para garantir o incremento no número de filmes disponíveis no Brasil.

Os títulos que estão chegando ao mercado trazem atrações que vão além do que é exibido nos cinemas. Em Matrix, com Keanu Reeves, algumas cenas têm o desenho de uma pequena câmara no canto do vídeo. É um sinal de que ao comando do controle remoto é possível assisti-las filmadas por outro ângulo. As melhores tomadas de efeitos especiais também vêm assinaladas. Ao sabor do espectador, entram explicações de como o efeito foi criado. A comédia Quem Vai Ficar com Mary? tem videoclipe e karaokê da música-tema. Em Duro de Matar, há a filmografia do ator Bruce Willis. Máfia no Divã traz uma coletânea de erros cometidos por Robert De Niro e Billy Crystal durante as filmagens. O suspense O Suspeito da Rua Arlington, com Jeff Bridges e Tim Robbins, tem um final diferente do das cópias dos cinemas, com uma cena a mais e a explicação do diretor Mark Pellington para tê-la excluído da versão que foi para as telas.

A imagem de um DVD é duas vezes mais nítida que a dos videocassetes. O som é equivalente ao das salas de cinema mais modernas. As vantagens comparativas são tantas que a indústria já vislumbra para o videocassete o mesmo destino que tiveram os velhos toca-discos de vinil. Quando o CD-player foi lançado no Brasil, em meados da década de 80, por um preço equivalente a 1.000 dólares, o mercado brasileiro de LPs de vinil era de 50 milhões de unidades anuais. O preço do CD-player foi caindo ano a ano, a venda dos CDs aumentando e a dos LPs diminuindo. Em seis anos, o comércio dos CDs superou o dos LPs. Em dez, os fabricantes desistiram de continuar produzindo as bolachas de vinil. A indústria aposta que o processo vai repetir-se com o DVD. A Columbia está lançando uma média de dezoito títulos de DVD por mês, contra apenas seis de videocassete. Até o fim de 2000, a Philips colocará nas lojas uma TV com DVD embutido e um minisystem com DVD. Por enquanto, a única vantagem do videocassete sobre os aparelhos de DVD é a possibilidade de gravar programas da TV, coisa que o DVD vendido atualmente não faz. Em dois ou três anos devem chegar os primeiros modelos com esse recurso. O mercado acredita que, em oito anos, a grande maioria dos brasileiros terá trocado seu videocassete pelo DVD.

 
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