O ataque do DVD
Fabricantes prometem modelos mais baratos
e mais filmes para acabar com o videocassete
Ricardo Villela
Fotos Claudio Rossi
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| Família experimenta o DVD
em loja paulista: 80% das classes A e B desconhecem
a tecnologia |
Os fabricantes ficaram enlouquecidos há três
anos quando lançaram no Brasil o DVD, aquele disquinho
que tem imagem e som digital no formato de um CD de música.
Apesar da inegável superioridade técnica do
equipamento sobre o videocassete, poucos brasileiros se
dispuseram a desembolsar 1.000
reais pelos modelos mais baratos. E para quê? Para
assistir a uma meia dúzia de filmes, que por sua
vez também custavam mais caro que os vídeos
alugados? Há hoje no país 18 milhões
de lares com videocassete, contra 60.000
com DVD. Perdida a primeira batalha, os fabricantes preparam-se
para um novo ataque. Das oito marcas de DVD, duas delas
vão reduzir preços. A Gradiente promete baixar
o preço do modelo mais simples para 699 reais ainda
nesta semana. E a Philips prevê que seu equipamento
custe 850 reais num prazo um pouco mais elástico:
até o final do ano. O mercado avalia que esse movimento
provocará uma reação parecida por parte
dos demais fabricantes. Essa novidade se soma a outra. Os
representantes dos estúdios de Hollywood vão
lançar 940 filmes em DVD durante o ano 2000. Até
dezembro de 1999, havia menos de 300 títulos no mercado
brasileiro.
A
combinação de aparelho mais barato com boa
variedade de filmes nas prateleiras das lojas tem tudo para
fazer vingar no Brasil um fenômeno que já emplacou
no mundo desenvolvido. O DVD se popularizou mais rápido
que o CD-player e o videocassete e entrou para a história
como um dos lançamentos mais bem-sucedidos da indústria
de áudio e vídeo dos Estados Unidos. Em 1997,
quando os primeiros modelos chegaram ao mercado americano,
foram comercializadas 100.000
unidades. As vendas devem fechar o ano 2000 em mais de 9
milhões de aparelhos. Na Europa, em três anos,
o comércio do DVD aumentou quinze vezes. No Brasil,
o fenômeno ainda não aconteceu. As oito marcas
presentes no mercado brasileiro venderam apenas 43.000
unidades no ano passado. Numa pesquisa feita com moradores
de São Paulo das classes A e B, 80% dos entrevistados
disseram desconhecer a tecnologia. "Com aparelhos caros
e poucos filmes disponíveis, o DVD acabou atraindo
só os cinéfilos aficionados", explica Eugênio
Staub, dono da Gradiente.
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| Videoclube especializado
em DVD: 940 novos filmes até o fim de 2000 |
Para que a expansão se repita no mesmo ritmo de
outros países é preciso unir as duas pontas
desse negócio. De um lado está a indústria
de áudio e vídeo, que só consegue vender
os aparelhos se houver opções de filmes em
número elevado, o que não ocorre no momento.
De outro estão os estúdios, que vendem tanto
mais filmes quanto mais pessoas tiverem o aparelho. Um não
vive sem o outro. O Brasil está arrancando atrasado
porque tinha problemas nas duas pontas. Antes de lançar
um DVD mais acessível, Staub visitou os distribuidores
em Los Angeles para garantir o incremento no número
de filmes disponíveis no Brasil.
Os títulos que estão chegando ao mercado
trazem atrações que vão além
do que é exibido nos cinemas. Em Matrix, com
Keanu Reeves, algumas cenas têm o desenho de uma pequena
câmara no canto do vídeo. É um sinal
de que ao comando do controle remoto é possível
assisti-las filmadas por outro ângulo. As melhores
tomadas de efeitos especiais também vêm assinaladas.
Ao sabor do espectador, entram explicações
de como o efeito foi criado. A comédia Quem Vai
Ficar com Mary? tem videoclipe e karaokê da música-tema.
Em Duro de Matar, há a filmografia do ator
Bruce Willis. Máfia no Divã traz uma
coletânea de erros cometidos por Robert De Niro e
Billy Crystal durante as filmagens. O suspense O Suspeito
da Rua Arlington, com Jeff Bridges e Tim Robbins, tem
um final diferente do das cópias dos cinemas, com
uma cena a mais e a explicação do diretor
Mark Pellington para tê-la excluído da versão
que foi para as telas.
A
imagem de um DVD é duas vezes mais nítida
que a dos videocassetes. O som é equivalente ao das
salas de cinema mais modernas. As vantagens comparativas
são tantas que a indústria já vislumbra
para o videocassete o mesmo destino que tiveram os velhos
toca-discos de vinil. Quando o CD-player foi lançado
no Brasil, em meados da década de 80, por um preço
equivalente a 1.000 dólares,
o mercado brasileiro de LPs de vinil era de 50 milhões
de unidades anuais. O preço do CD-player foi caindo
ano a ano, a venda dos CDs aumentando e a dos LPs diminuindo.
Em seis anos, o comércio dos CDs superou o dos LPs.
Em dez, os fabricantes desistiram de continuar produzindo
as bolachas de vinil. A indústria aposta que o processo
vai repetir-se com o DVD. A Columbia está lançando
uma média de dezoito títulos de DVD por mês,
contra apenas seis de videocassete. Até o fim de
2000, a Philips colocará nas lojas uma TV com DVD
embutido e um minisystem com DVD. Por enquanto, a única
vantagem do videocassete sobre os aparelhos de DVD é
a possibilidade de gravar programas da TV, coisa que o DVD
vendido atualmente não faz. Em dois ou três
anos devem chegar os primeiros modelos com esse recurso.
O mercado acredita que, em oito anos, a grande maioria dos
brasileiros terá trocado seu videocassete pelo DVD.
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